Frente ampla
Os sucessivos elogios ao “youtuber” Felipe Neto são a expressam a política reacionária defendida pela esquerda pequeno-burguesa de procurar salvar o regime político
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15/03/2019
Felipe Neto. | Foto: Reprodução

Há alguns dias, o empresário e “youtuber” Felipe Neto conseguiu figurar nas páginas de inúmeros órgãos da imprensa burguesa e, sobretudo, da imprensa dita progressista. Tal resultado, por sua vez, não vem de qualquer mérito individual seu, mas sim porque a discussão em seu torno revela um embate decisivo para a atual etapa em que se encontra a luta política. Em artigo publicado pelo portal Vermelho, intitulado “Youtuber bombou no campo progressista porque não ameaça a fragmentação”, a jornalista Carolina Maria Ruy, que assina o texto, comprova, novamente, que a defesa insistente da esquerda pequeno-burguesa em forjar uma aliança com o “youtuber” está diretamente ligada com os antigos esforços de formar a chamada frente ampla.

No meio do artigo, a jornalista declara:

Não cabe aqui uma crítica ao Youtuber, nem há interesse em fazê-la. O que liga o sinal de alerta é que sua defesa em parte do campo progressista contrasta com o comportamento de gueto verificado quando se trata de dialogar com políticos de partidos que não rezam pela mesma cartilha.

Dizer que já apenas diferenças entre os partidos políticos de esquerda e Felipe Neto é uma desonestidade ou, na melhor das hipóteses, pura ignorância. Segundo o próprio empresário revelou em entrevista ao Roda Viva, a política que defende está situada entre Ciro Gomes (PDT) — um dos principais militantes antipetistas do momento — e o banqueiro João Amôedo (Novo) — cuja política é fundamentalmente a mesma da do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro, como se comprova no governo de Romeu Zema (Novo-MG). Entre João Amôedo e a esquerda já não há diferenças, há um problema de classe latente: enquanto o primeiro defende os capitalistas, sanguessugas de todos os povos, o segundo deveria defender o povo em sua luta pela sobrevivência.

Pelo exemplo do próprio Felipe Neto, seríamos levados a concluir que, para Carolina Maria Ruy, qualquer pessoa que se diga contra o governo Bolsonaro deveria ser chamada para uma aliança com a esquerda. E é justamente esse o debate que está colocado por trás da figura do “youtuber”: se Felipe Neto, que é um empresário que odeia o PT e simpatiza com o Partido Novo pode integrar a frente ampla, qualquer um poderia.

Com efeito, é isso o que a jornalista defende em seu artigo, de maneira até bastante aberta:

Frente ampla é o movimento que resulta de um grande diálogo político entre partidos e movimentos sociais de esquerda, centro esquerda, centro e até setores da centro direita em torno do compromisso de um programa em comum.

Os termos utilizados, no entanto, enganam e acabam ofuscando a realidade. O que seria exatamente um partido “de centro”? E qual a diferença entre “centro direita” e “extrema-direita”. Para tornar a discussão mais concreta, podemos citar mais uma passagem do texto:

Um exemplo de ação ampla bem sucedida foi a realização do Primeiro De Maio Unitário das Centrais Sindicais neste ano.

A ação que é elogiada pela jornalista, contudo, é um dos episódios mais vergonhosos de todo o movimento operário brasileiro. Nesse dia, os dirigentes das maiores organizações da esquerda nacional chamaram para seu palanque vigaristas como Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Ciro Gomes (PDT), Wilson Witzel (PSC) e João Doria (PSDB). Ou seja, verdadeiros inimigos do povo, seja por terem cumprido um papel fundamental para a aplicação da política neoliberal no país, seja por atitudes abertamente fascistas, como atirar de um helicóptero sobre a população pobre do Rio de Janeiro.

Entendida a frente ampla nesses termos, torna-se claro porque a esquerda pequeno-burguesa tem feito tanta propaganda contra a “polarização política” e contra a “fragmentação da esquerda”. Ambas as queixas pode ser encontradas no artigo de Carolina Maria Ruy:

Esta defesa de fachada da frente ampla, empunhada por sectários crônicos, porém disfarçados, é perigosa porque esconde os sintomas da doença da fragmentação e da intolerância.

(…)

Por ora estamos condenados à polarização e ao fisiologismo de sempre.

A polarização política é um fenômeno natural da luta de classes, não é obra de partido algum. E consiste justamente na dissolução do centro político que a esquerda pequeno-burguesa se esforça em manter: é a polarização entre as tendências revolucionárias do povo, casado de ser feito de tapete pelos maiores picaretas da face da terra, e a burguesia cada vez mais fascista, que lança mão de qualquer meio para impedir que os trabalhadores tomem o poder. A fragmentação, por sua vez, é a consequência dessa polarização — é como ela se expressa no interior dos partidos, das frentes, das organizações em geral.

Lutar contra a polarização é lutar para que a burguesia siga controlando a classe operária por meio de seus expedientes já conhecidos. E lutar contra a fragmentação é lutar para que as tendências mais combativas do movimento operário e da esquerda se livrem dos setores que são contrários aos seus interesses, os setores que pesam contra qualquer luta política real.

A frente ampla, deste modo, só pode ser entendida como um recurso para salvar o regime político a todo custo. Quem está sendo salvo da fúria do povo é Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e todos os demais convidados para o primeiro de maio. O povo, por outro lado, não está sendo salvo de coisa alguma. A frente ampla não é alternativa ao fascismo: é o seu complemento, uma operação da burguesia para neutralizar a ação da esquerda em tempos de polarização.

É preciso, portanto, romper com essa política. Os trabalhadores devem rejeitar qualquer compromisso com os bandidos políticos do regime. Se estão entrando em falência, se estão sendo devorados pela extrema-direita, que assim seja! É preciso dar total independência aos trabalhadores para elevar a polarização política ao máximo: isto é, à derrubada do regime político golpista.

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