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Racista volta à Palmares
Presidente da Fundação Palmares deve ser derrubado junto com Bolsonaro
Ante a fragilidade do governo, STJ libera racista indicado de Bolsonaro para assumir a presidência da Fundação Palmares
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Racista volta à Palmares
Presidente da Fundação Palmares deve ser derrubado junto com Bolsonaro
Ante a fragilidade do governo, STJ libera racista indicado de Bolsonaro para assumir a presidência da Fundação Palmares
Sérgio Camargo, autor de frases como “a negrada daqui é imbecil”. Foto: Reprodução/Redes sociais
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Sérgio Camargo, autor de frases como “a negrada daqui é imbecil”. Foto: Reprodução/Redes sociais

Liberado pelo presidente do STJ, João Otávio de Noronha, para assumir a presidência da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, jornalista indicado ao cargo pelo ex secretário especial de Cultura Roberto “Goebbels” Alvim, comemorou a decisão: “Caiu a liminar que me afastou da presidência da Fundação Cultural Palmares. Serei reconduzido ao cargo. Grande dia!” disse o fascista em uma postagem nas redes sociais.

Jair Bolsonaro, com sua habitual falta de habilidade para expressar o que quer que seja, comentou a notícia: “Acho que o garoto que foi liberado ontem é uma excelente pessoa”, disse o golpista que acrescentou “ele volta pra lá”.

O caso é emblemático por mostrar os limites da luta travada no campo de instituições controladas pela burguesia. Nada de novo nesse sentido mas uma parte expressiva da esquerda, especialmente os setores da camada pequeno burguesa, insiste em fechar os olhos para o fato de que estamos em uma conjuntura global onde a margem para maquiar a natureza opressora do Estado burguês está muito limitada e cada vez menor. Se nem países como a Inglaterra, que recentemente fechou o Parlamente numa manobra que constitui um verdadeiro golpe de Estado, conseguem disfarçar mais, que dizer de um país atrasado e subordinado às nações imperialistas, como é o caso do Brasil?

A direita não é tão coesa como a propaganda da esquerda pequeno burguesa faz parecer, o que fica exposto no caso do bloqueio a nomeação do ex jornalista do Estadão à Fundação Palmares e muitos outros. Frequentemente vemos e continuaremos a ver choques entre a ala centrista da direita (autoproclamada “direita palatável” nas palavras de um dos seus maiores expoentes, Ciro Gomes) e a ala abertamente fascista mas a classe trabalhadora precisa ter clareza quanto ao fato de que para o conjunto dos trabalhadores, a diferença entre um setor e outro é desprezível. No campo da luta de classes, onde a luta política vira uma guerra aberta, o desemprego, a fome, o encarceramento e a chuva de “balas perdidas” pode vir de um professor da Sorbonne ou de um jumento da cavalaria do Exército. Para as vítimas da desgraça, a diferença é nula.

Outra coisa a se destacar para o desenvolvimento da luta política, é que a ala centrista tenta a todo custo controlar a extrema direita mas jamais irá se indispor com sua cria em favor da população. Até podem impedir que Bolsonaro nomeie seu gabinete livremente como tentativa de domar o jegue mas percebendo a necessidade de protegê-lo, farão uso de sua máquina para protegê-lo. E essa máquina é simplesmente todas as instituições do Estado burguês, afinal o termo centro não se deve a um valor moral abstrato mas ao controle político efetivo que esse grupo tem dos poderes, especialmente os que não se submetem ao controle popular.

Por isso, insistir nesse erro de lutar dentro de espaços controlados pelos inimigos de morte do proletariado não é apenas uma imbecilidade mas um suicídio coletivo. Daí a necessidade de se travar a luta nas ruas, com a população organizada e atuando de maneira disciplinada, como é próprio da ação revolucionária da classe operária. Para isso, o Partido da Causa Operária tem estimulado a criação de comitês de luta que atuem pelo fim do governo Bolsonaro. Afinal, Alvim citando Goebbels é escatológico mas Camargo dizendo que “a negrada daqui reclama por que é imbecil” não é diferente. E o elemento comum que une ambos é o homem que lhes permitiu um cargo para que atacassem a população: o presidente golpista Jair Bolsonaro, um desqualificado que só conseguiu se tornar presidente graças a sucessão de manobras fraudulentas nas eleições de 2018, que culminaram com a retirada dos direitos políticos do ex presidente Lula.

Toda força aos comitês de luta que se espalham pelo Brasil. Fora Bolsonaro!