Prefeito denuncia: golpistas deixaram Brumadinho “abandonado” e “tendência é piorar”

Brumadinho

A destruição promovida pela ganância dos capitalistas donos da Vale não surte mais o gigantesco alarde que ocorrera a um mês atrás. Abandonados pelo poder estatal, pela mídia demagoga e, sobretudo, pela própria empresa causadora do desastre escatológico do dia 25 de janeiro, o município inteiro vive em profuso desalento. A falta de esperança tem tomado o lugar da expectação, da vivacidade e da tenacidade dos moradores que sobreviveram a um desastre sem igual.

Um mês após a tragédia criminosa causada pelo rompimento da barragem da Vale, Avimar de Melo Barcelos (PV), prefeito de Brumadinho-MG, denuncia: reduziram o número de bombeiros que fazem buscas – mesmo tendo mais de cem corpos ainda desaparecidos. E diz mais: há um boicote no repasse de verba do governo estadual.

Em entrevista à rede de notícias DEUTSCHE WELLE (DW), o prefeito de Brumadinho é indagado se a cidade estaria recebendo apoio suficiente. Ele responde: “o governo do estado de Minas Gerais, inclusive, está devendo o pagamento de impostos para o município. Depois da tragédia, ele prometeu pagar a gente, repassar R$ 23 milhões. Fui até lá nessa semana e eles falaram que não poderão pagar, que estão apertados. A situação no município, que já está difícil, tem a tendência de piorar. A arrecadação vai cair, não tem ninguém trabalhando na cidade. Depois do que aconteceu na mina da Vale, a Justiça interditou mais três mineradoras. Então a situação ficou pior ainda”.

Quando perguntado qual era a avaliação da situação de Brumadinho um mês após o desastre provocado pelo rompimento da barragem I da Vale na mina Córrego do Feijão, o prefeito responde: “Por enquanto, a gente está um pouco abandonado pelos governos estadual e federal. O efetivo dos bombeiros já foi bem maior, eles já foram embora em grande parte. Isso está prejudicando muito os familiares das vítimas. Tem muitas vítimas em baixo da lama, os bombeiros estão indo embora e as pessoas podem não ser encontradas. O que as famílias querem agora é um enterro digno”.

A relação que a Vale e os golpistas têm com a população é clara: para movimentar o capital, a vida do povo é apenas um meio, e a acumulação de capital, o fim. Corpos tornam-se apenas matéria morta, carne indigente. Tudo pelo capital, nada para o povo! Diante da situação de calamidade provocada pelo crime da Vale, os golpistas insistem em fazer vista grossa, ignoram o sofrimento do povo, fazem demagogia com o sofrimento dos arrasados. É preciso deixar claro que, enquanto os golpistas estiverem no poder, o sofrimento do povo não verterá uma lágrima sequer nos carrascos do povo.