Prisão de Temer desagradou uma ala da burguesia: bolsa cai, dólar sobe e setor do Congresso pode dificultar aprovação da Previdência

bretas moro

Da redação – O clima criado pela prisão do ex-presidente golpista Temer e do sogro de Rodrigo Maia (presidente da Câmara), Moreira Franco (ministro de Minas e Energia de Temer) levou a uma queda de mais de 2% na Ibovespa e a uma subida do dólar, que supera o patamar de R$ 3,82 nesta tarde.

O clima negativo apontado pelo “mercado” diante da inépcia do Governo golpista, foi agravado pela atuação discricionária de Bretas, substituto do Mussolini de Maringá, Sergio Moro, nessa expansão do projeto de poder da interminável operação Lava Jato.

Esse atrito se dá após a resistência apresentada pelo Congresso contra a apropriação indevida de dinheiro da Petrobrás por parte do Ministério Público e da reunião de Moro com a CIA, NSA e FBI, que reforçou diante de todo os atores políticos seu papel de representante direto dos interesses americanos. Assim como do conflito atribuído à insurgência de Rodrigo Maia contra as ordens de apressar o andamento do projeto anticrime “copiado e colado” pelo “funcionário de Bolsonaro” (Moro).

Outro indício do desagrado de uma parcela da burguesia com a prisão de Temer é que, como a imprensa capitalista já está especulando, setores do Congresso Nacional se mostram indispostos a aprovar a Reforma da Previdência de Bolsonaro, percebendo que essa prisão é um ataque a um de seus representantes. Basta lembrar que Temer é do MDB, partido tradicionalmente dominante no Congresso e líder do chamado “centrão”.

A reação do capital financeiro frente a atuação atabalhoada dos representantes do império se acumula com a já patente inépcia política de Bolsonaro, uma soma de contratempos incontornáveis para a aprovação da reforma da previdência.

Temer foi descartado após cumprir seu papel, entretanto, suas ligações políticas, sua representação de parte da burguesia interna que se vê agora ameaçada novamente, criam uma instabilidade relacionada à insegurança jurídica e seus desdobramentos num ambiente econômico que além de pouco propício, agora também, enquanto são aguardados os desdobramentos dos próximos capítulos dessa novela, imprevisível e volátil.

Resta claro que esses atritos entre as várias alas golpistas mostra a todos os condôminos do golpe, a falta de lealdade entre a direita, acentuam a divisão e a crise do regime, criando um ambiente de traição e sabotagem, em que os diferentes setores da burguesia duelam para garantir seus próprios interesses e dominar a situação.