Mais um golpe?
Incapaz de projetar uma saída para a crise econômica, a frágil burguesia nacional peruana, assim como em todos os países de economia atrasada, alia-se à burguesia imperialista.
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Martín Vizcarra, Presidente do Peru | Créditos: Reprodução
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Martín Vizcarra, Presidente do Peru | Créditos: Reprodução

O cerco imperialista se fecha na América Latina. Não é de hoje que uma ampla operação golpista visa a destituição de governos de caráter nacionalista ou que, de alguma forma, coloque-se em choque com os interesses do imperialismo. Nesta segunda-feira, 14, o presidente do Peru, Martín Vizcarra, denunciou mais uma investida golpista.

Segundo relatou Vizcarra em mensagem oficial, há uma suposta “conspiração” política com o objetivo de destituí-lo. Essa, por sua vez, conta com a participação de altos comandantes militares, por meio do processo de vacância aberto no Congresso.

Ainda de acordo com o mandatário do Peru, o chefe do Parlamento peruano, Manuel Merino, convocou nesta quinta-feira, 17, antes da votação do pedido de vaga, Fernando Cerdán, comandante da Marinha, e tentou se comunicar com outros diretores das Forças Armadas. Merino, no entanto, não negara que houvesse estabelecido esse contato, mas, buscando se eximir, desassociou-se de uma tentativa de golpe, afirmando ligou para Cerdán “para dar paz de espírito às Forças Armadas”.

Merino planejou “pseudo-gabinetes” que ocupariam o lugar dos atuais oficiais, uma vez que fossem destituídos do poder, afirmou Vizcarra.

“Por que o Presidente do Congresso tratou e se comunicou com altos comandantes militares, inclusive, planejados pseudo-gabinetes daqueles que assumiriam após minha vaga? Isso é uma conspiração, senhores”, denunciou Vizcarra durante seu discurso na Casa de Governo. O chefe de Estado também deu destaque ao papel golpista do legislador e chefe da Comissão de Auditoria, Edgar Alarcón, que apresentou os áudios como prova do suposto complô de corrupção em que está implicado. Alarcón – como lembrou Vizcarra – deve responder por crimes de corrupção e enriquecimento ilícito, do período em que era funcionário da Controladoria Geral da República.

Acerca dos áudios, Vizcarra disse: tenho que lamentar profundamente e pedir desculpas ao país, porque uma pessoa do gabinete presidencial em quem confiei durante anos gerou esta situação com declarações infundadas e infundadas”. “É o instrumento que está sendo usado para querer desestabilizar um governo e um país”, apontou Vizcarra, referindo-se às gravações.

A crise política se aprofunda e na próxima sexta-feira, 18, Vizcarra pode ser demitido por “incapacidade moral permanente”. Para contornar a situação, nesta segunda-feira, 14, o Executivo pediu ao Tribunal Constitucional uma medida cautelar para suspender o processo de destituição que o Congresso marcou para esta sexta-feira.

O objetivo do pedido, portanto, é “evitar que a questão das vagas seja usada arbitrariamente como mecanismo de controle político e sanção para encerrar antecipadamente um mandato presidencial”, noticiou o jornal oficial El Peruano.

É importante salientar que o presidente do Peru não é de esquerda, nem de longe. Porém, a questão é que os militares estão tomando conta dos regimes políticos em todo o continente, visto a necessidade de se implementar regimes ditatoriais em proveito da burguesia. A pilhagem dos capitalistas cresce à medida que a crise econômica mundial empurra as débeis burguesias nativas contra a próprio povo. Incapaz de projetar uma saída para a crise econômica, a frágil burguesia nacional peruana, assim como em todos os países de economia atrasada, alia-se à burguesia imperialista. No país, nos últimos anos vários presidentes caíram com processos judiciais e agora são os militares que parecem estar tramando conspirações.

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