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Temer preso
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Da redação – No final da manhã desta quinta-feira (21), o ex-presidente Michel Temer foi preso preventivamente por ordem do juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do rio de Janeiro. Junto com Temer, o ex-ministro Moreira Franco e outras oito pessoas também foram presos preventivamente. A ação que originou o pedido de prisão investiga desvios nas obras da Usina de Angra 3. No decreto de prisão, Bretas acusa Temer de ser “líder de organização criminosa”.

 

O show…

A prisão foi acompanhada do espetáculo habitual da Lava Jato. Jornalistas sabiam antes de Temer que ele seria preso. O golpista ficou confuso com a presença deles em torno de sua casa, até entender o que estava acontecendo. Policiais fortemente armados acompanharam a detenção, como se Michel Temer, de 78 anos de idade, pudesse arriscar uma fuga cinematográfica na iminência de ser preso.

 

…perdeu o brilho

Dessa vez, no entanto, o show preparado pela Lava Jato perdeu muito de seu brilho anterior. Os procuradores da operação em Curitiba foram pegos tentando se apropriar de R$2,5 bilhões pagos pela Petrobrás à justiça dos EUA. Escancarou-se diante do público o caráter da Lava Jato de operação coordenada diretamente pelo imperialismo, agindo em defesa de interesses estrangeiros dentro do Brasil.

As relações da Lava Jato com os EUA eram denunciadas há muito tempo por setores da esquerda e por vozes isoladas, o que era devidamente ignorado pela imprensa burguesa. Mas a tentativa de Deltan Dallagnol de, por fora de qualquer lei, tomar conta de R$2,5 bilhões para sua “fundação”, um verdadeiro partido político disfarçado, confirmou essas denúncias de forma contundente.

De modo que a Lava Jato chegou à prisão de Temer bastante desmoralizada. O circo montado em torno da prisão de Temer disfarça muito mal o que realmente está em jogo por trás de todo o estardalhaço. Os setores que deram o golpe em Dilma Rousseff em 2016 estão agora travando uma guerra entre si.

 

A Lava Jato no governo

A Lava Jato chegou ao governo com bolsonaro, Sérgio Moro tornou-se ministro da Justiça e revelou o caráter fascistoide do setor que persegue o ex-presidente Lula a partir do Judiciário. E agora que está no governo, a Lava Jato entrou em uma disputa de poder com o Congresso e com o STF.

 

O recado para o Congresso

Na madrugada entre terça-feira e quarta (20), véspera da prisão de Temer, Moro mandou mensagens para Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara, cobrando que o deputado colocasse seu projeto de lei “anti-crime” em pauta no Congresso. Maia reagiu, e disse à imprensa o seguinte: “Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. O presidente Bolsonaro é que tem que dialogar comigo. Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República. Ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele, porque ele tá passando daquilo que é a responsabilidade dele”.

O ex-ministro Moreira Franco, preso com Temer cerca de 24 horas depois dessas declarações, é sogro de Rodrigo Maia. A Lava Jato manda seu recado de forma pouco sutil para o Congresso. Querem controlar o Congresso na marra, situação que a lei “anti-crime” de Sérgio Moro institucionalizaria.

 

Lava Jato reage ao STF

Além do Congresso, a Lava Jato está em guerra também com o STF. Uma semana antes da prisão de Temer, no dia 14 de março, o Supremo tomou uma decisão alardeada pela imprensa como a “maior derrota da Lava Jato” até hoje, passando o julgamento de crimes conexos a crimes eleitorais para a Justiça Eleitoral, o que retiraria uma série de processos das garras dos procuradores e juízes envolvidos na operação.

Na ocasião, que polarizou o tribunal (a votação foi por um placar de 6×5 contra a Lava Jato), o ministro do STF Gilmar Mendes atacou duramente a Lava Jato, comentando a pretensão de Dallagnol de criar a “fundação da Lava Jato” nos seguinte termos: “O que é inusitado? Esses ataques feitos por membros do Ministério Público a julgadores. Como se estivessem participando de uma corrida do ouro. E até se descobriu que de fato estavam participando de uma corrida do ouro, com a fundação que se criou em Curitiba. De fato, o combate à corrupção passou a dar lucro.” Gilmar Mendes também afirmou que a Lava Jato usa em sua disputa por poder um método de “gângster”.

Em seu decreto de prisão de Temer, Marcelo Bretas mandou mensagens diretas a Gilmar Mendes. O texto do decreto afirma que as operações que levaram ao pedido de prisão de Temer não têm nenhuma relação com as operações da Lava Jato no Rio que são relatadas por Mendes no STF. Uma tentativa de evitar que o ministro do Supremo possa libertar Temer. A Lava Jato está revidando.

 

Caos do golpe

Essa luta interna da direita expõe a fragilidade de um governo improvisado de última hora. É uma oportunidade para os trabalhadores se mobilizarem e irem pra cima do governo e derrotar a direita. Antes que os direitistas consigam assentar suas disputas e coordenar um ataque conjunto às organizações operárias. Temer e Bolsonaro têm o mesmo programa econômico: atacar as condições de vida de milhões de trabalhadores, liquidar o patrimônio público, acabar com os gastos sociais e entregar tudo para o imperialismo.

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