Volta às aulas só com vacina!
Os “científicos” são apenas um pouco mais elegantes que Bolsonaro, mas os mais dedicados a promover seu programa. Sem a mobilização popular, frente ampla vai garantir sua vitória
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"Acolhimento" e "segurança" para os alunos. | Reprodução

Todos querem a volta às aulas, menos o povo brasileiro. Até os “responsáveis” prefeitos empossados do DEM, MDB, PSDB, PSD, junto com o resto da direita “civilizada” defendem abertamente a abertura das escolas durante a pandemia. Nesse caso, será a população ignorante por se recusar a levar seus filhos para o matadouro? Ou será que a direita golpista, que joga a crise sobre as costas dos trabalhadores, está desesperada para assassinar a comunidade escolar para cumprir seus deveres econômicos?

Apresentando-se como devotos da ciência, quando se trata de fustigar Bolsonaro, os golpistas sabem perfeitamente a condição precária das escolas, especialmente as escolas públicas. Muitas não possuem saneamento básico, papel higiênico ou mesmo salas suficientes para todos os alunos. Seu plano é simples: criar depósitos de crianças e adolescentes, bem como de universitários, para fazer com que o trânsito da comunidade escolar e acadêmica feche com chave de ouro o genocidio e a reabertura econômica.

O problema não é apenas da burguesia nacional, pelo contrário, a questão já foi levantada pela própria Organização Mundial do Comércio, que declarou que se as escolas continuassem fechadas, a crise de demanda iria destruir os bancos e as empresas cernes do imperialismo. Por isso, desde o começo da pandemia as escolas já existia uma enorme campanha para a reabertura geral do comércio, da cultura, e por fim, das escolas. Em diversos países, e, inclusive, no Brasil, onde voltaram às aulas, milhares foram contaminados. 

Em Manaus, o governo precisou suspender novamente o ensino presencial por causa da contaminação, o que também aconteceu na França e na Inglaterra. Em São Paulo, dentre as escolas que já retornaram, 11% dos alunos já foram confirmados com o vírus. Em algumas, nem os equipamentos de proteção individual (EPIS) são distribuídos e organizados.

Afinal, não é preciso ser nenhum pequeno-burguês bem pensante para entender que milhões serão contaminados e milhares morrerão com o retorno do ensino presencial, o que já foi confirmado pela Fiocruz. Na realidade, é de conhecimento público que nenhuma medida concreta de combate à pandemia foi tomada pelo governo Bolsonaro e seus aliados governadores, portanto, a enorme desconfiança e a revolta contra suas medidas criminosas são inevitáveis para a população. 

Por isso, já existe uma enorme greve branca contra a volta às aulas e contra o ensino à distância. Nas aulas remotas, que representam o avanço do sucateamento e da privatização do ensino, uma pequena parcela de estudantes tem acesso, e menos ainda assistem às aulas que pretendem encenar algum tipo de educação. Já em relação a volta às aulas, muitas escolas reabriram, e contaram com a presença de praticamente nenhum estudante. Um exemplo foi o colégio estadual de Taubaté (SP), que começou com o retorno híbrido e não teve nenhum estudante presente no mês de setembro. De uma forma geral, salvo pouquíssimas exceções, a grande maioria dos estudantes não está estudando, assim como não apoia as medidas genocidas do governo.

Entretanto, existe uma enorme contradição entre a opinião popular e a posição da esquerda. Isso ficou ainda mais evidente durante as eleições, na qual a esquerda se aliou cegamente – desesperada com seu carreirismo – aos setores mais grotescos da sociedade, amplamente repudiados. Assim, em nome de fazer uma frente contra Bolsonaro, ela se alia aos golpistas que organizaram a fraude de 2018 que deu vitória para Bolsonaro: a direita tradicional.

Dessa forma, os prefeitos empossados dos partidos direitistas impulsionam esse programa nefasto sobre a população, enquanto a esquerda bate palma e conta vitória com conquistas nulas, ou melhor, com conquistas da direita. Como a burguesia se encontra em um entrave para reabrir completamente as escolas e as universidades, pois não pode se arriscar a enfrentar uma enorme mobilização, ela vai progressivamente avançando enquanto propaga diversas demagogias baratas.

A título de exemplo, tem-se o caso do FUNDEB, uma verdadeira vitória da frente ampla. Aprovado por Bolsonaro e pelos partidos da ditadura militar na Câmara, a esquerda o comemora como uma grande conquista própria, ao mesmo tempo em que a direita já se prepara para utilizá-lo como uma nova forma de privatização. Por outro lado, a mesma esquerda se recusa a lutar contra os ataques reais à educação e à classe trabalhadora.

É preciso reconstruir as grandes entidades estudantis pela base. Os estudantes não aceitam e não devem estar paralisados frente a capitulação total do movimento estudantil que está guiado pela política da frente ampla. Os “científicos” eleitos são apenas um pouco mais elegantes que Bolsonaro, mas os mais carniceiros e dedicados a promover seu programa.

Finalmente, a direita busca impor a volta às aulas imediatamente, e com sua vitória grotesca, legitimada pela esquerda pequeno-burguesa nas eleições municipais, vai acelerar ainda mais esse processo. A única saída é organizar essa revolta geral contra a volta às aulas e a destruição do ensino, e levantar uma enorme greve e uma gigantesca mobilização de estudantes, professores e da população no geral contra Bolsonaro e todos os golpistas.

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