Previdência dos militares, como toda a política da direita, só afeta os baixos escalões e favorece oficiais

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Diante da atual crise em que se encontra o governo ilegítimo de Jair Bolsonaro, a extrema direita que sustenta o governo se apoia na possibilidade de aprovar a chamada “reforma” da Previdência como tábua de salvação dos golpistas. A famigerada reforma tem como objetivo liquidar a previdência pública e entregar para os banqueiros o dinheiro das aposentadorias, obrigando os trabalhadores a permanecerem no emprego um número maior de anos (até a morte ou bem próximo disso) e recebendo cada vez menos.

Um dos pontos que gerou polêmica a respeito dessa “reforma” é a questão dos militares (parte importante da base de apoio do governo ilegítimo), pois em vários momentos havia sido anunciado que este setor ficaria de fora da reforma e não seria afetado pelas mudanças. No entanto, devido ao fato de que essa posição de “blindagem” dos militares adota pelo governo gerou inúmeros protestos, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, anunciou em resposta que seriam feitas alterações no regime de aposentadoria dos militares. De acordo com Paulo Guedes a reforma da previdência dos militares seria responsável por uma economia de aproximadamente R$ 96 bilhões e afetaria todo o conjunto das Forças Armadas.

No entanto, como é de característica comum da extrema direita, este anuncio não era mais do que pura demagogia feita para agradar setores insatisfeitos com o governo. Isso fica claro no texto que foi divulgado pelo governo no qual estão previstas as alterações no regime de previdência das Forças Armadas, que se mostra infinitamente mais brando do que o texto preparado pelo governo para ser aplicado sobre o conjunto dos trabalhadores. A reforma da previdência dos militares, de acordo com o que foi divulgado, pouparia apenas R$ 10,4 bilhões, em 10 anos (cerca de R$ 85 bilhões a menos do que havia sido anunciado) e atacaria apenas os setores mais baixos das Forças Armadas, favorecendo os oficiais.

A reforma proposta pelo governo prevê inclusive que os altos oficiais das Forças Armadas recebam benefícios maiores, como no caso da chamada “bolsa-pijama”, auxilio destinado a militares que entram na reserva, que dobrou de valor, passando de quatro soldos para oito.

Generais e integrantes das altas esferas das FFAA teriam aumentos de cerca de 31%, passando a receber salários muito próximos aos do presidente da República.

Também está incluso no texto da “reforma” um acréscimo de 71% no salário dos oficiais que concluírem os chamados Altos Estudos, esse auxilio era de apenas 30% e agora será mais do que o dobro. Todos estes benefícios serão destinados apenas para os altos escalões das Forças Armadas, ao passo que os escalões mais baixos não receberão nenhum benefício e até mesmo sofrerão com cortes e redução do quadro de militares e das folhas de pagamento.

Esse é mais um exemplo da forma de atuação do governo da extrema direita que, apoiada em uma montanha de demagogia política, ataca sempre os setores mais baixos e favorece aqueles que já detém poder econômico e político. A reforma da previdência proposta pelos golpistas é uma farsa, é um crime contra o povo brasileiro e deve ser combatida nas ruas pelas organizações do trabalhadores.