Por que ninguém quer falar da arbitragem?

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Talvez seja correto dizer que no jornalismo há fundamentalmente dois tipos de pessoas: os ingênuos e os mal intencionados. Os primeiros acabam invariavelmente sendo manipulados pelo segundo tipo.

Quando se trata de futebol a coisa fica ainda mais confusa. No caso do esporte, o preconceito comum difundido pela burguesia de que não existe política em tudo é alastrado com ainda mais facilidade e com mais facilidade ainda os ingênuos são manipulados pelos mal intencionados. Essa situação também permite que se diga qualquer coisa sobre o futebol, como se não tivesse nenhuma ligação com a realidade e em muitas casos nem mesmo com a lógica. Isso é o que acontece com os ataques contra a Seleção Brasileira e o futebol.

Desde a derrota do Brasil para a Bélgica – se bem que a história se repete em todas as Copas – comentaristas e jornalistas de todas as cores procuram explicar o que houve. Praticamente todas as análise erram por já partirem de uma premissa errada que é justamente acreditar que o Brasil perdeu por um problema meramente futebolístico.

Dessa maneira, tentam explicar esquemas táticos, chegam ao absurdo de comparar a qualidade do jogador brasileiro, muito superior, aos jogadores de outras seleções e por aí vai. Esquecem apenas do fundamental, conforme a história das Copas já mostrou, o Brasil foi derrotado em primeiro lugar como sempre por fatores externos ao futebol.

A politicagem comandada pelo imperialismo europeu e acompanhada pela campanha da imprensa pró-imperialista no Brasil contra os jogadores, como no caso de Neymar, é o principal fator que explica a derrota. Tanto é assim que na Copa desse ano um elemento teve que entrar em jogo de maneira muito mais descarada do que o normal: o juiz.

Nunca a arbitragem influenciou tanto os jogos de uma Copa do Mundo e influenciou negativamente. E contra o Brasil essa interferência da arbitragem atingiu níveis absurdos.

Quem acompanha o futebol sabe que erros e favorecimentos de arbitragem são comuns. Entretanto, tais acontecimentos são discretos. A interferência de um juiz na partida normalmente acontece em lances duvidosos em que são usados critérios diferentes para um ou outro time.

No caso da Copa do Mundo, a extrema necessidade do imperialismo garantir a vitória para alguma potência econômica somada à mediocridade do futebol europeu fez com que a FIFA montasse um esquema quase imbatível de interferência da arbitragem. Além dos juízes nitidamente preparados para favorecer os times europeus montou-se o chamado VAR, o árbitro de vídeo.

A vítima foram todas as seleções não imperialistas, em particular a mais imbatível de todas: o Brasil. No jogo contra a Suíça, um gol ilegítimo dos europeus empatou o jogo e prejudicou a equipe do Brasil que no momento dominava a partida. Além disso, também não foi marcado um pênalti para a Seleção. No jogo contra a Costa Rica, o mais absurdo, o VAR foi chamado para desmarcar um Pênalti legítimo no Brasil. Erros aconteceram nos jogos contra a Sérvia e o México. Mas foi no jogo contra a Bélgica o escândalo.

O VAR não deu um pênalti claro em Gabriel de Jesus e o árbitro ainda se recusou a apitar outros dois pênaltis em Neymar. Os sucessivos “erros” de arbitragem e o escândalo do VAR, usado sistematicamente a favor das seleções imperialistas e sistematicamente contra o Brasil mostram que além de qualquer consideração futebolística sobre a desclassificação da Seleção Brasileira seria preciso destacar e denunciar a participação decisiva da arbitragem contra o escrete canarinho.

Mas não é esse o caso. Os roubos da arbitragem, quando aparecem, aparecem de maneira dispersa, tímida e lateral. Há um silêncio por parte da imprensa golpista, que como não poderia deixar de ser não iria denunciar os seus patrões imperialistas. Já a esquerda e a imprensa progressista seguem o silêncio, evitam falar dos escandalosos erros da arbitragem e preferem reproduzir a tese, que só serve para enaltecer os países imperialistas, de que a derrota brasileira teria sido obra do próprio futebol brasileiro.

Os mal intencionados da imprensa golpista e pró-imperialista não querem falar do assunto. Não querem desrespeitar seus amos. Criam assim um falso moralismo, como se falar da arbitragem fosse “choro de perdedor”. Quando Dilma estava prestes a ser derrubada, essa mesma imprensa procurou convencer a própria esquerda e o povo de que não poderia falar a palavra “golpe”, falar em “golpe” seria uma espécie de choro de perdedor do PT.

Na prática, está proibido falar da arbitragem porque o imperialismo não quer que se fale no golpe da arbitragem. Simples assim. E os lacaios mal intencionados da imprensa golpistas seguem as ordens de seus chefes e manipulam os ingênuos.