Coronavírus
Em entrevista neste sábado (19), o presidente ilegítimo afirmou lança mais um absurdo para justificar a omissão a política genocida de seu governo e do regime de conjunto
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Bolsonaro durante entrevista em que disse mais um absurdo para justificar a omissão do governo | Reprodução Youtube

“A pandemia está chegando ao fim e não é preciso ter pressa com a vacina”. Não, não é uma opinião deste Diário, mas sim a mais nova pérola proferida pelo presidente ilegítimo e fascista Jair Bolsonaro em entrevista neste sábado (19).

Pretexto para não fazer nada, a declaração de Bolsonaro se soma as demais. “É apenas uma gripezinha”… “tenho histórico de atleta”… “e daí? Não sou coveiro”… e agora “a pandemia está acabando e a pressa com a vacina não se justifica”.

Em todas estas oportunidades, por mais absurdo que seja o que Bolsonaro tenha dito (e foram muitos absurdos), por mais estúpido e ignorante que ele seja, suas falas cumpriam o objetivo de minimizar a gravidade do coronavírus e manter o funcionamento normal da economia, para evitar ao máximo os prejuízos aos capitalistas, “morra quem morrer”.

Por outro lado, também é uma forma de justificar a omissão completa do seu governo diante da crise que levou o País, apenas em dados oficiais, a quase 200 mil mortos (186 mil neste momento). Afinal, se é apenas uma gripezinha, nenhum esforço ou medida excepcional são necessários.

Não seria necessário investir em saúde, abrindo concursos para contratar todos os profissionais necessários para atender a população. Bem como organizar uma economia de guerra para a produção e distribuição de todos os equipamentos e itens de proteção, como respiradores, máscaras, luvas, álcool. Como também não seria necessário liberar todos os recursos disponíveis (e não disponíveis) para a construção de hospitais e de unidades de saúde que permitissem efetivamente assistir à população e evitar centenas de milhares de mortos.

Também não seria necessário ter uma política para o desemprego, distribuindo cestas básicas, criando frentes de trabalho e obras públicas para absorver os trabalhadores que já estavam enfrentando um desemprego em massa, agravado pela “gripezinha”, que levou o País a ter, pela primeira vez na história, mais desempregados do que empregados.

Bolsonaro não fez nada disso, logo, seu discurso, apesar de bizarro, debochado (com as famílias das pessoas que morreram) e cínico, tinha a função de encobrir sua omissão. A pandemia só foi grave quando o governo Bolsonaro precisava justificar ações como o repasse de mais de 1 trilhão ao bancos. Quando se tratava de tirar dinheiro do Estado para destinar a população, aí era a pandemia precisava ser só uma gripezinha. Prova disso é que o governo nunca quis conceder o auxílio emergencial. Quando o governo passou a discuti-lo, a proposta inicial era dar 200,00! No entanto, não se tratava de um problema menor. Com um desemprego assustador, uma miséria crescente e o início de saques de caminhões de comida, a burguesia tratou de fazer o governo Bolsonaro a aprovar o auxílio emergencial de 600,00.

Esta, precisamente, foi a única medida efetiva adotada pelo governo golpista de Bolsonaro, num acordo que foi do DEM, PSDB e MDB a bancos como o Itaú. Uma clara manobra para evitar a iminente convulsão social, que levaria o Brasil a uma situação pior do que a que ocorreu na Itália, onde a população, diante da miséria, passou a saquear mercados.

Certamente Bolsonaro foi quem mais apareceu como defensor de que nada fosse feito diante da pandemia. Posição que era a soma do seu estilo estridente e histérico, típico da extrema direita fascista, com o objetivo de proteger parte da sua base social, a classe média empreendedora (comércios, academias, lojas de varejo, etc) e alguns capitalistas (Havan, Centauro, Madero, etc). No entanto, Bolsonaro não é o único criminoso diante da situação.

Apesar da burguesia ter aproveitado da crise para enfraquecer Bolsonaro e impulsionar figuras como o governador João Doria (PSDB) e na época o governador Wilson Witzel (PSC), à medida que a crise se desenvolveu, os governadores “científicos”, como foram chamados pela imprensa burguesa, adotaram as mesmas medidas que Bolsonaro!

Não por acaso, segundo os dados oficiais deste sábado, o estado de São Paulo e a capital do Rio de Janeiro são respectivamente, estado e cidade em que mais morreram pessoas por coronavírus. Tanto Doria, quanto Witzel, decretaram “lockdown” e utilizaram da pandemia para aumentar ainda mais a repressão contra a população.

No curso deste processo, Witzel foi liquidado enquanto governador científico e mesmo como governador. Já Doria, alçado pela burguesia como grande opositor de Bolsonaro e estando à frente do governo do estado de São Paulo, principal máquina estatal do País (apenas atrás do governo federal) disputou com Bolsonaro quem assassinava mais brasileiros. A diferença é que, enquanto Bolsonaro falava de forma mais clara os interesses da burguesia, em deixar que a população morresse para manter dando lucro aos capitalistas, Doria – o João “trabalhador”, que jogou água em mendigo, derrubou casas com pessoas dentro e deu ração para as crianças – foi bastante hábil em se disfarçar e se colocar como defensor da ciência, de medidas de segurança e mais recentemente, da vacina.

Contudo, apesar de toda a tentativa de manipulação. Ambos aplicam, cada um com seu disfarce, políticas para os interesses da burguesia. Enquanto Bolsonaro fala em reabertura, correspondendo a um determinado interesse dos capitalistas, Doria faz demagogia com o isolamento social e continuar empilhando dezenas de milhões de trabalhadores no metrô, o maior vetor de coronavírus de todo o País!

Ambas as posições são uma farsa, para procurar atrair determinado setor da população, neste momento, Bolsonaro faz demagogia de que defende o interesse e as preocupações das pessoas que têm receio de tomar a vacina. Também está procurando se opor a Doria, que faz o contrário. Quando ele diz que a “pressa sobre a vacina” é injustificada, está procurando causar identidade com estas pessoas, pois, finalmente, ninguém sabe quais podem ser os efeitos colaterais.

A premissa é real, ninguém sabe nada sobre o coronavírus, nem sobre a vacina. Mas Bolsonaro não está preocupado com a população, dado que é um dos principais responsáveis pelo desconhecimento da população sobre a pandemia. Da mesma forma, ele não defende que os trabalhadores tenham o controle da campanha de vacinação.

Isto fica claro ao comparar sua posição com o programa do PCO, que lançou uma campanha com um programa de 32 pontos para combater o coronavírus e a crise capitalista e recentemente um plano de vacinação sob o controle dos trabalhadores.

O governador fascista de São Paulo, por outro lado, faz demagogia com a questão da imunização, como sendo o grande responsável pela vinda da vacina ao Brasil e a salvação da população. Apesar de ter tomado as mesmas medidas que Bolsonaro no que há de fundamental, como repassado muito dinheiro aos capitalistas, Doria trata como se a vacina fosse uma panaceia e resolvesse toda a omissão que teve até aqui. Ele representa interesses diretamente dos bancos e da indústria farmacêutica e tratou de montar seu próprio negócio.

No entanto, a vacina sozinha não resolve nada. O que conteve a pandemia na China não foi a vacinação embora o País já tenha vacinado 1 milhão de pessoas! O que conteve a crise do coronavírus no gigante asiático foi a testagem em massa e medidas como investir pesadamente em saúde. No fim das contas, a fala de Bolsonaro e a postura de Doria da vacina como panaceia, são ambas uma justificativa para não fazer nada.

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