Prosul : alinhamento com EUA contra a integração regional sul-americana

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No último dia 22 de março, aconteceu no Chile uma reunião de chefes de Estados de países da América do Sul para criação do Fórum de Desenvolvimento para o continente, denominado Prosul.

O presidente chileno Sebastián Piñera reuniu o presidente argentino Mauricio Macri, Mario Abdo Benítez (Paraguai), Martín Vizcarra (Peru), Iván Duque Márquez (Colômbia), Lenín Moreno (Equador) e Jair Bolsonaro. O objetivo declarado do encontro seria promover a destruição da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), criada em 2008, por iniciativa dos governos de esquerda na região para fomentar a integração, e estabelecer em seu lugar um “ Fórum” para coordenar  um “ novo marco” para a América do Sul.

O porta-voz da Presidência do Brasil, Otávio Rego Barros afirmou que o Prosul seria  “ livre de ideologias, aberto a todos e 100% comprometido com a democracia e os direitos humanos”, como afirmou o porta- ( www.bbc.com/portuguese/brasil). Nada estaria mais longe da realidade, a criação do Prosul relaciona-se diretamente com uma política norte-americana de imposição de governos de direita na região, inclusive através de golpes de Estado, como é o caso do governo Brasileiro. Além disso, o Prosul visa um alinhamento com os interessses dos norte-americanos, como ficou claro nos ataques endereçados ao governo Maduro da Venezuela.

De qualquer forma, as declarações entusiásticas de Jair Bolsonaro em favor do ditador chileno Augusto Pinochet, e do ditador paraguaio Alfredo Stroessner , bem como o chamado para comemorações do golpe de 1964 no Brasil indicam como mais fidelidade quais os verdadeiros sentidos políticos da orientação fundamental do Prosul.

A “ onda conservadora” como regresso politico e destruição da integração independente no Cone sul

A “ onda conservadora” expressa no caráter dos governos dos países que estavam na reunião no Chile representa uma virada da situação política na região, após o estabelecimento de governos de esquerda a chamada “ onda progressista”, iniciada com vitória eleitoral de Hugo Chávez na Venezuela em 1998, que levou a governos de esquerda ou centro esquerda na Bolívia, Equador, Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile no primeiro decênio do século XXI.

No início do século XXI, os países do Cone Sul passam por processos que alteram o cenário político tradicional. Ainda que com respostas políticas diferenciadas, a derrota dos partidos identificados com as reformas neoliberais expôs um questionamento do receituário neoliberal. Destarte, a América do Sul é um espaço geopolítico em pleno movimento, uma vez que a região tem passado por importantes variações nos últimos anos, como a queda de ditaduras militares, transições democráticas, governos neoliberais e, mais recentemente, com a chegada de governos de esquerda em importantes países. De qualquer forma, o ascenso da esquerda aos governos da região fomentou esperanças de novos impulsos para a integração entre os países, apesar das incertezas quanto às perspectivas.

Embora não signifizasse uma ruptura mais profunda com as estruturas das sociedades sul-americanas, a construção de regionalismo sem controle dos EUA sinalizou a possibilidade de alterações na rota tradicional de alinhamentos políticos nas relações internacionais, o que não agradou o imperialismo norte-americano.

O imperialismo Ianque adversário da integração regional latino-americana

A integração regional na América Latina, e especial na América do sul, é uma necessidade histórica para o desenvolvimento da região e um desejo acalantado para uma integração dos povos. Entretanto, a marca fundamental tem sido a fragmentação e pela quebra de continuidade dos empreendimentos integracionistas.

A aspiração de uma integração continental não é algo recente, tendo germinado desde das diversas lutas por independência no século XIX. Em torno da unidade da América Latina existe o apelo às raízes históricas comuns e vantagens evidentes de uma integração.

A posição dos países latino-americanos como países “periféricos” no espaço mundial, com um desenvolvimento retardatário em relação aos países do capitalismo central não é fruto do acaso nem uma condição definitiva. A realização de um desenvolvimento nacional independente passa pela articulação entre os países latino americanos atrás da integração regional.

A relação da América Latina com o poderoso vizinho do Norte, os Estados Unidos é um dos elementos-chave para a apreensão do regionalismo do Sul e dos obstáculos para uma integração regional efetiva.

Nos 1990, os Estados Unidos procuraram um alinhamento continental em torno do modelo neoliberal, o governo norte-americano, sobre a presidência do republicano George Bush (1989-1993), lançou em 1990 o documento “Iniciativa para as Américas”, que estabelecia como meta final a formação de uma zona de livre comércio da qual fizessem parte todos os países do continente americano, um ambicioso bloco econômico que se estenderia do Alasca à Terra do Fogo. O fracasso da negociação da Associação de Livre Comércio das Américas (ALCA), procurou realizar tratados bilaterais de livre comércio.

A Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) a partir da iniciativa de Hugo Chávez, à frente do governo da Venezuela, e posterior criação da Unasul, com forte protagonismo do Brasil foram vistos como contrários aos interesses norte-americanos.

Neste sentido, a política externa dos governos de direita na América do Sul não são iniciativas endógenas, mas representam uma articulação do imperialismo para atacar as bases de integração região sul-americana e Latino-americana.

Na verdade, o grande articulador da desarticulação da Unasul é o imperialismo norte-americano, que sempre buscou impedir processos de integração regional na América Latina e especificamente no cone sul. O tipo de “integração” que os ianques promoveram na América Latina é a dominação política. Os Estados Unidos tradicionalmente agenciaram governantes locais para a execução da política em prol dos seus interesses, e não se furtaram em intervir no seu “quintal”, seja direta através de intervenção armada, como as inúmeras já realizadas, seja através da realização de golpes de Estado.