Cultura segue sob ataque
O Cita, importante espaço cultural do Campo Limpo, é ameaçado de despejo e demolição pela prefeitura de São Paulo sem qualquer justificativa clara ou coerente
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Criolo participando de encontro do Circuito Fora do Eixo, no Cita. | Foto: Circuito Fora do Eixo

O espaço cultural Cantinho de Integração de Todas as Artes (Cita), em Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo, que há uma década é reconhecido por abrigar diversos coletivos culturais se encontra, como nos recentes casos de diversos outros espaços da cidade (e também do Estado), ameaçado de ser fechado e demolido sob justificativas sem qualquer clareza, como denunciam os agentes culturais. O espaço, que antes de tornar-se cultural e coletivo estava abandonado pelo poder público, promove eventos culturais, oficinas gratuitas a oferecer conhecimento, arte e o desenvolvimento econômico.

A foto aqui apresentada, onde se vê o artista Criolo, foi tirada em um encontro ocorrido no Cita em 2012. Já a esta altura os ataques a encontros culturais eram ameaça constante – como sempre foram. Apenas a título de acréscimo e exemplo, tratou-se do Sarau do Binho, que o Cita acolheu como resposta ao fechamento do Bar do Binho por parte da subprefeitura de Campo Limpo à época.

Retornando à atual ameaça ao Cita, primeiramente a subprefeitura de Campo Limpo alega ter havido uma denúncia de que o lugar estaria “abandonado” e sendo invadido por pessoas em situação de rua. Como a denúncia obviamente não procedia, a subprefeitura de Campo Limpo passou a alegar que o espaço operava em situação de risco e que uma ordem de despejo do espaço cultural seria recebida para desocupação em 15 dias. Os agentes culturais denunciaram então as mentiras acerca das condições supostamente “de risco” do espaço (como a alegação de que haveria “cupins” e que tudo deveria ser demolido). 

A denúncia foi vocalizada pelo produtor cultural Mario Matos Graça Júnior, conhecido como Junin. A abertura do processo, segundo ele é baseada “em cima de uma mentira”. “É um absurdo falar que a gente não está aqui. Esse laudo a gente não sabe quem fez, como fez, não assinamos nada. E ficamos sabendo que foi lavrada a interdição do espaço pelo nosso advogado, porque ninguém nos trouxe um documento para assinar ou avisando que ‘olha, daqui 15 dias vocês precisam sair daqui e se defender’”

Em 2016, por exemplo, um galpão abandonado pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB-SP), em Itaquera, foi transformado em um centro cultural de referência para a comunidade local, artistas e coletivos da zona leste da cidade. Em, 2018 um processo de reintegração de posse, parte de uma estratégia chamada Plano de Desmobilização de Ativos e que pretendia vender 900 imóveis, dentre os quais contraditoriamente haviam muitos imóveis ocupados por órgãos públicos, organizações da sociedade civil e empresas, quase obteve sucesso ao realizar uma investida arrasadora – do tipo que hoje torna-se cada vez mais agressiva -, não fosse a resposta do MTST ao processo no caso em questão.

O “civilizado” Bruno Covas certamente está à frente das políticas que passaram a ter maior protagonismo neste ataque aos espaços culturais desde a prefeitura de João Dória. Neste sentido, há um alinhamento total entre estado (hoje) e município (desde então). A investida dos setores imobiliários e seu lobby foram elementos determinantes para a presença insistente do PSDB na cidade (e estado) de São Paulo. A prefeitura, a burguesia e o governo do estado estão absolutamente alinhados na destruição dos espaços públicos e populares para o privatismo selvagem. Deixados às próprias rédeas, não sobrará um único espaço voltado à população na cidade de São Paulo. Apenas a mobilização massiva da população nas ruas é capaz de conter os bolsos salivantes da burguesia do município e a sorrateira caneta do PSDB.

 

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