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Tinhorão: a defesa intransigente da genuína Música Brasileira

Em defesa do povo

Por um movimento Fora Bolsonaro democrático e de luta

A democracia no movimento é uma arma para agrupar as massas que ao tomarem parte na luta e nas decisões, sintam que o movimento é seu e por ele devem lutar

Ato de 1° de maio da esquerda, por Fora Bolsonaro – Foto: Bruno Santos/ Folhapress

O movimento fora Bolsonaro que toma corpo em todo o país evolui rapidamente para tornar-se um grande movimento de massas. Não é para menos, a gravíssima situação social que a direita tradicional e a extrema-direita impôs ao povo trabalhador brasileiro exige uma tal resposta. No entanto, o movimento que tem sido tolhido pela própria “direção” do movimento de desenvolver seu enorme potencial de mobilização e radicalização, armas imprescindíveis; necessárias para alcançar o objetivo que se propõe: a queda do governo Bolsonaro e do regime golpista antidemocrático e antipopular.

Dois elementos centrais que incidem negativamente sobre o movimento, contendo-o, são a desorganização e a tentativa de setores da “direção” secreta do movimento de submetê-lo, como base de apoio, à política institucional no Congresso Nacional, em outras palavras, submetê-lo à iniciativa da direita tradicional. Esses dois elementos estão intimamente relacionados e um deriva do outro, conter a expansão e a radicalização do movimento é condição sine qua non para submetê-los à direita tradicional.

Houve mesmo quem apoiou a participação direta da direita nas manifestações, o que abre espaço para a participação na organização da campanha. Pretendem tornar os atos grandes congraçamentos entre os partidos do povo e os dos inimigos do povo, dos partidos dos trabalhadores e dos patrões, dos oprimidos e dos opressores. A primeira tentativa foi feita na última manifestação, quando até mesmo o PSDB de João Doria apareceu na Avenida Paulista, felizmente, foi escorraçado de lá. Diferentemente do que creem os estrategistas da “direção” secreta, essa política levará o movimento à derrota completa perante a direita e a extrema-direita.

A aliança com a direita não soma, mas subtrai, quanto mais a direita se infiltra, tornando o movimento disforme e menos radical, pelos compromissos firmados, mais afasta o povo trabalhador que se recusa a marchar com seus piores carrascos em favor deles e contra si mesmos. A direita é um fator de enfraquecimento do movimento. A direita tradicional, bolsonaristas falsamente arrependidos e novos aliados de setores da esquerda, não exitará nem por um segundo em apunhalar fatalmente pelas costas o movimento. Caso não consigam tornar o movimento base para a terceira via, ou seja, para levar um candidato da direita tradicional ao poder em 2022, serão os principais cabos eleitorais de Bolsonaro e os mais vis perseguidores do ex-presidente Lula.

Outro elemento fundamental: a direita não é favorável, até o momento, nem mesmo ao impeachment de Bolsonaro, sua política é desgastá-lo na mesma proporção em que procuram levantar na opinião pública seus possíveis candidatos. É tão e somente uma encenação, há mais de 100 pedidos de impedimento e essa direita que o legislativo e toda a imprensa capitalista não colocou não deu andamento a nenhum deles. Querem aparecer aos olhos da chamada opinião pública como opositores de Bolsonaro, políticos razoáveis, quando na verdade são sustentáculos do regime golpista e do governo Bolsonaro. Assim, se infiltram no movimento fora Bolsonaro não porque querem a queda do governo que eles mesmos colocaram no poder, mas para impedir que o movimento torne-se tal que a queda do governo e deles torna-se inevitável.

Rechaçar a direita do movimento é uma questão vital para o mesmo, somente assim o movimento poderá se expandir para as massas, para os camponeses pobres, para os operários, para os desempregados, para os ambulantes, para os moradores das favelas, para moradores de rua, para todos os oprimidos que sofrem vítimas de Bolsonaro, mas também dessa direita.

A mesma importância tem a luta contra a desorganização do movimento que é em si uma sabotagem, o movimento tem de ser democrático, organizado e de luta. O que temos até o momento são reuniões secretas, decisões arbitrárias sem consulta à base, falta completa de transparência sobre quem são os responsáveis por cada área. Existe uma direção nacional? Estaduais? Municipais? Qual o calendário das reuniões e quem pode participar?

Vemos não raramente que elementos ou movimentos pouco ou nada representativos estão muitas vezes na cabeça das decisões e dos atos, quem os elegeu? Quem os escolheu? A base pode falar? O movimento dessa envergadura não pode ser tratado dessa maneira infantil sob o risco de colocar tudo a perder, o que seria uma tragédia enorme para o povo.

É preciso constituir uma organização efetiva em que as principais organizações da esquerda e dos trabalhadores tenham participação. A direção deve ser conhecida e suas reuniões amplamente difundidas, os debates, as propostas e resoluções devem ser publicadas em seguida e amplamente difundidas. Assim deve ser em âmbito Estadual e municipal. O povo deve ser ouvido, é preciso ir ao povo. Além dos atos é necessário a realização de plenárias amplas municipais semanais, plenárias estaduais com regularidade (proposta de calendário) e plenárias nacionais com representantes eleitos para discutir todos os aspectos da campanha.

A movimento deve realizar campanha financeira imediatamente para subsidiar a tiragem de grande número de materiais de campanha e de convocação para os atos, panfletos, jornais e cartazes em escala de milhões e convocar o militantes para distribuição nas periferias, nos locais de trabalho, nas fábricas, nos bairros pobres, nas estações de trem e metrô, em todos os lugares. É preciso ter locais, sedes de sindicatos, por exemplo, no maior número de locais possíveis para concentrar os materiais e servir para realização de reuniões e atividades. É nessa união que devemos apostar, na união do povo com a esquerda.

O Partido da Causa Operária (PCO) realizará plenárias municipais para discutir a participação e a convocação para o próximo ato do dia 24 de julho. Somente assim convidando e envolvendo o povo ativamente nessa luta que o movimento poderá prosperar. A democracia no movimento é uma arma para que mais e mais trabalhadores, ativistas, militantes tomem parte na luta, nas decisões e sintam que o movimento é seu e por ele deve se dedicar. Passou a hora da esquerda superar a vacilação e a covardia e romper a ligação com a burguesia e se ligar e lutar pelo povo trabalhador, tornar o movimento subordinado aos interesses do povo e lutar por ele efetivamente, não apenas em palavras.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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