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Neoliberalismo é destruição
Por que a indústria brasileira sofre um retrocesso histórico?
Desde 2014, a indústria nacional despencou incríveis 15%. Este retrocesso histórico é consequência direta da política neoliberal imposta pelo golpe de Estado
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Neoliberalismo é destruição
Por que a indústria brasileira sofre um retrocesso histórico?
Desde 2014, a indústria nacional despencou incríveis 15%. Este retrocesso histórico é consequência direta da política neoliberal imposta pelo golpe de Estado
Indústria nacional sobre um retrocesso histórico. Foto: Ricardo Almeida/ANPr
industria brasileira
Indústria nacional sobre um retrocesso histórico. Foto: Ricardo Almeida/ANPr

A situação econômica do Brasil hoje é gravíssima. Além da completa ausência de crescimento econômico, da inflação que, embora ainda represada, pode disparar conforme a crise avança e do alto desemprego, os dados relativos à indústria brasileira são uma hecatombe. Nos últimos 5 anos, desde 2014, a indústria brasileira recuou incríveis 15 %. O retrocesso é tão grande que pode tirar o Brasil do hall das 10 maiores economias industriais do mundo.

Diante deste retrocesso histórico da indústria brasileira, devemos nos perguntar: qual a causa dessa queda brutal?

A resposta para essa pergunta é bem simples. A razão para a devastação da indústria brasileira é a aplicação da política neoliberal, que tem sido a tônica do governo federal desde 2016, após o golpe em Dilma e a ascensão de Michel Temer. O governo Bolsonaro aprofundou ainda mais essa política, com Paulo Guedes no comando da economia. O País viveu essa experiência anteriormente, nos governos Collor e FHC.

O neoliberalismo, que é defendido com unhas e dentes pela grande imprensa internacional, está ancorado no chamado Consenso de Washington, que sintetiza a política do imperialismo para lidar com a crise econômica de 1974. O Consenso inclui 10 regras, que explicitam o programa profundamente destrutivo do neoliberalismo.

Veja a seguir estas 10 regras, destacando o caráter devastador de cada uma delas.

 

1) Disciplina fiscal

Por disciplina fiscal, a direita quer dizer uma política de redução de investimentos e de concentração dos recursos no pagamento de juros da dívida pública. Quando argumenta em favor desse ponto, os liberais costumam fazer uma analogia da economia de um País com as contas domésticas de uma família. Se o trabalhador não tem dinheiro pra colocar comida em casa, não pode gastar com “besteiras”. Essencialmente, é assim que se desenvolve o argumento. A comparação, no entanto, é completamente descabida, afinal, a economia de um país movimenta uma quantidade de dinheiro e recursos humanos infinitamente maior do que um mero orçamento familiar, mas a direita insiste nesta precária analogia. Além disso, um trabalhador com oriento apertado, não pode cortar na alimentação, “economiza” na compra de remédios etc. para pagar dívidas com bancos e deixar que a família morra.

 

2) Redução dos gastos públicos

Ponto autoexplicativo. Por gastos públicos, a direita quer dizer todos os gastos sociais. Assim como o ponto anterior e toda a lógica geral desta política, tudo converge para a redução dos gastos com a população, como saúde e educação públicas.

 

3) Reforma tributária

Quando os neoliberais falam em reforma tributária, eles querem dizer que os grandes capitalistas são grandes injustiçados, que supostamente teriam que arcar com muitos impostos. Qualquer adulto minimamente informado sabe que nada poderia ser mais distante da realidade, os ricos não pagam quase nada para o fisco, o peso do sistema tributário brasileiro escora-se na classe operária e nas classes médias. Querem uma “reforma” tributária que favorece ainda mais os grandes capitalistas.

 

4 e 5) aplicação de Juros e câmbio de mercado

Os itens 4 e 5 foram agrupados. De uma maneira resumida, a aplicação dessas regras estrangula a possibilidade do Estado intervir na economia, deixando-a totalmente sob o controle do sistema financeiro, isto é, o imperialismo internacional.

 

6) Abertura comercial

Os grandes capitalistas internacionais arruinaram completamente qualquer possibilidade de livre mercado. Conforme explicou Lênin, em seu livro “Imperialismo, fase superior do capitalismo”, desde que os grandes monopólios internacionais passaram a controlar toda a economia mundial, a partir do final do século XIX, já não é mais possível falar em livre concorrência, algo fundamental para a própria sobrevivência do capitalismo. Ao impor a abertura comercial, a economia local de países atrasados  – como o Brasil – vira presa fácil dos grandes tubarões internacionais, o próprio imperialismo.

 

7) Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições

Trata-se permitir o investimento estrangeiro direto, eliminando entraves, faz com que o controle do imperialismo de uma economia nacional se aprofunde ainda mais.

 

8) Privatização das estatais

Um ponto que tem influência direta na vida da classe operária, leva à demissão de dezenas ou até centenas de milhares de servidores do setor público, bem como a destruição das principais políticas sociais dessas empresas; fazendo com que seus serviços e produtos se tornem inacessíveis a milhões de pessoas. Tudo pra garantir o lucro de um punhado de abutres que se apoderam das estatais, com sua política de rapina e destruição

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9) Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas)

Ataque direto aos direitos dos trabalhadores, pura e simplesmente. Integram essa política  a reforma “trabalhista” de Temer e a “reforma” previdenciária de Bolsonaro.

 

10) Direito à propriedade intelectual

Permite que os grandes capitalistas mantenham a indústria nacional amarrada, afinal envolve a proteção das patentes milionárias que estão sob a posse dos grandes capitalistas internacionais, como podemos ver claramente no caso emblemático das sementes transgênicas da Monsanto ou da indústria farmacêutica, com seus medicamentos caríssimos e patenteados.

O que temos de conjunto é uma política devastadora, que na prática destrói uma quantidade colossal de forças produtivas ao redor do mundo, para favorecer o imperialismo e postergar a bancarrota dos grandes capitalistas, consequência da crise que eles mesmos criaram.