Principais sucessos da saúde pública cubana em 2018

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Nuria Barbosa León, Granma – O retorno dos médicos cubanos do Brasil para encerrar a participação de Cuba no Programa Mais Médicos, após as declarações do presidente eleito desse país, Jair Bolsonaro, contra os profissionais de saúde cubanos, é uma das principais realizações dos trabalhadores desse setor no ano de 2018.

Antes de saírem, e durante cinco anos de trabalho nesse país gigantesco sul-americano, cerca de 20 mil colaboradores da Ilha caribenha assistiram 113.359 milhões de pacientes, em mais de 3.600 municípios, destacando a atitude altruísta dos cubanos em outras terras do mundo.

Esses resultados refletem os 55 anos de trabalho (concluídos neste ano de 2018) na arena internacional, do pessoal das missões médicas em países da África, Ásia, Oriente Médio e América Latina, beneficiando as populações dos lugares afastados das megacidades e em assentamentos intricados e inóspitos.

Mencionar as façanhas dos cubanos no Haiti, Paquistão, África, América Latina, e em outros muitos territórios devastados por epidemias, furacões, terremotos principais e desastres naturais, leva-nos a pensar em um propósito encaminhado a beneficiar os mais pobres do mundo, mudar as baixas taxas nas estatísticas de saúde e tornar os serviços médicos sustentáveis.

Vale ressaltar a formação de recursos humanos nas especialidades de medicina, enfermagem e tecnologias em saúde; e de ter formado no ano letivo de 2017-2018, 75 estudantes estrangeiros de 29 países, uma prova dessa solidariedade, que em mais de 50 anos de formação de recursos humanos no setor da saúde, já formou mais de 34 mil jovens de 135 nações.

Hoje, Cuba se prepara para celebrar o 20º aniversário da fundação da Escola Latino-americana de Medicina, em novembro de 2019, uma das grandes iniciativas desenvolvidas pelo líder da Revolução, Fidel Castro Ruz.

O doutor Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), ao participar da 3ª Convenção Internacional de Saúde, realizada em abril, reconheceu que Cuba é um modelo a ser imitado pelo sistema gratuito e inclusivo e é o lugar perfeito para aprender como obter cobertura universal, mesmo com poucos recursos.

A doutora Carissa F. Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que participou do mesmo evento, concordou com ele e pôs em destaque a vontade política e o compromisso consistente e sistemático do Estado cubano de assegurar o desenvolvimento do setor sanitário, em benefício da população.

Em uma palestra, destacou que os valores estruturados no sistema de saúde de Cuba estão estritamente relacionados aos promovidos pela OPAS, que apontam para a solidariedade, a igualdade e o direito da população a receber assistência médica, algo promovido em setembro de 1978, na Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde de Alma-Atá, Cazaquistão.

Os sucessos de 2018 da Ilha maior das Antilhas podem ser vistos em uma expectativa de vida ao nascer superior a 78 anos; uma taxa de mortalidade infantil que se espera que seja a mais baixa da história; o desaparecimento de 11 doenças imunológicas preveníveis e a certificação (em 2015) da eliminação da transmissão materno-infantil da síndrome da imunodeficiência adquirida (HIV / AIDS) e da sífilis congênita.

Por seu lado, o doutor Roberto Morales Ojeda, membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, e que se desempenhasse como ministro da Saúde, até meados do ano, advertiu sobre a responsabilidade dos sistemas de saúde em cada país na cura de doenças, em alertar e exigir a necessidade de proteger a espécie humana e de ajudar as pessoas a viver com saúde e dignidade.

RESULTADOS ACOMPANHADOS POR MEDICAMENTOS

Esses resultados são acompanhados pela produção de medicamentos puramente nacionais, como a vacina CimaVax, usada no tratamento de pacientes com câncer de pulmão e como medida preventiva para pessoas com alto risco de sofrer da doença. Da mesma forma, concluem investigações com outras duas drogas promissoras contra o câncer, obtidas pelos cientistas da ilha caribenha: o Racotumomab e o VSSP.

O primeiro age sobre uma molécula encontrada em todas as células cancerígenas, o que significa que a droga pode um dia ser eficaz contra a leucemia e os tumores que acompanham o câncer de pulmão, mama, próstata e cólon. Entretanto, o VSSP, originalmente concebido como um composto para ativar a resposta imune às vacinas, também parece estimular a resposta imune contra carcinomas.

O Nimotuzumabe também pode ser mencionado, para tratar vários tumores, de cabeça e pescoço, incluindo aqueles que se formam nas superfícies das mucosas da boca, garganta e nariz, cérebro e nasofarige. Esta droga pode ligar-se a receptores do fator de crescimento epidérmico sobre a superfície da célula cancerosa, impedindo-a, assim, de se dividir e espalhar o câncer.

Além disso, para os carcinomas de células basais da pele de qualquer subtipo, tamanho e localização (principalmente sobre a face), o Heberferon vem sendo testado para a desagregação e de cura de lesões com resposta terapêutica rápida e prolongada. Isso evita cirurgias complexas, excelente estética e melhor qualidade de vida.

Para a redução do colesterol, o Policosanol, conhecido como PPG e feito a partir da cera da cana de açúcar, um comprimido eficaz que pode ser usado em outras aplicações, como ficaram demonstrados seus efeitos antiplaquetários, antisquêmicos e antitrombóticos; e como possui princípios ativos naturais tem poucas contraindicações.

Da mesma forma, desde 2006 Cuba tem uma droga para úlceras do pé diabético chamada Heberprot-P, o que evita a necessidade de amputar. Seus inventores, cientistas do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia, em Havana, descrevem esse tratamento como «um fator de crescimento epidérmico» que é injetado perto da área afetada e pode acelerar o processo de cicatrização da pele, fechando a ferida em cerca de três meses. Desde 2013, o Heberprot-P já havia sido registrado em outros 15 países e 100 mil pacientes o tinham usado.

Tudo isso é combinado com um sistema de manutenção, reparos e investimentos nas instituições de saúde do país, realizado nos últimos cinco anos, o que se traduz na abertura de salas; introdução de equipamentos e tecnologias; conforto para pacientes, familiares e trabalhadores; mudança no mobiliário clínico e não clínico; melhor estética em áreas internas e externas; o que se traduz em maior qualidade dos serviços.

Esse processo continuará no próximo ano, pois busca continuar elevando os indicadores de saúde da população, aumentar a qualidade e a satisfação com os serviços e tornar o sistema de saúde eficiente e sustentável, garantindo o desenvolvimento social do país, mesmo diante das condições difíceis impostas pelo desumano bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos ao nosso país.

NO CONTEXTO

—Mais de 1,7 bilhão (1.775.887.170) de consultas são o resultado do trabalho incansável dos médicos cubanos que oferecem atendimento a doentes no mundo todo, como parte das missões internacionalistas

—Graças ao Programa Mais Médicos pela primeira vez na história do Brasil, garantiu-se a presença de pessoal médico em 700 municípios, e em cerca de 1.100 deles assegurou-se 100% da cobertura de saúde.

RESULTADOS DO TRABALHO EM 55 ANOS DE COOPERAÇÃO MÉDICA INTERNACIONAL

-Consultas: 1.775.887.170
-Intervenções cirúrgicas: 12.911.079
-Partos realizados: 3.402.626
-Vidas salvas: 6.428.165
-Vacinas aplicadas: 14.121.697
-Operação Milagre: 3.022.758

PARA UMA POPULAÇÃO DE 11.2 MILHÕES DE HABITANTES CUBA CONTA COM

– 450 policlínicas
– Mais de 10.800 consultórios do médico e a enfermeira da família
– 111 clínicas odontológicas
– 150 hospitais
– 12 Institutos de pesquisas
– 2.500 farmácias
– 131 lares maternos
– 287 casas do avô
– 150 lares de idosos
– 13 Universidades das Ciências Médicas
– 25 faculdades das ciências médicas, entre outras instituições

OUTROS INDICADORES

– Total de trabalhadores da saúde no país: 482.308
– Médicos por habitantes: 92.084, um para 122 habitantes
– Odontólogos por habitantes: 16.675, um para 602 habitantes
– Pessoal de enfermagem por habitantes: 85,870, um para 123 habitantes
– Tecnólogos da saúde por habitantes: 59 846, um para 188 habitantes

Fonte: Anuário Estatístico da Saúde 2017 e dados oferecidos pelo Ministério da Saúde.