Ásia
Dezenas de milhares de pessoas vão às ruas no país asiático pelo terceiro dia seguido contra o golpe militar
Foto: Ye Aung Thu/Getty Images
Milhares nas ruas em toda Mianmar. | Foto: Ye Aung Thu/Getty Images
Foto: Ye Aung Thu/Getty Images
Milhares nas ruas em toda Mianmar. | Foto: Ye Aung Thu/Getty Images

A população de Mianmar foi às ruas para mostrar sua indignação ao golpe militar dado recentemente. Ontem, segunda-feira (8), lotou as avenidas da cidade mais populosa do país, Rangum (Yangon), pelo terceiro dia seguido. Os protestos contam com dezenas de milhares de pessoas.

Além dos operários, setores da pequena burguesia, como advogados, enfermeiros, estudantes e outros também participaram dos atos, deixando clara a insatisfação total da população. Houve grande presença de bandeiras vermelhas da Liga Nacional para Democracia (LND), partido de Aung San Suu Kyi, presa pelos militares.

Na capital, Nepiedó (Naypyidaw), duas pessoas foram feridas por jatos d’água lançados pelas forças de repressão do exército.

O exército bloqueou o Facebook no país para tentar diminuir a capacidade de organização da população.

 

A “via birmanesa para o socialismo” e “redemocratização”

O país viveu, durante 50 anos (1962-2011), sob forte controle dos militares. Entre 1962 e 1974, o país se declarava “socialista”. O “socialismo” chamado “via birmanesa para o socialismo” nada mais era que uma degeneração ainda maior do que foi a burocracia soviética.

Um dos seus fundamentos do chamado “socialismo birmanês” era de que o Conselho Revolucionário (que nada de revolucionário tinha) deveria vigiar-se para não pender nem à esquerda nem à direita.

Na verdade, a ditadura militar em Mianmar nada mais era que um movimento nacionalista, extremamente truculento e que nada havia com o marxismo. Ao invés de um estado operário, o que foi construído lá era nada revolucionário, mas simplesmente um governo de militares que formavam uma casta superior na sociedade, explorando os trabalhadores do país.

O fracasso da “via birmanesa para o socialismo” foi tão grande que o país teve pedir, de joelhos, o retorno ao Banco Mundial. Aos poucos, o regime da burocracia militar de Mianmar foi ruindo, levando aos protestos de 1988, conhecido como Levante 8-8-88, pois ocorreu em 8 de agosto de 1988.

Em 2011, foi anunciado o fim do regime militar, o que deveria levar, em teoria, à retirada dos militares do governo. As eleições de 2011 foram completamente fraudadas pelos militares, colocando o seu partido, o Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, ao poder com 80% dos votos válidos. De uma ditadura militar, o país passou para uma “quase-democracia” ainda controlada pelos militares, porém de maneira menos aberta, fruto de um acordo entre os militares com setores civis.

Aung San Suu Kyi, líder da LND, foi barrada de assumir a presidência do país em 2015, quando seu partido ganhou as eleições com folga. Agora, a mesma foi presa após nova vitória da LND.

 

O golpe atual

O golpe militar em Mianmar, dado em 1º de fevereiro, ocorreu devido às fortes contradições internas dentro da burguesia birmanesa. Os militares parecem, mais uma vez, não aceitarem o resultado das eleições e criam as mais diversas formas para justificar os líderes da LND.

Os militares temem que a vitória da LND pudesse levar à mudanças na constituição do país, que, atualmente, lhes concede uma série absurda de benefícios, como 25% das cadeiras no legislativo.

No panorama internacional, os países do ocidente já posicionaram-se de que houve, sim, um golpe em Mianmar. Todavia, a denuncia ao golpe é bastante tímida.

A China e a Rússia mantém oposição a sanções contra Mianmar. Ambas se posicionam contra sanções ao país asiático. É mais do que sabido que a última coisa que ambos os países querem é abertura para ações dos países imperialistas na região.

O que é certo é que o problema do golpe militar em Mianmar terá de ser resolvido pela própria população. Apenas as mobilizações de massa poderão derrubar o governo e dar fim, de uma vez por todas, aos militares no poder. Ações externas, do imperialismo ou não, servirão apenas para criar acordos “por cima”, sem envolvimento da classe trabalhadora.

Relacionadas
Send this to a friend