Pandemia? Que pandemia?
O jornal golpista dá espaço a clientes de escolas particulares na tentativa de formar uma opinião pública favorável ao retorno das atividades presenciais na rede de ensino.
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Fachada da Escola Municipal Francisco de Paula Brito, localizada na comunidade da Rocinha no RJ. | Foto: Facebook/Reprodução

Uma matéria vinculada pelo jornal golpista O Globo colocou mais lenha na fogueira da indefinição quanto à volta às aulas no Rio de Janeiro. Analisando a situação apenas do ponto de vista jurídico, o veículo de imprensa capitalista ignorou completamente o fato de que a capital fluminense passa por um período de sério avanço dos contágios pelo coronavírus e registra uma subida no número de óbitos.

Na verdade o jornal transforma o dilema sanitário em uma ficção absurda, onde os estudantes de instituições particulares da burguesia e pequena-burguesia carioca, ansiosos para retornar as aulas, comemoram a reabertura de suas escolas e o reencontro com os colegas.

“Na quinta, dia em que as atividades presenciais foram retomadas pela instituição, pulou cedo da cama. À noite, não teve dúvidas ao descrever o retorno: “foi o melhor dia da minha vida”, garantiu. O colégio dele, em Laranjeiras, foi um dos poucos no Rio que reabriram, contrariando uma decisão do Tribunal de Justiça, que impede o funcionamento da rede privada de ensino na capital”, diz um trecho da matéria criminosa que mais parece uma propaganda aberta por uma política de genocídio da população.

Uma das escolas citadas na matéria utilizou-se de uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho, que autorizou a volta às aulas da rede privada, um verdadeiro “bate-cabeça” jurídico que, segundo o jornal golpista, “tem deixado pais, escolas e professores sem saber o que fazer”.

Não é difícil saber o que fazer; afinal, ninguém que tivesse em consideração a sobrevivência da população iria permitir o retorno das aulas para estudantes e professores em meio a uma pandemia que já matou mais de 130 mil pessoas no país.

­“A gente fica preocupada em decepcionar a criança por conta desse vai-e-vem, mas ele disse que queria ir nem que fosse por um dia, para matar a saudade”, diz uma das falas repercutidas atribuídas a uma mãe supostamente entrevistada. O problema se transforma, desse modo, em uma tentativa de não desapontar uma criança que é incapaz de tomar uma decisão sozinha.

Para o desembargador Peterson Barroso Simão, do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), em uma decisão na última segunda-feira (14), determina-se que as redes particulares de ensino seguissem fechadas por ferir o princípio da isonomia, uma vez que a rede pública segue sem atender os alunos devido à pandemia.

Devido ao posicionamento contrário do Tribunal Regional do Trabalho, o governo do Estado afirma que o retorno não valeria para escolas da capital e que isso dependeria de uma “decisão da Corte Superior ou julgamento de mérito pela Terceira Câmara Cível do TJ-RJ”, sem agenda marcada.

Em outra decisão na quinta-feira, do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Claudio de Mello Tavares, prevaleceu a suspensão das atividades letivas presenciais nas escolas privadas do Rio.

A rede particular de ensino com unidades no bairro Botafogo e na Barra da Tijuca ignorou a decisão e retomou as aulas do Ensino Fundamental e do Médio por meio de rodízio desde quinta-feira. A presença dos alunos seria opcional.

Um decreto do governo do estado, mesmo suspenso, que permitia o funcionamento a partir do dia 14 está sendo utilizado como base para a retomada das atividades.

Apenas no final da matéria o jornal coloca um comentário mais crítico à situação de conjunto.

“Minha percepção é que somos o único país do mundo onde o risco do retorno das crianças cabe aos pais e à escola. Estamos às escuras, sem nenhuma política coletiva”, diz outra mãe.

A posição do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região de entrar com uma ação de notificação judicial contra as escolas particulares também aparece no final da matéria, como algo secundário e até mesmo como um estorvo a mais para aumentar o problema.

“Vamos informar ao desembargador sobre escolas que estão descumprindo a determinação que ele deu, e pedir sanções”, teria afirmado o presidente da entidade, Oswaldo Teles.

O fato é que se está criando todo um clima por parte da imprensa burguesa visando formar a opinião pública de que o retorno às aulas agora, sem vacina e sem protocolos suficientemente seguros, seria algo positivo em um cenário lamentável como o que o país atravessa.

O alvo, obviamente, é o retorno das atividades na rede pública que já era totalmente sucateada e que, diante do desafio atual, pode vir a ser o grande causador de uma catástrofe sem precedentes, ceifando a vida de milhares de estudantes e familiares de setores mais pobres da classe trabalhadora.

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