PRF calunia indígenas
PRF arma cena para prejudicar comunidade em Nova Laranjeiras/PR
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PRF (1)
Colisão entre uma van e um caminhão gera uma vítima e mais uma série de conflitos | Reprodução

No último dia 20 (sexta-feira), agentes da Polícia Rodoviária Federal adentram pela rodovia estadual (PR) nas Terras Indígenas da Comunidade Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, região central do Paraná, como forma de intimidar a comunidade indígena. Cerca de 13 viaturas e dois helicópteros foram utilizados para tal, fazendo uma ofensiva particular aliado ao abuso de poder.

No dia 11 de novembro, um caminhão baú carregado com pneus colidiu com uma van, causando uma vítima fatal. Esse fato passou por algumas versões no qual resulta em acusações contra o povo indígena, desencadeando uma série de ataques racistas por parte da imprensa.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou um vídeo no qual aparece quatro indígenas indo ao local do acidente arrombando e saqueando o caminhão. A cena mostra os indígenas tentando abrir sua porta no qual o corpo de um homem morto aparece ao lado do mesmo, na grama, caído no chão. Na filmagem, é possível ver os indígenas pisoteando o cadáver.

No entanto, registros fotográficos do local mostram que o homem que no vídeo estava no chão na verdade já se encontrava morto dentro do veículo, mostrando que o corpo foi movido para um fim de acusação.

A filmagem foi feita por algumas pessoas que passavam pelo local. Nele pode ser ouvido frases que enfatizam que há uma pessoa morta no chão. Já em outro vídeo, um policial rodoviário aparece machucado e o corpo do homem sendo pisoteado pelos indígenas acusados. “Olha aí, invadiram o caminhão e a polícia tudo aqui e não pode fazer nada. Que que é isso, meu deus! Vai até quando um negócio desses? O cara morto. Tão pisoteando, ó, em cima do cara morto”, narra o homem que gravava as cenas. Logo após, vê-se os policiais indo de encontro ao corpo movendo-o até a divisa entre a rodovia e as Terras Indígenas.

Em uma outra imagem, mais distante, aparece um corpo caído ao lado da van e a da porta do caminhão fechada, e não arrombada, como apareceu no vídeo, constatando uma fraude e distorção dos fatos para o fim de acusar.

Um dos indígenas da comunidade, Neoli Kafy Rygue Olibio, pronunciou-se dizendo que ocorreram ali três situações que fomentam o conflito que há por trás das acusações: “O acidente, com consequência de saques, com todas aquelas imagens que saíram mundo afora; o outro foi o conflito que houve na aldeia, da comunidade e da PRF; e também o manifesto da categoria dos professores”.

Neoli conta que o motorista da van morreu no momento do acidente, tendo seu corpo removido para o canteiro pelos policiais, que desta forma mudaram a cena do acidente com a intenção de incriminar a comunidade. Ele chama atenção para a crueldade dos policiais, que encontraram o corpo e, ao invés de chamar uma ambulância, preferiram afastar o corpo para um canteiro, sem nem mesmo passar por uma perícia.

Neoli conta também que a concessionária do veículo havia chegado no local, mas também nada fizera: “Acredito que quem cometeu o crime maior foi quem deixou o corpo ali, praticamente jogou o corpo no acostamento para ser pisoteado. Esse é o nosso descontentamento. A polícia poderia ter agido diferente: Pra que colocar o corpo ali pra justificar um ato criminoso? É crime saquear a carga? Tanto é que eles foram presos! Mas o que está pegando muito mal pra nós é os índios pisoteando o corpo. Mas não foram os índios que levaram ali. Os índios não foram buscar na van e trouxeram embaixo pra pisotear. Então é uma intenção de má fé muito clara. E é isso que vamos batalhar pra mostrar: Que o rapaz que faleceu não estava ali. Alguém jogou no acostamento”, disse Neoli.

O mais curioso, é que essa acusação veio no mesmo período em que a comunidade havia se organizado para um ato contra o Processo Seletivo Simplificado (PSS) do estado do Paraná. Para Neoli, o caso serviu de cortina de fumaça por parte dos policiais, para justificar o tratamento dispensado aos indígenas da comunidade da TI, pois o estranhamento por parte dos mesmos à comunidade já era frequente.

A comunidade das Terras Indígenas do Rio das Cobras registrou um dossiê que denuncia a ação da PRF e da imprensa contra a comunidade, alegando racismo e arbitrariedade.

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) se pronunciou em defesa das autoridades policiais, negligenciando totalmente seu dever de ouvir à comunidade que representa chamando-os de “descentralizados”. Em contrapartida, o Observatório da Temática Indígena na América Latina (Obial) repudiou tal atitude por parte da Funai, alegando que o seu presidente desconhece totalmente a literatura antropológica e etno-histórica dos povos originários do local.

“É importante esclarecer que não foram os Kaingang os responsáveis pelo acidente e pela morte, mas a concessionária do pedágio e o governo federal que não deram condições de segurança aos usuários da rodovia. Porém, percebe-se que é mais fácil culpar os Kaingang que assumir a responsabilidade. O OBIAL conclama as autoridades responsáveis para que busquem soluções para o caso, inclusive removendo a rodovia do local se for o caso, mas que a comunidade indígena seja ouvida e, se for para manter a rodovia no local, que seja duplicada, que os Kaingang sejam mitigados permanentemente pelo uso de suas terras e impactos ambientais e que obras complementares de segurança para os indígenas sejam construídas, para que a comunidade indígena tenha mais segurança”, frisou. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi-Sul) também reforçou a defesa à comunidade.

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