Por que os frigoríficos são os setores industriais com mais acidentes e doenças ocupacionais

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Praticamente não há um estudo mais aprofundado das condições de trabalho e doenças ocupacionais no Brasil e os que existem são bastante antigos, no entanto, nos frigoríficos, em 2012 foi apresentado um documentário chamado “Moendo Gente”, realizado pela Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil, onde pode-se ter um quadro da situação nesse setor de produção que vem aumentado até os dias de hoje.

Desse período até agora, a situação vem se agravando a ponto de, o próprio Ministério Público do Trabalho (MPT), neste ano, ou seja, sete anos depois, ter que reconhecer publicamente o que já se sabia naquela época, os frigoríficos são os maiores causadores de acidentes e doenças do trabalho no Brasil.

Alguns dados do período do documentário davam conta de que: No abate de bovinos, ocorrem duas vezes mais traumatismos de cabeças e três vezes mais traumatismos de abdômen, ombro e braço do que em outras profissões. O risco de sofrer uma queimadura nesses ambientes é seis vezes superior ao de outros locais de trabalho.

No abate de aves e suínos, o risco de um funcionário sofrer uma lesão no punho ou nos plexos nervosos do braço é 743% maior.

No abate de aves, a chance de um trabalhador desenvolver um transtorno de humor, como uma depressão, é 3,41 vezes maior do que em outras categorias.

Para ter a dimensão da situação, no ano de 2018, no estado de Mato Grosso do Sul (MS), o aumento de acidentes nos frigoríficos foi de 18%. Este é um dos vários estados em que os trabalhadores de frigoríficos se mantêm em primeiro lugar em acidentes e doenças do trabalho, superior a qualquer outro ramo de atividade.

Uma situação de calamidade pública.
Os frigoríficos, mesmo com os números elevadíssimos de acidentes e doenças, por conta de total desleixo dos patrões quanto às mínimas condições de saúde e trabalho, só comunicam em torno de 17% dos números reais da tragédia, porque o restante é ocultado.

Exemplos recentes da sonegação de informações são os casos do frigorífico BRF Brasil Foods de Uberlândia, onde houve vazamento de gás amônia. Lá só se soube do vazamento do amônia porque a população dos bairros vizinhos ao frigorífico denunciou aos Bombeiros, mesmo assim, dois vizinhos tiveram que ter atendimento médicos.
E também, por vazamento de gás amônia, em Rio Verde, estado de Goiás, também não informaram aos bombeiros. Ou seja, os patrões empurram a sujeira por debaixo do tapete para não afetar seus lucros.