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Sem vacina e sem auxílio

Presidente do BC usa vacina para justificar fim do auxílio

Como se já não bastasse não ter assistência adequada e ser deixado para morrer nas filas de espera nos hospitais públicos, o povo agora vai ter metade do auxílio emergencial.

Tempo de Leitura: 2 Minutos

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. –  Raphael Ribeiro/BCB/Divulgação

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Vacinar a população é mais barato que prorrogar os programas emergenciais do governo de enfrentamento à pandemia da Covid-19, foi o que afirmou o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, nesta terça-feira (15).

Neto continua, e diz que o prolongamento dos gastos públicos não tem mais correspondência com o que se arrecada pelo fisco. Em evento promovido pela Eurasia Group, ele também disse que: “Há um foco nas vacinas, em quem vai conseguir antes e a logística, o mercado está focado nisso também”.

Ele insiste e complementa dizendo que, embora os gastos fossem necessários para superação com a crise pandêmica, o rigor perante os investidores e o mercado, exige um pulso firme, e esse controle é, sem dúvida, a resposta que se espera. Até porque, caso assim não seja, a dívida vai aumentar e a retomada vai ficar cada vez mais difícil.

“A discussão agora é de como vai ser o gerenciamento dessa dívida. O efeito colateral da dívida alta é que vamos mudar o seu perfil, que começará a ser financiada no curto prazo.”

Em resposta às dúvidas sobre a tributação e o fisco, o presidente do BC falou que há o risco de dominância fiscal, quando a política fiscal tem maior peso na política monetária.

“Estamos em um período em que a vacina está chegando e o governo decidiu investir nisso. Se nada funcionar e voltarmos a situação de crescimento baixo e inflação ruim, a gente vai ter esse cenário de dominância fiscal”, completou Neto.

No fundo, o que precisa ficar claro é que, se até o momento nenhum governo investiu em uma política na saúde para resolver o problema da pandemia, por que ela faria isso agora? De fato, o que se tem de concreto é que a única coisa que mudou é a desoneração dos cofres públicos em relação ao auxílio emergencial que caiu pela metade. 

Agora em dezembro, quem recebia R$600,00, já está recebendo R$300,00, de acordo com o calendário de desembolso do governo. Ou seja, o rigor fiscal e o espaço fiscal sem correspondência não só não prevê o esticamento dos gastos com o auxílio emergencial, como também não prevê investir em vacina alguma. Caso não fosse esse o interesse, não teria deixado 200 mil pessoas morrerem por falta de assistência da Saúde, que por todo lado entrou em colapso, e agora dá demonstração, nessa “nova onda”, de que não vai ser diferente.

E além disso, o governo federal, com esse intuito, já definiu que sequer os estados vão fazer pedidos separadamente da vacina, tendo que se sujeitar à centralização de pedidos pelo Ministério da Saúde. Não que os Estados tivessem interesse de erradicar a doença com as vacinas, muito pelo contrário. O que temos é uma jogada política para ver quem fica melhor na opinião pública e consegue tirar proveito disso para a corrida presidencial das eleições de 2022.

O povo vai ficar novamente na pior! Como se já não bastasse não ter assistência adequada e ser deixado para morrer nas filas de espera nos hospitais públicos, agora vai ter metade do auxílio emergencial, o que nem de longe é garantia de uma cesta básica que possa segurar as pontas de uma família diante da crise.

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