É preciso reagir
Na noite desta última quinta-feira dia 28 de maio, em Guaíra no Paraná a aldeia Guarani Tekoha Yhovy, foi alvo de ataques com armas de fogo.
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Povo indígena. | Foto: Paulo Porto

Na noite desta última quinta-feira dia 28 de maio, em Guaíra no Paraná a aldeia Guarani Tekoha Yhovy, foi alvo de ataques com armas de fogo. É o segundo ataque por armas de fogo sofrido pela aldeia Tekoha Yhovy nos último sete meses.

De acordo com o cacique da aldeia Ilson Soares, os ataques ocorreram após as 22 horas, o quando um veículo vermelho passou pela Avenida Martin Luther King, que faz divisa com a aldeia e efetuou vários disparos. Nas palavras do cacique Soares: “Foi um ato de provocação. Porque não tem justificativa efetuar disparos de arma de fogo só na frente da aldeia. E foram vários disparos. No primeiro ponto foram cerca de cinco a sete tiros, na porteira, da mesma forma, e no final, da mesma forma”

“Não estamos mexendo com ninguém, não estamos provocando ninguém. Estamos na nossa aldeia, respeitando as normas da quarentena. Até porque a gente já sabe como é a sociedade. A gente sabe que a sociedade vizinha é muito preconceituosa e a gente sofre alguns tipos de perseguições, algumas discriminações. Então a gente já vive assim, digamos, meio afastados da sociedade, apesar de a gente estar com a comunidade que faz divisa com a vila dos não indígenas” Afirma o cacique Soares.

A aldeia Tekoha Yhovy conta com 40 hectares e abriga 64 famílias, aproximadamente 300 pessoas. Junto de outras 13 comunidades indígenas, forma as terras Tekoha Guasu Guavirá, que estavam em processo de demarcação mas tiveram o seu Relatório de Identificação e Delimitação, anulado pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o delegado Marcelo Augusto Xavier da Silva.

O procedimento administrativo em ser que tratava da demarcação também foi anulado a pedido da Prefeitura Municipal de Guaíra, pela ausência destas no procedimento. O ato de anulação foi a Portaria Nº. 418, de 17 de março de 2020, publicada no dia 26 de março no Diário Oficial da União (DOU).

Segundo o cacique Soares: “Agora voltamos à estaca zero. Estamos sem estudo de demarcação em andamento, estamos sem processo nenhum de demarcação e sem pedido de demarcação”

Houve uma clara escalada dos ataques dos indígenas durante o governo Bolsonaro, demonstrado ser essa uma clara orientação política do governo federal. Sendo registrado desde o ano passado diversos atropelamentos de indígenas e um assassinato de indígena nas terras Guaíra a pedradas e mais dois assassinatos de indígenas a facadas nas terras de Santa Helena.

O cacique Soares denúncia o aumento de ataques a comunidade: “A gente percebe o quanto as coisas pioraram, o quanto as perseguições pioraram. E, de alguma maneira, eles têm inventado crimes para justificar seus atos e têm inventado que os indígenas têm cometido crimes ou têm feito alguma coisa para que eles fiquem revoltados”

Com o golpe de estado e fraude eleitoral que gerou o governo Bolsonaro, houve um acirramento em todos os conflitos do campo. Havendo o aumento da perseguição aos indígenas, povos tradicionais, quilombolas e camponeses sem terra, configurando um verdadeiro massacre desses povos oprimidos.

A única forma de defesa dessa política fascista de extermínio, é coletivamente se organizando e se armando, sendo necessário reações a altura. Temos que ter claro que o armamento dos trabalhadores do campo é uma necessidade para sua autoproteção.

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