Presente da direita golpista: mais de 100 casos de sarampo no Amazonas

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Tudo começa tendo por estopim dados divulgados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), no Boletim Semanal de Sarampo e Rubéola das Américas, e que apontou um surto de Sarampo na Venezuela, onde se confirmaram mais de 465 casos até dezembro de 2017.

Em razão disso, por sugestão da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas), órgão vinculado a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), uma reunião foi realizada na quinta-feira, do dia 01/02/2018, em Rorainópolis, entre representantes das áreas de saúde de Roraima e Amazonas.

Naquela oportunidade foram definidas as primeiras ações de uma parceria entre os dois Estados e as prefeituras dos municípios de fronteira Rorainópolis e Presidente Figueiredo, com perspectivas, inclusive, de realização de medidas conjuntas para o combate e prevenção do sarampo e rubéola.

Em meados de fevereiro do corrente, A FVS iniciou reforço de ações de prevenção ao sarampo, tendo em vista a confirmação de um caso “importado”, em Boa Vista (RR), distante 708 quilômetros de Manaus, onde uma criança venezuelana foi diagnosticada com a doença.

Umas das medidas foi solicitar ao Ministério da Saúde o reforço de doses da vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba). No início desta semana, o Programa Nacional de Imunização (PNI) enviou ao PNI Estadual 50 mil doses extras da vacina.

A Fundação (FVS-AM) emitiu, no dia 07/03, a Nota Técnica nº 05/2018, por meio da qual alerta os profissionais da rede de saúde para a necessidade de intensificação das ações de vigilância epidemiológica do Sarampo e do Diagnóstico Diferencial.

Conforme a Nota Técnica, considera-se caso suspeito todo indivíduo que, independente da idade, apresentar febre e axantema maculopapular (pequenas manchas vermelhas) acompanhado de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/coriza e/ou conjuntivite; com histórico de viagem a região com caso confirmado de sarampo nos últimos 30 dias, ou de contato no mesmo período com alguém que viajou a esses locais.

A notificação de casos suspeitos deve ser feita imediatamente ao Distrito de Saúde (Disa) da área de abrangência da unidade e ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), além de notificar o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). As amostras coletadas devem ser encaminhadas imediatamente ao Laboratório Central (Lacen) e laboratórios distritais, no caso das unidades municipais.

O sarampo foi registrado no Brasil pela última vez em julho de 2015. Na Venezuela, no entanto, a doença virou epidemia em 2016 em razão dos problemas no sistema de saúde provocado pela crise de abastecimento. Desde então, o sarampo e outras doenças já erradicadas, como a difteria, voltaram.

Para fugir da crise e das doenças, venezuelanos tentam chegar ao Brasil por Roraima. Ao todo, 40 mil moram no Estado. Na capital, Boa Vista, 300 imigrantes em abrigos já foram imunizados com uma vacina tripla, que também protege contra a rubéola e caxumba. Para evitar o retorno do sarampo, o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde de Roraima lançaram uma campanha de vacinação prevista para começar em 10 de março e que deve seguir até o dia 10 de abril. A vacinação ocorrerá de casa em casa, em abrigos, unidades de saúde e postos na fronteira da Venezuela com a cidade de Paracaima.

NOTA SOBRE O SISTEMA DE SAÚDE VENEZUELANO

Só para constar, o sistema de saúde venezuelano, através de um processo de reforma desde a adopção da constituição de 1999, propôs a criação de um sistema público nacional de saúde, cuja ponta de lança é agora o programa Barrio Adentro.

Com maior inclusão, o programa Bairro Adentro já cobre 100% de todos os estados da Venezuela.
Criado há 13 anos, a missão Bairro Adentro tem o objetivo de democratizar o acesso aos serviços de saúde e levar justiça social a todos os setores do país.
A iniciativa surgiu durante as fortes chuvas registradas em 1999 no estado de Vargas que provocaram inundações e deslizamentos de terra. Para atender a população afetada, o governo Chávez criou um plano de contigência sanitária com o apoio de médicos cubanos.
O atendimento primário e preventivo acontece através de módulos, consultórios e clínicas populares localizados em comunidades com pouco acesso ao sistema de saúde convencional.
Depois de seu lançamento em 2003, o programa foi ampliado e conta com quatro fases para atender diferentes áreas de saúde e complementar o atendimento nos hospitais.
Bairro Adentro conta com 10 mil consultórios populares, 594 Centros de Diagnóstico Integral (CDI), 596 Salas de Reabilitaçao Integral (SRI), e médicos venezuelanos formados no Programa de Medicina Integral Comunitária, além de um importante contingente de médicos cubanos que trabalham no país.
Está dividido através da chamada Área de Saúde Integral Comunitária (Asic), que são territórios geopolíticos e sociais para a integração e articulação participativa e protagônica do poder popular com as instituiçoes públicas. O objetivo é a tomada de decisões para desenhar, planejar, executar, controlar, fazer seguimento e avaliar as políticas públicas em saúde.