Crise e falhas “técnicas”
O episódio mostra a crise da burguesia imperialista que, apesar todo o seu controle e repressão, vê crescer no seio do regime uma candidatura de esquerda autointitulada socialista
Pete Buttigieg e Bernie Sanders
Houston, Texas, 12/09/2019. Foto: AP/David J. Phillip |

Na última quinta (6), foi divulgado o resultado da primeira votação das eleições primárias do Partido Democrata dos Estados Unidos da América (EUA). O senador de Vermont, Bernie Sanders, e o ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg saíram tecnicamente empatados, com o último conseguindo um delegado a mais e vencendo as primárias em meio a falha técnica na contagem, atraso de 3 dias na apuração e o pedido do presidente nacional do Partido, Tom Perez, de recontagem dos votos.

Se o episódio sinaliza, por um lado, os problemas que serão enfrentados pela esquerda, representada na candidatura de Sanders. Por outro, a crise da burguesia imperialista dos EUA, que apesar todo o seu controle e repressão, vê crescer uma candidatura de esquerda autointitulada socialista. Daí a ascensão meteórica de Buttigieg, citado pela imprensa capitalista como “azarão” poder indicar que a burguesia esteja abandonando seu candidato apresentado como favorito, o ex-vice-presidente Joe Biden, que ficou em quarto na disputa.

Talvez o imperialismo tenha atualizado seu cálculo e chegado a conclusão que Biden terá menos condições de derrotar Sanders do que Buttigieg. Este último, segundo tem mostrado a imprensa burguesa, disputa a ala moderada do partido com Biden, sendo apresentado como jovem promissor, homossexual assumido, para criar identificação com um público jovem e progressista, conhecido por apoiar Sanders. Outro detalhe é que as primárias foram vencidas por 2 votos!

Este conflito evidencia o tamanho da crise dentro do seio do capitalismo mundial (os EUA) e reflete o tamanho da polarização presente na situação política. Sanders é tido por setores expressivos da população como o maior opositor de Trump, o que faz com que a burguesia estadunidense atue para que um candidato mais moderado vença as primárias dos democratas e enfrente Trump na disputa pela presidência.

Outro ponto é que as falhas ditas “técnicas”, quando ocorridas em outros países, como na Bolívia, foram tratadas como fraude eleitoral e serviram de desculpa para os EUA apoiarem o golpe militar de Estado dado contra Evo Morales, que vencerá as eleições. No centro do imperialismo mundial, manobras tipicamente políticas, para boicotar a candidatura mais incômoda aos interesses dos capitalistas, são apenas “erros técnicos”.

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