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Uma manobra da direita

Por que a política do “Não vai ter Copa América” é um erro

A esquerda pequeno-burguesa mais uma vez está a reboque da direita golpista, que procura retomar o controle da situação após as enormes mobilizações do dia 29

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Bolsonaro faz demagogia, a esquerda fica contra o povo – Foto: Arquivo

Menos de dois dias depois das gigantescas mobilizações que tomaram as ruas do País contra o governo Bolsonaro e contra os golpistas, manifestações que conseguiram furar o bloqueio que as direções da esquerda procuravam impor, aparece na situação política uma questão: a possível realização da Copa América no Brasil.

Assim que a notícia começou a circular, começaram a surgir vídeos e comentários de jornalistas da Globo, logo seguidos por setores da esquerda.

Uma tentativa de desfazer a polarização do dia 29

Para entender o que significa o verdadeiro cavalo-de-batalha que está sendo feito em relação à Copa América é preciso situar os fatos na situação política.

Até as manifestações do dia 29 de maio, o esforço de setores conciliadores da esquerda de impedir as mobilizações favorecia a direita tradicional em sua disputa eleitoral com Bolsonaro. A ausência de um movimento da esquerda nas ruas passava a impressão de que a divisão política no País se dava entre a extrema-direita bolsonarista e os setores da direita tradicional. Essa falsa divisão favorecia a própria direita que busca desgastar Bolsonaro procurando uma alternativa da direita para as eleições de 2022.

Antes de continuar, vale uma advertência: a divisão entre essas duas alas da direita é de tipo eleitoral. Fundamentalmente, ou seja, no que diz respeito aos ataques ao povo, a política dos golpistas tradicionais do PSDB, DEM, MDB etc não se difere da de Bolsonaro, a não ser pelo fato de que este não passa confiança para a burguesia, que gostaria de um nome de sua confiança, mas que pode ser empurrada a apoiar Bolsonaro como fez em 2018.

A situação, até o dia 29, criava oportunidades para a direita tradicional. A esquerda pequeno-burguesa e parlamentar ficava a reboque da direita e endossava essa política. Afinal, se a disputa se dá entre científicos e negacionistas, Doria, Ciro ou outro inimigo do povo poderia ser o candidato da ciência, tanto quanto Lula, se depender do Globo e da Folha, até mais que Lula.

A mobilização nas ruas, no entanto, deram um verdadeiro cavalo de pau na situação política. A mobilização transbordou, quase 100 mil pessoas (estimativa) estiveram nas ruas. Pessoas de esquerda, que romperam com a política da maioria das direções, foram para a rua exigir o fora Bolsonaro e as reivindicações do povo.

A mobilização escancarou a verdadeira polarização política no País: a esquerda e a direita golpista. Isso marca a morte da direita tradicional, totalmente impopular e que depende exclusivamente do apoio da burguesia e da conivência e cumplicidade da esquerda. Com a polarização de esquerda contra direita, de povo contra burguesia, Lula é o único candidato possível para o movimento, consequentemente, Bolsonaro torna-se também, a princípio, o melhor candidato para os capitalistas.

O cavalo-de-batalha da Copa América cria um destracionismo, tentando reativar a falsa polarização. Procura colocar novamente a esquerda no cercadinho controlado pela direita tradicional e a burguesia.

Bolsonaro novamente opõe a esquerda de classe média a setores do povo

Ao tentar restabelecer a falsa polarização política, ou seja, “ciência” contra negacionismo”, “barbárie contra civilização”, tanto a direita tradicional quanto Bolsonaro saem ganhando. Os primeiros porque tentam um respiro diante da derrota e o segundo porque permite reagrupar sua base de extrema-direita com uma nova demagogia, agora a Copa América.

Bolsonaro está usando a Copa América para justamente atrair a oposição para um fator completamente secundário, desviando do problema central levantado pela mobilização e ao mesmo tempo agrupando uma base em torno de uma questão popular que é o futebol. Bolsonaro está emitindo o seguinte sinal: “enquanto esses esquerdistas universitários fazem campanha contra o futebol eu estou trazendo o futebol para o povão”.

A classe média não gosta de futebol, mas quer decidir o que o povo quer

A esquerda se revela mais uma vez como um setor deslocado da população e morde facilmente a isca jogada por Bolsonaro. Basta uma rápida olhada na imprensa e nas redes sociais para perceber que a esquerda pequeno-burguesa está abandonando o foco na mobilização e trocando por um falso debate sobre a Copa América.

Dessa maneira, além de reforçar o distracionismo de Bolsonaro, a esquerda reforça a campanha de que ela não gosta do povo, não gosta de futebol.

A classe média esquerdista morde facilmente a isca de Bolsonaro porque ela mesma acredita que o povo não gosta mais de futebol e não torce para a Seleção Brasileira. Mostrando mais uma vez o descompasso entre a esquerda de classe média e o povo.

Vacinação para todos, eis a reivindicação do povo

Um dos argumentos dos que estão fazendo da Copa América o grande cavalo-de-batalha é a de que Bolsonaro não investe em vacina e combate à pandemia, mas vai gastar dinheiro com o evento.

Eis um argumento falacioso do ponto de vista econômico e profundamente equivocado do ponto de vista político. Sobre o primeiro ponto, trata-se de uma histeria que ignora que, por exemplo, um evento do tamanho da Copa América gera dinheiro para vários setores da economia do País. Portanto, de um ponto de vista meramente econômica, trata-se de uma conta que não faz sentido.

Do ponto de vista político, a palavra de ordem é colocada de maneira a causar a confusão que já explicamos acima. Ao invés de reforçar as reivindicações do povo – vacinação para todos, auxílio emergencial e investimento na saúde pública – que foram levantadas nas manifestações, a esquerda entre em uma oposição que não existe: Copa versus vacina, confundindo totalmente o panorama político.

A Globo é a “vanguarda” do pensamento da esquerda de classe média

Por parte da direita tradicional, a Copa América é uma oportunidade para sua campanha eleitoral contra Bolsonaro. Por isso tão rapidamente apareceram um sem número de artigos, comentários e vídeos de jornalistas da Globo e da imprensa golpista contra a Copa América. Através da crítica buscam diminuir o ganho político que Bolsonaro pode ter ao trazer o evento, sem se preocupar se irão fazer inimigos dentro das fileiras populares, afinal a direita já não tem apoio lá. O mesmo não vale para setores da esquerda

A esquerda pequeno-burguesa, que não pensa politicamente, se coloca novamente a reboque de uma campanha que está sendo levada pela direita, em particular a rede Globo. Muito interessante é a chuva de elogios da esquerda a um vídeo do narrador da rede Globo, Luís Roberto, criticando a Copa América. Justamente a esquerda que tanto critica a rede Globo, pelo menos no que diz respeito ao que eles chamam de manipulação do futebol.

De repente, a Globo se transformou, para setores da esquerda pequeno-burguesa, num exemplo de como tratar o futebol e a pandemia. Uma posição surrealista! Na realidade, o que interesse que move a Globo, além da manobra política já relatada acima, é o direito de transmissão da Copa América que está com o SBT. O que a Globo está fazendo é unir o útil ao agradável.

Continuar nas ruas, lutar contra os golpistas

Nesse caso da Copa América temos a seguinte situação: Bolsonaro quer retomar uma popularidade com a Copa América, a direita quer retomar o controle da situação política atraindo a esquerda contra Bolsonaro. E Bolsonaro e a direita estão juntos para fritar a esquerda e tentar se livrar do maior problema para ambos: as manifestações de rua.

A esquerda e os movimentos populares devem lutar pelas reivindicações concretas do povo. É preciso adotar uma política independente tanto de Bolsonaro quanto da direita golpista tradicional. É preciso continuar nas ruas por vacinas para todos, auxílio emergencial de verdade para o povo e derrubar Bolsonaro e o golpe de Estado.

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