Preso político do imperialismo: liberdade para Julian Assange!

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Após uma década de perseguição política, ativista foi preso em uma conspiração do imperialismo e seus fantoches

O anúncio da prisão de Julian Assange na embaixada equatoriana em Londres, na quinta-feira (11), causou grande repercussão por ser um caso de perseguição escancarada de um jornalista por governos imperialistas e seus fantoches, denunciada por inúmeros ativistas ao redor do mundo. Essa prisão já vinha sendo desenhada como resultado do avanço imperialista na América Latina, e é uma consequência direta do golpe no Equador.

Eleito com os votos de Rafael Correa para ser seu sucessor e continuar a política nacionalista de esquerda, Lenín Moreno, ao assumir o cargo, porém, tomou o rumo oposto, afastando-se de Correa, tomando de assalto o partido Alianza País e traindo povo que o elegeu.

Aplicando um programa totalmente diferente do qual se propôs a seguir, Moreno mostrou-se um neoliberal, alinhado e subserviente à política dos EUA. Seu governo tem abusado da perseguição política através da justiça, condenando o ex-vice de Correa, Jorge Glas, por suposto envolvimento em escândalos de corrupção relacionados à empresa Odebrecht, e acusando Rafael Correa de roubos em fundos públicos, obrigando-o a fugir do país para evitar a prisão.

Como parte da política entreguista típica dos governos comandados pelos americanos, Lenín Moreno retirou a oferta de asilo diplomático oferecido a Assange desde 2012, bem como sua cidadania equatoriana, para entregá-lo em uma bandeja de prata ao imperialismo. A desculpa propagada pelo governo equatoriano é a de que ele teria violado convenções internacionais e protocolos de convivência para permanência na embaixada. Uma denúncia espúria e genérica para encobrir a verdadeira perseguição a um jornalista que expôs o real funcionamento principalmente dos governos imperialistas.

As ofertas de asilo e de cidadania equatorianos, oferecidas em 2012, fizeram-se necessárias após o membro do sítio Wikileaks ser acusado de estupro na Suécia, denúncia arranjada para resultar em uma extradição. Confinado na embaixada equatoriana em Londres por sete anos, sem a possibilidade de sequer sair do prédio, Assange foi mantido nessas condições graças à pressão imperialista para prendê-lo, como forma de retaliação pelos vazamentos de documentos confidenciais de governos e empresas.

Fundador do Wikileaks, o australiano Julian Assange, juntamente com a equipe do sítio, especializaram-se em divulgar documentos vazados que demonstravam claramente o modus operandi dos governos imperialistas no mundo, como em 2010 quando o portal ganhou fama por divulgar um vídeo de helicópteros Apaches norte-americanos matando 12 civis, inclusive jornalistas da Reuters, em Bagdá. Publicou milhares de documentos do exército dos EUA sobre as mortes indiscriminadas de civis no Afeganistão, e, além dos crimes de guerra, denunciou também as espionagens e boicotes imperialistas para intervir em outros países, incluindo documentos sobre o golpe no Brasil.

A perseguição política de Assange é mais uma prova da farsa da democracia que países imperialistas usam para impor sua vontade a países mais atrasados e a quem ousar se opor a sua política de terror. Apesar das acusações na Suécia, seu destino é uma prisão nos EUA, pois depois de ser arrastado para fora da embaixada, mesmo sendo um cidadão equatoriano, passará pelo típico tratamento que presos políticos sofrem em prisões como Guantánamo, de tortura “para servir de exemplo”.

O artigo 79 da constituição do Equador diz expressamente: “Em nenhum caso se concederá extradição de uma equatoriana ou equatoriano. Seu julgamento se sujeitará às leis do Equador.”

Os capitalistas não medem esforços e atropelam quaisquer leis ou tratados forem necessários, assim como direitos individuais, para manter em curso suas tramas veladas, que, finalmente, resultam em gigantescos ataques contra a classe operária.