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Torcidas, o povo, no controle
Prejuízos incalculáveis: é preciso um programa de luta para o esporte
No futebol brasileiro e mundial também prevalecem os interesses capitalistas, os maiores prejuízos serão dos torcedores e dos atletas. Os empresários deixarão o futebol “na mão”
Torcidas, o povo, no controle
Prejuízos incalculáveis: é preciso um programa de luta para o esporte
No futebol brasileiro e mundial também prevalecem os interesses capitalistas, os maiores prejuízos serão dos torcedores e dos atletas. Os empresários deixarão o futebol “na mão”
Foto: Almanaque do Corinthians.
Foto: Almanaque do Corinthians.

Na última segunda-feira, dia 23 de janeiro, os jogadores representantes e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) solicitaram ajustes na primeira proposta feita pela Comissão Nacional de Clubes (CNC) sobre a situação dos jogadores de futebol durante a pandemia de coronavírus. E agora terão mais dois dias de prazo para dizerem se aceitam a nova oferta. No futebol, também ocorre a mesma política que vem sendo imposta para os trabalhadores. Os clubes e capitalistas vem tentando propor medidas que cortem em até 50% o salário dos jogadores brasileiros, levando-se em conta que cerca de 50% dos atletas recebem um salário mínimo e outros 35% até 5 salários mínimos, a maioria dos jogadores em breve terá que sair a rua para realizarem bicos. Na oposição a isso a Federação Nacional dos atletas propõe em geral que se siga a CLT.

A CNC, que representa os clubes das Séries A até a D do futebol nacional, cerca de 128 clubes do país, pretende implementar mudanças para diminuir os impactos financeiros causados pela falta de jogos. Após a entidade ter uma primeira reunião na sexta-feira, na última segunda-feira houve uma videoconferência com representantes de 46 times para reformular uma nova proposta aos jogadores e à Fenapaf após a primeira proposta ter sido recusada.

Seguindo as novas diretrizes capitalistas para o futebol os principais pontos seriam as férias coletivas de 20 dias em vez de 30, como proposto anteriormente pelos clubes, e a manutenção de 10 dias de férias na virada para o ano de 2021. A principal novidade da última proposta está na redução salarial. Em vez de as equipes pagarem 50% a menos caso a suspensão do calendário durar mais de um mês, agora foi oferecido aos jogadores uma diminuição de 25% (inclui direitos de imagem e contrato CLT).

Nesta reunião os representantes dos clubes da Série A eram dos seguintes clubes: Palmeiras, o Fluminense, Bahia e o Atlético-MG. O presidente do Clube Atlético Mineiro, Sérgio Sette Câmara disse em transmissão ao vivo no YouTube nesta segunda-feira que os clubes estão unidos para renegociar os salários dos jogadores. “Nós todos sabemos que a maioria esmagadora dos clubes no Brasil passa por dificuldades financeiras. Deixar de ter receita e continuando a ter a despesa que é gerada todo mês acaba de inviabilizar tudo. Temos que nos unir para tentar salvar o futebol brasileiro, que corre risco”.

Após negarem a primeira oferta, onde obrigaram o conjunto dos clubes a rever a proposta draconiana da primeira oferta, agora os atletas terão de dizer se aceitam as propostas a seguir:

“Férias Coletivas de 20 dias a todos os atletas, no período compreendido entre os dias 1 de abril e 20 de abril de 2020, com pagamento integral no quinto dia útil do mês subsequente ao gozo das férias e o 1/3 constitucional a ser pago no mês de dezembro de 2020, de modo que os clubes – e somente eles – arcarão integralmente com a manutenção das atividades futebolísticas durante tal período”.

Garantia aos atletas do período de 10 dias restantes de férias no final do ano de 2020 ou no início de 2021, adequadas ao calendário que se desenhará após o retorno da paralisação.

Redução da remuneração dos atletas em 25% durante o período da paralisação, como preceitua o artigo 503 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em casos extremos e de força maior.

A pandemia do novo coronavírus atinge também os campeonatos na Europa, onde o prejuízo pode ser de até 7,5 bilhões de euros (cerca de R$ 40,7 bilhões), de acordo com presidente da La Liga, Javier Tebas que administra o Campeonato Espanhol, em caso do cancelamento das competições nesta temporada. “Se somarmos tudo, todo o futebol das 30 ligas europeias, 7,5 bilhões de euros estão em risco nesta crise. Este seria o custo de não poder completar todas as competições. E isso colocaria em risco a indústria do futebol em alguns lugares. Então, temos que resolver isso globalmente, pois é um problema de todos”.

Os dirigentes e capitalistas do esporte, assim como ocorre na sociedade, jogarão toda a conta da crise, nas costas dos jogadores(durante a pandemia com a questão econômica e após, serão as torcidas, onde o trabalhador, a classe média, pagarão a conta com o aumento dos ingressos, dos canais por assinatura, dos programas sócio torcedores entre outros.

A crise do futebol brasileiro só pode ser resolvida com um programa de luta do povo, no caso com as torcidas organizadas e os torcedores em geral, que imponham a sua vontade e seus interesses sob a casta burguesa que controla o futebol.