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Antônio Carlos Silva

Uma arte criada pelo povo

Por que defendemos o futebol brasileiro

O debate sobre futebol está ligado às questões da cultura, portanto, são essenciais para um marxista

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Os problemas da cultura e da arte sempre foram uma preocupação dos marxistas. Isso porque são eles parte da criação e desenvolvimento da humanidade. Afeita a modismos e cada vez mais desligada das tradições do marxismo e do movimento operário em geral, a esquerda pequeno-burguesa oscila entre duas posições erradas sobre os temas da cultura. De um lado, a demagogia rasteira, desconsiderando o que considera vulgarmente de “cultura burguesa” e bajulando qualquer manifestação cultural que desde que ela seja “popular”. De outro lado, há aqueles que simplesmente desconsideram o tema, considerando “inúteis”, bem no espírito de: “enquanto te exploram, você ouve música”.

O futebol é um fenômeno social que se apresenta como um tipo específico de manifestação cultural. Apenas por isso, já seria de suma importância falar sobre o futebol, analisar seu desenvolvimento, seus movimentos.

Mas quando se trata de futebol, a maioria da esquerda pequeno-burguesa ignora o tema. Muitos dos que fazem demagogia com a “cultura popular” se escondem atrás de um “elitismo” no esporte, os que entendem a cultura como algo supérfluo assumem a posição de que “o futebol é o ópio do povo”.

O futebol brasileiro: nasce uma nova arte

As discussões sobre o futebol em geral não são, portanto, alheias aos marxistas, muito pelo contrário. Mas no caso brasileiro esse tema tem uma importância ainda maior.

Por uma série de lutas sociais, o esporte importado da Inglaterra acabou se transformando em uma das mais genuínas manifestações da cultura popular. Não a cultura popular vulgarizada pelos demagogos da esquerda, mas uma de fato um produto genuíno e legítimo da formação de nossa sociedade. E quando dizemos isso estamos falando em luta de classes.

Não nos cabe nessa coluna analisar o processo de lutas que se desenvolveu até a transformação do futebol brasileiro em uma forma diferente de futebol. Apenas vale ressaltar que essa transformação está intimamente ligada à luta dos negros – e por consequência da classe operária brasileira – por se estabelecer no esporte, no início uma exclusividade da burguesia.

Foi essa luta o que possibilitou que o brasileiro criasse uma nova forma de jogo, reconhecidamente no mundo todo como a “escola brasileira” ou o “futebol arte”. Foi o brasileiro – mais especificamente os negros e os trabalhadores em geral – o responsável por transformar um esporte em arte e assim se tornar o maior entre os maiores no esporte mais popular de todo o mundo.

Apenas por isso não deveria haver dúvida sobre a importância do futebol como fenômeno social a ser analisado.

“Futebol arte” e imperialismo

Mas há ainda outro fator de muita importância a ser analisado. Essa luta do trabalhador brasileiro pela “conquista do futebol” não se dá apenas em nível nacional. Uma vez estabelecido como cultura genuinamente nacional, cabe ao futebol brasileiro continuar a sua luta para se impor a nível internacional.

Essa luta foi vencida em parte pelos brasileiros, que são os maiores campeões de todos os tempos e têm reconhecidamente os melhores jogadores do mundo – em qualidade e quantidade. Esse domínio, no entanto, encontra uma gigantesca resistência do imperialismo.

Não seria necessário gastar muita tinta para explicar que o futebol, por ser o esporte mais popular do mundo, procurar ser rigidamente controlado pelos grandes monopólios imperialistas. O Brasil, sendo o maior exportador de jogadores, ou seja, a fonte de lucro desse esporte, está no centro da disputa imperialista pelos lucros no esporte.

O imperialismo age politicamente contra os países atrasados economicamente como é o caso do Brasil com o objetivo de controlar sua economia. No caso do futebol essa tentativa de controle se dá por maior dos chamados “cartolas” e por meio de uma enorme propaganda que visa a baratear o jogador brasileiro para comprá-lo pelo preço mais baixo possível aqui e vendê-lo o mais caro possível mais tarde.

Mas o domínio imperialista não se dá apenas nesse nível. Também é preciso controlar campeonatos e seleções porque não é possível para os capitalistas permitirem que um País atrasado como o Brasil seja completamente soberano no esporte mais popular do mundo.

Há o interesse do imperialismo em cada movimentação que acontece no futebol. Uma reportagem sobre determinado jogador não pode ser vista de maneira ingênua por aqueles que se dizem marxistas. Quando este Diário e a imprensa do PCO chamam a atenção para os ataques contra Neymar, principal jogador brasileiro, estamos chamando a atenção para as manipulações e interesses milionários que estão em jogo. Ignorar isso tudo e não ser marxista.

Por fim, desde que se estabeleceu como um elemento da cultura nacional o futebol tem sido um aspecto importante da luta anticolonial. Ele expressa, de maneira distorcida ou não, o nacionalismo do povo brasileiro contra seus algozes imperialistas. Essa luta anticolonial está muito claramente expressa em artigos e na crônica esportiva tradicional, como nomes como o do conservador Nelson Rodrigues, o dirigente do PCB, João Saldanha, e Mário Filho, o homem que melhor analisou a formação do futebol brasileiro. Esses e muitos outros defendiam o jogador brasileiro, criativo, artista da bola, contra o “robô” europeu, branco, sem criatividade.

De tudo isso, devemos concluir ainda mais uma coisa. A esquerda deve intervir nos assuntos relativos ao futebol, justamente por ser essa expressão genuína do povo brasileiro, em particular dos trabalhadores. Se abster de debates como esse é estar distante dos interesses da maioria do povo.

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