Após as eleições
A partir dos sindicatos, dos Comitês e dos setores que se colocam pela defesa da independência de classe é preciso levantar uma ampla mobilização sob a base de um programa de luta
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É preciso sair às ruas pelas reivindicações imediatas e pelo Fora Bolsonaro | Foto: Reprodução

Nem bem haviam se encerrado as eleições municipais mais fraudulentas das últimas décadas, que garantiram a “vitória”da direita golpista e algumas migalhas para seus aliados (“frente ampla”), disparam os sinais do enorme agravamento da crise (que não cessou, apenas ficou oculta no processo eleitoral).

A pandemia da covid relegada a assunto de segundo plano na campanha, se mostra (como se sempre esteve) totalmente descontrolada com novos recordes de casos e a clara tendência de que o País chegue a cerca de 200 mil mortos até o final do ano.

A alta dos alimentos empurra a inflação para níveis superados há décadas e pode levar mais de 100 milhões de habitantes, quase metade da população brasileira, para a fome ou “insuficiência alimentar”, como divulgam os órgãos oficiais.

Não se trata de uma situação exclusiva do Brasil, mas é parte da política oficial do imperialismo diante da crise histórica do capitalismo embalada pela pandemia, o que pode ser visto nesta edição nos dados sobre a fome em países imperialistas como os Estados Unidos (40 milhões de vítimas) e França. Para a os monopólios e toda a burguesia direitista no Brasil e no Mundo, trata-se de “deixar morrer” milhões de pessoas e condenar os “sobreviventes” às condições de vida cada vez mais degradantes para garantir seus lucros em meio a um gigantesca crise de superprodução.

Além do aumento da fome, um dos sintomas mais graves dessa situação é o desemprego (que vai muito além dos 14% anunciados oficialmente) que já atinge mais da metade da população trabalhadora e que, depois de uma pequena contenção pela pequena leva de contratações provisórias neste final de ano, tende a disparar ainda mais no começo de 2021, com nova onda de demissões.

Frente à esta situação, a política do conjunto da burguesia e dos seus partidos que acabaram de aplicar o golpe eleitoral, é apertar ainda mais os cintos, obviamente dos trabalhadores.

Além da expropriação salarial, por meio da inflação, está decretada a extinção do miserável auxílio emergencial – que foi de R$ 600 e, depois, foi cortado pela metade -, o que vai deixar dezenas de  milhões de brasileiros de quaisquer recursos.

Depois das promessas eleitorais, o que vem por aí nada tem a ver com o atendimentos de quaisquer das reivindicações populares diante da crise ou com o cumprimento das promessas apresentadas nas recentes eleições, pelos candidatos da direita e da esquerda burguesa e pequeno burguesa. O ilegítimo governo Bolsonaro e todos os governos estaduais e municipais, amplamente dominados pela direita, preparam uma nova ofensiva contra as massas, com o corte de recursos públicos, aumento de impostos e todo tipo de medida contra a população para atender às demandas dos grandes capitalistas que patrocinaram suas campanhas e de seus afilhados.

Para enfrentar essa situação, é preciso enfrentar e superar a política de capitulação e colaboração com a burguesia adotada pela esquerda burguesa e pequeno burguesa defensora e praticante da política de frente ampla com a direita golpista como se viu explicitamente no processo eleitoral em que esses setores se colocaram como sócios minoritários da política da direita de isolar os “extremos”, ou seja, o bolsonarismo e o que a direita e esses setores da esquerda chamam de “lulopetismo”.

A partir dos sindicatos, dos Comitês de Luta e dos setores da esquerda que se colocam pela defesa da independência de classe é preciso levantar uma ampla mobilização sob a base de programa que contemple as reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores diante da crise, junto com a luta contra o regime golpista:

* Reposição imediata de 100% das perdas salariais; escala móvel dos salários, reajuste automático toda vez que a inflação completar 3%;

* Salário mínimo vital suficiente para atender as necessidades vitais dos trabalhador e sua família, que hoje não poderia ser de menos de R$ 5 mil, para cumprir o que dispõe a própria Constituição Federal (art. 7.o)

* Imediata redução da jornada para 35h semanais: trabalhar menos para que todos trabalhem

* Manutenção e ampliação do Auxílio Emergencial, com valor de um salário mínimo para todos

* Estatização do Sistema Financeiro e Não pagamento da dívida interna e externa com os especuladores para garantir os recursos necessários para atender às necessidades da população em áreas fundamentais como Saúde, Moradia, emprego etc.

* Não às privatizações, cancelamento das já realizadas; colocar as empresas estatais sob o controle dos trabalhadores e suas organizações;

* Abaixo o regime de perseguição ao povo negro: dissolução da PM e de todo o aparato repressivo; direito de auto defesa para todos os trabalhadores;

* Contra a perseguição e opressão das mulheres: fim da criminalização do aborto;

* Não à destruição do ensino público. Verbas públicas somente para escola pública. Não às escolas militares. Volta às aulas só com vacina!

* Unir os explorados com Lula candidato e Lula presidente

* Fora Bolsonaro, todos os golpistas e o imperialismo

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