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A greve dos caminhoneiros que já dura nove dias e que está colocando em xeque o governo golpista de Michel Temer e os militares é um fato. Mas o que deixa a população com um olhar de desconfiança são os vídeos de grevistas pedindo intervenção militar, do fascista Bolsonaro e repudiando sindicatos de trabalhadores.

Fomos verificar em loco esse movimento para ver qual está sendo o clima nos bloqueios e de onde vem essa onda de extrema direita que está sendo divulgada pela imprensa golpista e nas redes sociais.

Na Bahia, visitamos e conversamos com uma dezena de bloqueios, desde próximo de Salvador até no extremo Sul da Bahia na cidade de Itamaraju. O que vimos foi que apesar de um movimento confuso politicamente, sem um programa claro e definido, e extremamente heterogêneo, a extrema direita é muito minoritária e em grande parte não faz parte do movimento de bloqueio.

No período que passamos nos bloqueios não havia campanha pró-intervenção militar e muito menos apoiadores de Bolsonaro (vimos pouquíssimos apoiadores). O que verificamos é que há um grupo formado por empresários e fazendeiros que “apóiam” os bloqueios e que fazem propaganda da extrema direita.

Esses “apoiadores” vão até os bloqueios montam barracas, distribuem adesivos e faixas, fazem discursos e vídeos. Uma mistura de  apoio ao bloqueio e junto frases de apoio aos militares e a Bolsonaro, ficam aproximadamente duas horas e almoçam ou jantam com os caminhoneiros e vão embora.

Nas idas aos bloqueios, chegamos a encontrar os mesmos empresários e fazendeiros de extrema direita em bloqueios diferentes fazendo o mesmo apoio e discurso.

Após conversas com caminhoneiros e ida a esses bloqueios da Bahia, fica evidente que grupos de extrema direita, ligada a empresários locais e fazendeiros, fazem essa campanha de extrema direita pró-intervenção militar, mas não são parte do movimento dos caminhoneiros. Os relatos dos caminhoneiros dos bloqueios são que essas pessoas vão sempre apoiar os bloqueios, levando algum alimento e deixam materiais.

Na cidade de Itamaraju, vimos que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra organizou um café da manhã para os caminhoneiros do bloqueio e foram bem recebidos.

Como a greve dos caminhoneiros é muito ampla e de certa maneira desorganizada e descentralizada, formada por setores de pequenos proprietários e não operários, com uma quantidade até razoável de elementos direitistas, não tem um programa claro de reivindicações e de bandeira política, é facilmente manipulável por essa extrema direita fascistóide que não possui apoio da maioria da população e nem da categoria dos caminhoneiros.

Apesar de muito confusa, a greve dos caminhoneiros está colocando o governo golpista contra a parede, pois a principal reivindicação da categoria vai de frente com a principal motivação do golpe de Estado, o aumento do combustível. Apesar de não terem consciência disso, estão reivindicando a reversão do processo de privatização da Petrobrás e na política paridade de preços colocada em prática pelos golpistas.

Por isso, esse movimento confuso dos caminhoneiros deve ser apoiado e impulsionado pela esquerda, assim como a greve convocada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) a partir desta quarta (dia 30) . Esta na hora da CUT e seus sindicatos chamar uma greve geral para derrubar os golpistas e conquistar as reivindicações dos trabalhadores e derrota o golpe.

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