Jones Manuel/Guilherme Boulos
Por defender a frente ampa a esquerda pequeno burguesa não quer debater politicamente com o PCO
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Jones Manoel | arquivo

As recentes recusas em discutir as críticas levantadas pelo PCO por expoentes da esquerda pequeno-burguesa, como o candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) e o youtuber Jones Manoel (PCB), revelam questões salientes não somente sobre pertinência metodológica da crítica na luta política, como aspectos da própria natureza tacanha e confusa dessa esquerda.

Entretanto, o mais relevante a ser analisando não é a descompostura dos incomodados, nem rebater os “terríveis” ataques contra o PCO, um partido apresentado como não sendo “sério”, formado por sinistros “sociopatas”, “mentirosos” contumazes, que usam da “canalhice” contra injustiçados, entre outras coisas.

O que contrapor a essas acusações? Nada, pois estas sim não são questões sérias, são bobagens simplesmente. Entretanto, essas lamentações contra o PCO,  não tem nada de inocentes, trata-se de uma dissimulação para evitar um debate de conteúdo político.

Não podemos nos impressionar com o aparente desdém em relação ao PCO. O que precisamos apresentar para o debate é exatamente aquilo que quer ser evitado.  Afinal, o que PCO disse sobre Boulos e Jones Manoel que suscitou tanta indignação e revolta?

O que os melindrados não querem discutir de jeito nenhum?

O que provocou essa reação escandalosa foi a denúncia do PCO que as vedetes da esquerda, como por sinal praticamente toda essa fauna política da esquerda pequeno-burguesa, apoiaram, de uma forma ou de outra, o golpe de Estado em 2016, sendo que hoje continuam apoiando o golpismo,  na medida em que fazem  parte de uma complexa operação política para, através da frente ampla, colocar a esquerda a reboque da direita golpista.

 

A esquerda que foge do debate como o diabo foge da cruz

 

A crítica e o debate sempre foram instrumentos fundamentais da luta revolucionária, e do marxismo em particular. Uso da polêmica e do debate é um aspecto central no marxismo, que tem uma natureza polêmica desde a sua origem. Isso porque sem refutar uma posição equivocada não é possível progredir, é preciso combater uma posição errada para colocar no lugar uma posição que se considera correta.

Esse jogo de esconde e esconde da esquerda pequeno-burguesa é da própria natureza da política centrista e confusa desse setor.  Na atualidade, a esquerda pequeno-burguesa é constituída, na sua esmagadora maioria, por integrantes das camadas médias, com papel relevante de professores “marxianos”, que assimilaram como uma espécie de doença ocupacional os métodos mais ossificados e negativos vigentes em ambientes artificiais academicistas.

Assim, predomina a diplomacia e exaltação dos parceiros. Neste ambiente de classe média, onde o prestígio entre os pares é um “capital simbólico” a ser defendido, a “fama” conquistada, como diria Jones Manoel, não pode ser ameaçada por críticas inconvenientes.

Por isso, a tosca justificativa que “não debato com quem tem menos fama que eu”, usada pela youtuber do PCB para não participar de um debate, é vista como razoável. A esquerda pequeno-burguesa alimenta a sua vaidade e seus autoenganos, como em show de calouros em programa dominical. Neste ambiente, logicamente, a crítica nunca é bem-vinda, predominando autoelogios e promoções mútuas, até são permitidas contentas, desde que sejam por motivos banais ou questões ultra secundárias.

A norma para esquerda pequeno-burguesa centrista é ser indiferente em relação aos argumentos políticos contestadores que podem prejudicar a “fama” dos pretensos esquerdistas. O método leninista de aprofundar as caracterizações políticas e a luta pelo esclarecimento, através da delimitação de posições, é simplesmente classificado como “picuinha” ou “canalhice”.

Qualquer crítica é vista como uma ofensa mortal. Curiosamente, essa esquerda é frequentemente “aberta e democrática” em relação às posições conservadoras e do status quo, quando muito são apresentadas críticas pontuais e inofensivas. Por sua vez, em relação à esquerda revolucionária, os marxianos são em geral intransigentes ou simplesmente silenciam, agindo com um falso desdém, como vimos nas declarações de Boulos e de Jones Manoel.

Assim, como explicar que o partido que “não é sério” foi o único que soube efetivamente analisar e entender o golpe de Estado de 2016? Nenhum dos prestigiados e “famosos” analistas da esquerda pequeno-burguesa e da esquerda reformista, e mesmo da burguesia, foram capazes de qualquer avaliação concreta do que estava acontecendo no país. Mesmo assim, depois do golpe, foram dezenas, talvez centenas de livros, mas simplesmente não trazem referência sobre o que disse o PCO.

Esse jogo de compadres completamente estéril intelectualmente é apresentado como “um ambiente que respeita as diferenças”, é justamente disso que Jones Manoel fala, quando se nega a discutir com Rui Costa Pimenta, pois o mesmo não o “respeita”, afinal, o PCO transgride as “regras de convivência” da esquerda pequeno-burguesa de não fazer discussão nenhuma sobre o conteúdo político das posições apresentadas.

Vigora um tipo de diplomacia entre os compartes da mesma nulidade política. De forma alguma é sinal de solidariedade socialista, expressando uma completa prostração ideológica dos que se autodenominam “marxianos”, como seus inúmeros rótulos, grasmscianos, lukacsianos, até mesmo “trotskistas” e, mais recentemente, “neosstalinistas”.

 

Força auxiliar do Golpe de Estado em 2016 e da frente ampla em 2020

 

Em 2016, as forças conservadoras e reacionárias se unificaram para promover um golpe de Estado que derrubou o governo Dilma Rousseff. Como parte da engrenagem golpista, o judiciário foi acionado, parlamentares foram comprados, e a imprensa burguesa fez uma intensa campanha contra o governo do PT em torno da “corrupção”. Naquela ocasião, a quase totalidade da esquerda pequeno-burguesa, que se apresentava como “combativa” e opositora ao governo petista, ficou completamente a reboque da direita pró-imperialista.

Agrupamentos mais afoitos como o PSTU chegaram a defender o “Fora Dilma” e o “Fora todos”, posteriormente chegaram a apoiar a prisão do ex-presidente Lula. Por sua vez, setores do PSOL como o MES de Luciana Genro defenderam, entusiasticamente, a Lava Jato.

Em geral, os agrupamentos da esquerda pequeno-burguesa negaram de pé junto que estava em marcha um golpe de Estado. Depois do golpe, quando não era mais possível manter a política negacionista do golpe, e confrontados com os ferozes ataques dos governos golpistas, a esquerda pequeno-burguesa procurou apagar os vestígios da sua política pró-golpe, inclusive alarmada com a desagregação do PSTU, que abertamente defendeu a queda do governo do PT.

Assim, Guilherme Boulos, que organizou os atos “Não vai ter Copa”, que afirmava que “os governos do PT eram indefensáveis”, criador da Frente Povo sem Medo para enfraquecer e dividir a frente única contra o golpe, passou a se apresentar como a “grande liderança contra o golpe”.

Por sua vez, Jones Manoel, seguindo a política de avestruz do PCB, negou que haveria a possibilidade do golpe e, utilizando-se como álibi o ajuste fiscal realizado pelo governo Dilma, se negou a lutar contra o golpe, posteriormente colocou-se contra a campanha pela liberdade para Lula. Pois bem, questionado sobre suas posições pró-golpe, procura disfarçar afirmando que foi um problema de “calibragem” do seu discurso. Não explicando, evidentemente, que o “calibre” adotado representou, na prática, um apoio a direita golpista, inclusive finge “ indignação” contra a “ mentira” de que ele apoiou o golpe.

Na época do golpe, a norma era  aproveitar qualquer ocasião para lançar contra os “governistas” toda sorte de acusações. O antipetismo proliferou não somente entre os coxinhas impulsionados pela campanha da imprensa, mas também era a lei entre os grupos e partidos da esquerda pequeno-burguesa.

Um exemplo de um ambiente dominado pelo “anti governismo”, que representou uma frente com a direita golpista, foi o Andes, sindicato nacional dos docentes. Nos eventos e instâncias do Andes, o antipetismo exalava com toda força, e qualquer um que, ainda que remotamente, mencionasse que poderia haver um golpe organizado pela direita seria imediatamente tratado como um “governista”, “traidor” etc. Afinal, predominava a visão defendida pelo consórcio da esquerda pequeno-burguesa, PCB, PSTU e PSOL de que “não existia golpe algum”, que “golpe era uma invenção do próprio PT”.

Neste sentido, o Andes era a aplicação da política defendida por Valério Arcary de que “ninguém na direita queria golpe”, ou mesmo de Jones Manoel, que a esquerda deveria evitar a “histeria do golpe”. O Andes é prova cabal do apoio ao golpe por parte desses setores, até mesmo um posicionamento elementar como lutar contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (os deputados do PSOL chegaram inclusive a votar contra)  foi rejeitado pela entidade dirigida pelo consórcio da esquerda pequeno-burguesa.

Em praticamente todas as questões fundamentais os expoentes da esquerda burguesa seguem a direita. A principal questão, que inclusive motivou a irritação e os chiliques protagonizados por Guilherme Boulos e Jones Manoel, foi justamente as denúncias do papel da frente ampla na atual conjuntura. Não por acaso, em SP, a candidatura de Boulos está sendo insuflada pela direita, como os jornais golpistas Folha, Estadão e pela insuspeita revista Veja. Qual o objetivo dessa celebração da imprensa capitalista, ou seja, da burguesia, de uma candidatura da “esquerda radical”?

A grande questão que a burguesia precisa resolver é como controlar o regime político instável, estabelecendo uma continuidade do golpe, para isso é preciso impedir a participação democrática da população, uma vez que o afastamento da esquerda reformista (PT) derrubada pelo golpe precisa continuar.

Para isso, é realizada uma séria de manobras políticas e judiciais, para manter a proscrição do ex-presidente Lula, e sequestrar o voto da esquerda através da manipulação eleitoral e da campanha pela frente ampla. A “oposição” bolsonarista  liderada por setores que deram o golpe de Estado em 2016, como MDB,DEM e PSDB, procura ao mesmo tempo atacar o lulapetismo e se apresentar como “ democrática”.

Setores da direita do PT, do PSOL e o PCdoB alimentam a ilusão de que aliando-se com a direita tradicional, através de uma frente ampla, poderá defender a “democracia”. Na verdade, trata-se de uma capitulação política. A unificação com os golpistas servirá tão somente para colocar os trabalhadores a reboque das classes dominantes.

A esquerda pequeno-burguesa embarcou primeiramente pelas beiradas e depois com incontido entusiasmo nas articulações com a direita golpista. Boulos chegou a afirmar que a frente com a direita golpista em 2020 teria a mesma envergadura da campanha das diretas já em 1984, curiosamente é mote da campanha principal da Folha em apoio à frente ampla, com o uso do amarelo.

Arrastar os trabalhadores para uma política de frente ampla é a política principal da burguesia, para isso a propaganda da candidatura de Boulos como o “candidato viável da esquerda” em São Paulo. O objetivo é enfraquecer o PT na principal cidade do país, e com isso desmontar ou pelo menos atenuar a polarização política.

O combate ao centrismo e à esquerda pequeno-burguesa não é simplesmente uma discussão “abstrata” contra farsantes políticos como Boulos, e secundariamente figuras agregadas como Jones Manoel, mas é uma luta contra a direita golpista, que de forma modificada utiliza dessa esquerda pequeno-burguesa, bem como dos defensores da frente ampla, como o PCdoB e a direita do PT para impor uma política de ataques aos interesses dos trabalhadores. Por isso, fazer vista grossa ou até mesmo apoiar Boulos em São Paulo significa fortalecer as manobras da direita contra os trabalhadores.

No desenvolvimento da luta contra o regime golpista não é possível contornar a necessidade da crítica das posições dos defensores da frente ampla, seja eles quem forem, “famosos” ou não.

 

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