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O pioneiro das privatizações em larga escala foi Benito Mussolini, o líder do fascismo italiano, o fascismo original. Segundo a propaganda do imperialismo, o fascismo teria sido derrotado na Segunda Guerra Mundial pela “democracia”. No entanto, o fascismo, que é uma forma da ditadura da burguesia tanto quanto a chamada “democracia”, modificou para sempre todos os regimes da burguesia no mundo, que incorporaram uma série de aspectos fascistas, incluindo as chamadas democracias.

Entre 1923 e 1925, Mussolini implantou um amplo programa de privatizações. A primeira reunião do governo discutiu e decidiu privatizar a companhia telefônica. Depois disso, Mussolini privatizou a indústria de fósforos e acabou com o monopólio estatal da venda desse produto, o monopólio dos seguros de vida também foi suprimido, e a indústria siderúrgica privatizada. Além disso, Mussolini também terceirizou a execução de uma série de obras públicas e suspendeu uma série de impostos.

Assim os capitalistas, que financiaram e organizaram o movimento fascista para esmagar as organizações da classe trabalhadora, atacando sindicatos e partidos, fizeram a festa quando o fascismo chegou ao poder. O entusiasmo pelo fascismo não se restringiu à Itália. No mundo inteiro a burguesia ficou animada com a possibilidade de esmagar os trabalhadores.

Em 1933, na Alemanha, uma reunião secreta juntou os principais capitalistas do país, que decidiram financiar a campanha eleitoral dos nazistas. Seriam as eleições decisivas para os nazistas. A partir dos cargos conquistados naquela ocasião, Hitler aproveitaria o incêndio do Reichstag para dar um golpe com o apoio do regime e da burguesia.

Com o poder nas mãos, Hitler também lançaria seu próprio programa de privatizações, conduzido por Hjalmar Schacht, banqueiro colocado no ministério da Economia entre 1934 e 1937. Schacht privatizaria os grandes bancos alemães que o Estado tinha acabado de comprar, durante a crise de 1929. O investimento dos capitalistas no nazismo estava rendendo.

Desde o início, portanto, as privatizações foram uma política central para o fascismo. Por um lado, o fascismo esmagava a classe trabalhadora durante sua ascensão. Por outro, passava uma série de decisões para o controle direto dos capitalistas, por meio das privatizações. Capitalistas privados passaram a controlar setores inteiros do país, que passaram a ser propriedade privada.

Essa experiência fascista, pioneira, moldou a onda neoliberal que assolou países do mundo inteiro nos últimos anos. Com as privatizações, o imperialismo passou o controle de setores essenciais diretamente para os grandes monopólios. Como, por exemplo, setores de energia elétrica, telefonia, petróleo e outros recursos naturais, estradas, ferrovias, hospitais, universidades, escolas etc. O modelo foi seguido por Augusto Pinochet no Chile, por Ronald Reagan nos EUA e por Margaret Thatcher no Reino Unido.

Esse é o modelo seguido também por Jair Bolsonaro no Brasil, o governo colocado pelos golpistas no poder. Neste momento, a Petrobrás está levando adiante um Plano de Demissão Voluntária, para abrir caminho para a completa liquidação da empresa. Será a entrega do petróleo para os capitalistas, nesse caso estrangeiros. Desse modo, o povo não poderá exercer nenhuma forma de controle democrático sobre um recursos estratégico para o país. O petróleo brasileiro será assunto privado de monopólios estrangeiros.

Assim como está fazendo com a Petrobrás, o governo golpista pretende levar adiante essa política com todas as empresas estatais que restaram, como os bancos públicos e os Correios. É a mesma política de Hitler e Mussolini, esmagar a classe trabalhadora e colocar grandes fatias da economia nacional sob o controle direto do capital privado, sem nenhuma forma de controle democrático. Como foi feito com a Vale, com os resultados conhecidos.

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