No apagar das luzes
Prefeitura do Rio de Janeiro oficializou um corte no repasse de verbas obrigatório para as 203 creches com convênio municipal até o final de 2021, atacando diretamente as mulheres
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Crianças na creche | Foto: Arquivo/Agência Brasil
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Crianças na creche | Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Prefeitura do Rio de Janeiro oficializou um corte no repasse de verbas obrigatório para as 203 creches com convênio municipal até o final de 2021. Os contratos foram reduzidos em 25%, de forma retroativa, iniciando a partir de julho e indo até dezembro. A política de ataques afeta 22 mil crianças e 5 mil trabalhadores, além de suas famílias.

“Não há como pagar 13º atrasado, férias coletivas dos professores, os salários atrasados desde outubro e o de dezembro. Com isso, teremos que realizar demissões em massa, o que reflete na redução das vagas e na suspensão de cestas básicas”, diz Guilherme Maltaroli, cofundador e vice-presidente da Acreperj e Conselheiro de Direitos do CMDCA-Rio, procurando justificar de forma absurda a retirada de empregos de milhares de pessoas e a retirada do direito de milhares de mulheres de terem um lugar para deixar seus filhos.

Desta forma, a direita golpista anuncia seu programa de ataques aos trabalhadores (tanto os funcionários, quanto os que dependem das creches para conseguirem trabalhar – principalmente as mulheres que são mães solteiras) para o município do Rio de Janeiro. Essa política ofensiva dos capitalistas e de destruição econômica, porém, é a política geral da burguesia golpista no Brasil.

Ao invés de atacar os bancos e os responsáveis pela crise (os capitalistas), a burguesia aproveita a crise que ela mesma criou para jogar suas consequências sobre a classe trabalhadora. Isto é, o ônus da crise capitalista é pago pelo próprio trabalhador.

Se já é uma medida ruim de conjunto para as crianças e para os trabalhadores, para as mães trabalhadoras essa política é ainda pior. Como se sabe, as mulheres trabalhadoras serão as principais afetadas pela destruição das creches, que significa a destruição dos serviços sociais que lhes permitem ter uma certa independência dos cuidados dos filhos.

A mulher, que já tem, em média, salários menores, e mais dificuldade para arrumar trabalho (o que piora com a destruição econômica promovida pelos golpistas), também terá reforçado seu trabalho doméstico. 

Esse tipo de ataque serve para reforçar o plano da burguesia de colocar as mulheres, que são metade da população, como escravas do lar, com cada vez menos condições para a maternidade em conjunto com o trabalho formal das mulheres.

Conforme foi reforçado diversas vezes neste Diário, as mulheres estão dentre os setores mais afetados pela política dos golpistas, que jogou milhões na pobreza. Uma vez que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, os grupos mais explorados da economia capitalista são prejudicados ainda mais que o restante da população.

Por isso, historicamente, uma das principais reivindicações do movimento de luta das mulheres é a ampliação de creches para que ela possa, pelo menos, participar do mercado de trabalho capitalista, ganhar seu salário e conquistar uma certa independência econômica.

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