A política da frente-ampla
Na remodelagem política que a burguesia pretende, a substituição da representação política dos trabalhadores por uma esquerda domesticada e de classe media é central
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Presidential candidates (L-R) Ciro Gomes, Guilherme Boulos and Geraldo Alckmin are pictured ahead of a televised debate in Rio de Janeiro, Brazil October 4, 2018. REUTERS/Ricardo Moraes
Boulos é hoje uma peça central utilizada pela burguesia para a liquidação do PT | Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O apoio de diversos setores da direita golpista a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) a prefeitura de São Paulo foi decisivo para levá-la ao segundo turno da eleição. A manipulação das pesquisas eleitorais e os afagos da imprensa capitalista a Boulos, aliado ao ataque severo candidatura do PT, ora escondendo-a, ora exigindo sua retirada, deram a tônica da manipulação eleitoral que teve como desfecho o segundo turno inédito entre o PSDB com Bruno Covas e o PSOL com Boulos, apresentados pela direta golpista como novos protagonistas da esquerda. Mas afinal o que a direita golpista quer com Boulos?

Desde o primeiro dia de campanha a burguesia golpista, principalmente por meio da imprensa capitalista, trabalhou por esse resultado, como não recordar da matéria publicada no início da campanha pela golpista Veja de título: “Boulos: o maior fenômeno eleitoral de 2020?”, em que o articulista destaca que o candidato psolista “… já começava a ganhar terreno no histórico eleitorado paulistano do PT”. Esse foi o tom que sobressaiu na imprensa golpista em relação a Boulos e já nos dá pistas sobre o interesses da burguesia em Boulos e no PSOL.

As pesquisas eleitorais estavam todas de acordo com o impulsionamento que imprensa capitalista deu ao candidato do PSOL,  este apareceu desde o primeiro momento entre os três primeiros colocados, atrás de Bruno Covas (PSDB), de espantalho Russomano (Republicanos). O candidato do Partido dos Trabalhadores, por sua vez, apareceu por semanas entre os últimos colocados, com apenas 1% das intenções de votos.

A própria imprensa capitalista, como de costume, criou um factoide, de que Jilmar Tatto, candidato do PT, abandonaria a candidatura em favor de Boulos, que gerou certo alvoroço na esquerda, a propria burguesia golpista realizou pela imprensa capitalista uma campanha em favor da retirada de Tatto de pleito para supostamente possibilitar a ida de Boulos ao segundo turno, aliado a isso realizaram também uma campanha do voto útil, se Boulos é o candidato que segundo as pesquisas é o único com condições de ir ao segundo turno, os votos da esquerda, principalmente do PT, deveriam migrar para ele.

A posição de Vera Magalhães, colunista do Estadão e um das principais vozes da direita golpista, publicada em suas redes sociais explicita bem a posição da burguesia, Magalhães Twittou, sobre uma matéria de opinião crítica a Boulos, o seguinte:

“Bastou desafiar o PT que o “companheiro” já virou “burguês”. Vai ter frente ampla sem petista na cabeça, sim. Confia, esquerda!”

A campanha surtiu o efeito esperado, Tatto do PT ficou com 8% dos votos, enquanto Boulos teve pouco mais de 20% indo para o segundo turno. Fica evidente que a campanha eleitoral no primeiro turno serviu para transferir a votação do PT, que tem uma base eleitoral na cidade que, excetuando a eleição golpista de 2016 em que teve 16% dos votos, nunca teve menos de 20% de votos na cidade, para o PSOL. A burguesia conseguiu transferir o voto da classe média de esquerda, que antes acompanhava o PT para Guilherme Boulos e festejaram o feito.

Confirmado o segundo turno, não demorou muito para que estes setores da direita golpista, rejubilando-se com seu feito, saíssem ao apoio de Boulos novamente, agregando ainda outras figuras e mesmo partidos dessa mesma direita “civilizada”. A Rede declarou apoio a Boulos, esperasse que os também golpistas PSB e PDT façam o mesmo. Boulos, por sua vez, moderou o discurso procurando se apresentar mais amigável e palatável para a direita, basta assistir os debates ou a entrevista, uma troca de afagos, que concedeu ao direitista apresentador da direitista Bandeirantes, Datena um dia após a votação, para o confirmar.

Vejamos um exemplo, o direitista Reinaldo azevedo escreveu sobre ida de Boulos para o segundo turno em sua coluna no UOL:

“… Boulos já é o grande vencedor, ganhe ou não a eleição. É o nome da esquerda que obteve mais votos no país, ainda que com um percentual menor do que João Coser e Marília Arraes. De líder de um movimento popular por moradia, passa a ser uma referência da esquerda no país”.

Opinião semelhante também manifestou o golpista Sérgio Moro ao se referir ao PSOL, segundo ele:

“O resultado das eleições municipais foi fragmentado, sem um claro vencedor nacional, o que sinaliza a prevalência do interesse local. Há alguns resultados interessantes, os candidatos apoiados pela Presidência fracassaram e o PSOL tornou-se o partido de esquerda mais relevante”.

Boulos não é o candidato da burguesia, nem o PSOL o seu partido, contudo são peças fundamentais na política do setor mais importante da burguesia, o chamado centro político. Boulos está sendo impulsionado pela burguesia para assumir a liderança da esquerda nacional, substituindo assim o PT, mais precisamente o PT lulista, porque o PT lulista é uma ameaça para a dominação da direita golpista devido à sua base de massas, enquanto Boulos é um político pequeno-burguês sem base popular e, portanto, é inofensivo para a burguesia tanto do ponto de vista eleitoral, quanto da mobilização das massas.

Na remodelagem política que querem realizar no regime, não há espaço para um partido com com o peso social do Partido dos Trabalhadores, que é nesse momento a direção de um enorme movimento operário (CUT) e de movimentos sociais (MST e outros) além de sua influência eleitoral sobre amplas massas, que ameaçam a estabilidade do regime político que a direita quer estabilizar. A burguesia quer uma esquerda domesticada, que não atrapalhe os seus planos.

É uma operação profunda, cujo, sentido não é a mera substituição de um partido de esquerda por outro, mas a desarticulação política do movimento operário e social brasileiro. O PSOL é um partido que não tem ligação com as massas operárias, não está ligado a elas e nem é reconhecido por elas, mas um partido tipicamente de classe média, sem força social alguma, cuja única capacidade é de discursar no Congresso nacional quando muito, dará uma aparência democrática ao regime, mas sem ter poder efetivo para impor qualquer reivindicação operária ou democrática, ou seja, é a eliminação completa da representação política da classe operária e dos mais pobres no regime político brasileiro. Toda a esquerda, inclusive o próprio PT se calam diante da manobra nefasta, e não somente, participam dela. O que a burguesia está fazendo é enfraquecer a esquerda de maneira drástica para torná-la inócua, a esquerda aceita em troca do sonho de uma prefeitura.

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