Presidente do ICMBio, responsável por implantar plano de privatizações de unidades de conservação, pede demissão

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Da redação – O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação (ICMBio), Adalberto Eberhard, pediu exoneração do cargo na tarde da última segunda-feira (15). A motivação, segundo o ministro, foi pessoal.

Fontes do Ministério do Meio Ambiente (MMA) afirmam que o golpista que presidia o ICMBio ficou descontente com as ameaças realizadas contra servidores do órgão ambiental pelo também fascista Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

Apesar desta suposta desavença que resultou no pedido de demissão, temos que lembrar que Eberhard foi colocado no cargo por concordar com a política de destruição do MMA e suas autarquias como o IBAMA e ICMBio, e principalmente, de colocar em prática um plano de privatização das unidades de conservação federais.

Eberhard é um conhecido ambientalista que vive as custas de unidades de conservação privadas e que queria implantar esse modelo em todas as unidades de conservação federal. Em 1989, fundou uma organização não-governamental chamada Ecotrópica onde fez carreira e ganhou prêmios internacional na área ambiental, o que o levou para ser Departamento de Zoneamento Territorial do MMA e diretor da Fundação de Desenvolvimento do Pantanal.

Hoje o Instituto Ecotropica administra três Reservas Particulares dentro do pantanal. O que revela os interesses por detrás da sua nomeação.

Em sua rápida passada pelo ICMBio deixou um rastro de destruição e de privatizações. Entregou milhares de hectares para a exploração da iniciativa privada e paralisou as atividades do ICMBio para colocar em prática um plano de extinção do órgão ambiental. Diversos cargos de direção e coordenação de projetos do ICMBio estão sem nenhum servidor devido a tentativa desses bolsonaristas no MMA de extinguir o IBAMA e o ICMBio, para formar outra autarquia com poucos funcionários e com uma política de destruição ambiental.

Também foi um dos responsáveis, juntamente com o ministro fascista Ricardo Salles, por forjar uma cena para incriminar o MST e o PCO, numa manifestação realizada por movimentos sociais, partidos políticos, indígenas e moradores deem Porto Seguro, Bahia, contra a privatização do Parque Nacional do Pau Brasil.

É claro que Bolsonaro montou uma equipe para destruir o Ministério do Meio Ambiente e entregar milhões de hectares de unidades de conservação nas mãos de empresas privadas. Para isso escolheu pessoas de confiança dos bolsonaristas, latifundiários e empresários, como o fascista Ricardo Salles e o próprio Eberhart.

O plano de Bolsonaro tinha que ter pessoas supostamente “técnicas”, como Eberthart, com prêmios internacionais e tido como ambientalista para passar a mensagem de não haver “viés ideológico”, mas por trás tem um plano perverso para a área ambiental.

Eberhart sempre viveu às custas da privatização dos serviços públicos, como o repasse de dinheiro de fundos ambientais para organizações não-governamentais em vez de ser executado pelo governo.

A saída de Adaberto Eberhart deve ser vista como mais uma crise do governo Bolsonaro por migalhas e não como um ambientalista sério que ficou incomodado com a ameaça a servidores do ICMBio, pois justamente estava sendo colocado em prática um plano de extinção do órgão.