Produtora de “Fantasma da Ópera” é denunciada por abusos trabalhistas

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No último mês, artistas do musical “O Fantasma da Opera”, baseado no romance homônimo de Gaston Leroux, efetuaram uma denúncia ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculo e Diversões do Estado de São Paulo (SATED) alegando abusos trabalhistas cometidos pela Time For Fun (T4F), produtora do evento.

Segundo o grupo de artistas do espetáculo, a produtora vem cometendo uma série de abusos como a não aceitação de atestados médicos. Assim, para que não sejam descontados, são obrigados a trabalhar, mesmo quando estão doentes, o que apresenta risco a saúde dos trabalhadores, uma vez que seus quadros clínicos podem ser agravados devido ao tratamento inadequado. Outro exemplo é referente aos atrasos. Quando ocorrem, é descontada uma diária completa de seus salários. Isso sem contar que a Time For Fun vem pagando apenas 50% dos salários, o que é considerado ilegal, uma vez que, segundo a lei n° 6.533, de 1978, que regulamenta a profissão, ensaios devem ser computados como trabalho efetivo.

Após as denúncias, o SATED foi visitar o Teatro Renault, local onde está ocorrendo esta temporada do espetáculo, visando fiscalizar as condições de trabalho apresentadas aos artistas, mas foram barrados, pela produtora, de entrar. Assim, efetuaram boletim de ocorrência e, no momento, aguardam inquérito policial.

A denúncia de abusos trabalhistas foi efetuada ao SATED depois de reuniões entre os trabalhadores participantes do espetáculo juntamente ao grupo Atores Unidos. Este, criado há dois anos, visa defender os direitos da classe artística. A ação contra a T4F foi a primeira do coletivo, mas a ideia é expandir e denunciar outras grandes produções que eles acreditam que aconteçam problemas semelhantes.

É importante ressaltar que, desde a derrubada ilegal da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, através de um impeachment, fato esse que impulsionou o processo golpista no país, a cultura vem sofrendo diversos ataques. Com a posse de Michel Temer, o Ministério da Cultura entrou em processo de extinção e reincorporação ao Ministério da Educação. Desde então as verbas destinadas ao segmento diminuíram drasticamente. A pasta foi totalmente negligenciada, perdendo sua autonomia. A perseguição e a censura aos artistas aumentaram muito, como foi possível perceber na completa censura da exposição Queermuseu, que estava prevista para ocorrer no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre (RS) e foi cancelada em setembro de 2017, depois de protestos oriundos dos fascistas do Movimento Brasil Livre (MBL).

É, neste sentido, fundamental que os artistas, juntamente a toda classe trabalhadora, se organizem em Comitês de Luta Contra o Golpe, para barrar a série de ataques que todos vêm sofrendo. Apenas através da mobilização popular vai ser possível barrar a tentativa da direita de acabar com qualquer vestígio de cultura no país.