Proposta do governo Bolsonaro de educação em casa é aumento do trabalho para a mulher

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A direita extremamente reacionária que ocupa os cargos do governo golpista de Bolsonaro tem como prioridade ataques à educação, que vão desde robustos corte nos orçamentos de universidades, até a perseguição à professores. Como parte da política de desmantelamento do sistema público de ensino, surge o projeto de regulamentar o ensino doméstico, que delega totalmente aos pais a educação das crianças e isenta o estado.

A responsável pela proposta é ninguém menos que Damares Alves, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. Os episódios envolvendo a ministra são dos mais revoltantes, principalmente quando se trata dos direitos das mulheres, como quando Damares declarou apoio ao Estatuto do Nascituro, que dificultaria ainda mais o acesso ao aborto legal que já é extremamente restrito.

Assinado por Bolsonaro e a espera da aprovação do Congresso, o projeto de Damares visa regulamentar a educação domiciliar no Brasil, modalidade em que os pais assumem a responsabilidade pelo aprendizado dos filhos. A justificativa seria a caótica condição da educação pública, mas não esconde o conteúdo reacionário que remete ao projeto da “Escola com Fascismo” onde os direitistas acusam os professores de doutrinação e querem assumir o controle sobre o que pode ser ensinado aos alunos.

Quem demonstrou total consonância com a proposta assinada por Bolsonaro é a ex-candidata à presidência, Manuela D’ávila, ao criticar o cuidado dos filhos feito pelo estado. Em seu livro lançado recentemente, Revolução Laura, Manuela chamou de “terceirização da maternidade” o auxílio estatal na criação dos filhos, principalmente para mulheres que tem jornada dupla ou até mesmo tripla, através de creches e escolas públicas.

O que Manuela não percebe com sua visão superficial feminista, é que delegando total responsabilidade da criação dos filhos aos pais, ela recai quase que totalmente sobre a mulher que mais uma vez é presa ao lar. As consequências da adoção, por parte de um setor da esquerda, do feminismo burguês é a defesa apática e confusa da liberdade das mulheres, que muitas vezes se resumem à tentar garantir que a mulher possa escolher viver a vida que quiser, ignorando as condições em que se dará esse escolha, assim como as contradições da sociedade.

Para que as mulheres possam estar em um patamar de igualdade é necessário que cesse a escravidão do lar, imposta através das responsabilidades que recaem sobre elas, da criação dos filhos e manutenção da casa. Enquanto não existirem mecanismos que suportem essas tarefas, as mulheres não conseguirão se desvencilhar da vida doméstica que impede que se integrem de forma efetiva na vida social e nas forças políticas.

Uma defesa revolucionária das mulheres, seria lutar pela educação coletiva, por mais auxílio à maternidade, como mais vagas em creches públicas, e também acesso irrestrito ao aborto. Reivindicações concretas para livrar a mulher da escravidão do lar. A longo prazo é necessário aliar as reivindicações à luta da classe trabalhadora em geral, pelo socialismo e contra a burguesia, que mantém as mulheres em uma situação de submissão, facilitando assim uma exploração ainda maior de sua força de trabalho.