Programa “Médicos para Ninguém”: em hospital público de Andaraí (RJ) pacientes passam por situação desumana

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Após anos de descaso e abandono, o Hospital Federal de Andaraí (HFA), na zona Norte do Rio de Janeiro/RJ, ameaça mais uma vez entrar em colapso.

Os problemas no HFA são antigos. Em 2017, a falta de profissionais de saúde, além de material hospitalar, provocou o fechamento de unidades importantes como a emergência e algumas enfermarias. Agora, o setor coronariano está ameaçado de encerrar as atividades, pois não há um quantitativo de equipe médica adequada para atender os pacientes.
A unidade é uma das referências na assistência da população da Zona Norte, e atende Andaraí e bairros da região, uma das mais populosas da Região Metropolitana do Rio.

“Se realmente ocorrer o fechamento desta unidade, a demanda espontânea de pacientes com problemas cardiológicos não vai ter um suporte adequado. O Grajaú, por exemplo, é um bairro com muitos idosos e precisa desse tipo de assistência médica. Não só o nosso bairro vai ser prejudicado, mas todos os outros que tem o HFA como referência. Por isso, exigimos uma ação responsável. A sociedade precisa de cuidados dignos e o SUS deve abraçar a população que está padecendo com essa crise desumana”, destacou Nicinha Carvalho, presidente da Associação de Moradores do Grajaú (AMGRA).

A situação extrema é fruto do desmonte das políticas públicas, atingidas em cheio com a Emenda Constitucional número 95, de 2016, que estabeleceu o  “congelamento” dos investimentos públicos em áreas como saúde e educação por vinte anos. Esta alteração na Constituição de 1988 abre caminho para a destruição do Sistema Único de Saúde e o colapso da estrutura pública para atendimento da maior parte da população brasileira.

O governo golpista de Jair Bolsonaro, em menos de três meses, aprofundou o caráter mercantilista para a Saúde, sem investimentos públicos, fim de programas estruturais como o Mais Médicos e deliberada prioridade para a privatização de serviços essenciais, que levarão a população a ficar sem assistência à saúde.