Dois atos opostos
“Se nos faltarem os abutres, não deixa o sol de fulgurar”, canta A Internacional. As centrais convidaram os representantes dos patrões para um ato que deveria ser contra os patrões
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PCO foi a única organização da esquerda brasileira que realizou um ato presencial. Foto: DCO |

Por Eduardo Vasco

O 1º de Maio de 2020 ficará para a história como o 1º de Maio da vergonha, no qual, em nome da suposta “unidade”, as centrais sindicais pelegas conseguiram impor sua política (com a conivência da direção da CUT) e organizaram um verdadeiro filme de terror, no qual algumas das mais sombrias figuras da política nacional saíram da tumba para lembrar os trabalhadores de como foram alguns de seus piores pesadelos.

Esse é o caso, particularmente, do convite a ninguém menos do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que participou do “ato” – uma vídeo-conferência, na verdade – junto com outros bandidos políticos, como o pelego Paulinho da Força e o abutre vigarista Ciro Gomes. Chamar FHC para um evento de 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, é o mesmo que chamar um senhor de escravos para um encontro de abolicionistas. Um escárnio total, que desvirtuou completamente o dia mais importante de todo o calendário anual para a classe operária. Certamente, os trabalhadores que viveram os anos de sofrimento e miséria nos quais FHC afogou o País devem ter se sentido traídos com tamanho insulto.

Chegou-se a cogitar também a presença de João Doria, Wilson Witzel, David Alcolumbre e Rodrigo Maia. Este último estava até confirmado, mas teve “consciência de classe” (afinal, é um burguês) e se recusou a participar de um ato de seus inimigos de classe, os trabalhadores. Um 1º de Maio como esse, com os piores inimigos do povo, somente tem consequências negativas para as organizações que dizem defender os interesses do povo. Como a CUT vai explicar que representa os trabalhadores se, justamente no dia dos trabalhadores, se reuniu com os representantes dos patrões? Para o trabalhador mais atrasado, pode parecer que a CUT está contra os trabalhadores, porque se reuniu com seus inimigos, enquanto Bolsonaro estaria a favor dos trabalhadores, uma vez que esse “ato” foi chamado em repúdio a ele, e Bolsonaro seria inimigo de FHC, Maia, etc.

A extrema-direita fascista, como Bolsonaro, demagógica como é, ataca em seus discursos o PSDB e a Rede Globo, enquanto a esquerda pequeno-burguesa procura a todo o momento aliar-se a eles em uma suposta unidade para combater Bolsonaro. Pressionada pela ala direita das organizações de esquerda, como a CTB, central do PCdoB, e pela própria direita dita “civilizada” (o Centrão), a esquerda acaba adotando uma política de frente ampla que serve apenas para salvar a própria direita, reciclá-la, fortalecê-la, enfraquecendo a própria esquerda – perdendo credibilidade junto ao povo – e fortalecendo o próprio Bolsonaro, que se apresenta como inimigo dos inimigos do povo – a direita tradicional.

Certamente a presença de figuras grotescas como FHC não teria sido possível se o ato de 1º de Maio fosse um verdadeiro ato público e de massas. As bases operárias se revoltariam e, com medo do que poderia acontecer, esses políticos da direita sequer apareceriam – como já ocorreu em outras oportunidades, como no próprio Carnaval. O modo como o ato foi realizado, por vídeo-conferência pela Internet, facilitou bastante esse trabalho de sabotagem ao Dia Internacional da Classe Trabalhadora.

Mostrando, por sua vez, que um ato público, presencial, com todas as condições de segurança e sanitárias garantidas, é possível, em diversos países, as organizações de luta dos explorados realizaram atos de rua no 1º de Maio. Foram os casos de Portugal, da Grécia ou da Turquia, por exemplo.

Comprovando, mais uma vez, ser a vanguarda da classe operária, no Brasil foi o PCO que protagonizou um verdadeiro ato de 1º de Maio. Cerca de 200 militantes revolucionários vieram de todo o País para São Paulo, percorrendo dias nos mais desgastantes trajetos, demonstrando sua disposição de luta, com o único objetivo de celebrar esse dia a que damos tanta importância – afinal, como tudo o que é conquistado pelos oprimidos, o 1º de Maio só foi alcançado graças a muita luta e sangue derramado pelos nossos antepassados.

Sem burgueses, sem golpistas, sem direita, sem pelegos. O ato de 1º de Maio do PCO foi, seguindo a tradição operária, um ato exclusivamente dos oprimidos. Um ato classista, socialista e internacionalista. Não deixamos de lembrar e nos solidarizar com nossos irmãos venezuelanos, vítimas do cruel bloqueio imperialista, bem como recebemos mensagens de nossos companheiros que vivem na Europa. Contamos, também, com a presença de companheiros estrangeiros e que vieram de outros países. Afinal, a classe operária é uma só, não tem pátria. O encerramento do ato, com todos cantando A Internacional, também seguindo a tradição do mais profundo sentimento internacionalista, ilustra bem o caráter do ato do PCO.

Senhores, patrões, chefes supremos

Nada esperamos de nenhum!

Sejamos nós que conquistemos

A terra mãe livre e comum!

Para não ter protestos vãos

Para sair deste antro estreito

Façamos nós por nossas mãos

Tudo que a nós nos diz respeito!

Esse foi mais um marco da delimitação clara entre os revolucionários e os conciliadores, entre aqueles que não vacilam diante dos desafios e aqueles que permanecem confusos com uma política centrista e frágil que invariavelmente tombam perante as pressões da burguesia.

Se, por um lado, o 1º de Maio de 2020 ficará para a história como um dia de vergonha para a maior parte da esquerda nacional, por outro será lembrado como o dia em que um pequeno (mas aguerrido) partido tomou mais uma vez a dianteira e chamou para si a responsabilidade de organizar a classe operária para a luta, para a derrubada de Bolsonaro e de todo o regime golpista, para a expropriação da burguesia e para a revolução socialista.

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