Fora Bolsonaro e os golpistas!
Contra os método desmobilizadores da burguesia golpista, é preciso transformar as próximas manifestações em protestos da classe operária
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Faixa pelo Fora Bolsonaro | Foto: Diário Causa Operária

Nada menos do que 12% de todas as mortes causadas pelo novo coronavírus ocorreram no Brasil. Não fomos o primeiro país a manifestar casos da doença, nem somos o mais populoso, nem sequer dispomos de condições climáticas que possam justificar o fato de que nosso País figure entre os dois mais devastados pela Covid-19 em todo o planeta. O motivo tem outra natureza: o genocídio em marcha no Brasil está sendo comandado por um presidente de extrema-direita, capacho do imperialismo e inimigo do povo.

Não há forma alguma de impedir que a pandemia continue matando dezenas de milhares de pessoas ou que a crise econômica empurre milhões de brasileiros para a pobreza a não ser por meio de uma luta intransigente pela derrubada imediata do governo Bolsonaro e de todos os golpistas que estão sugando o sangue da população. Enquanto a burguesia estiver no poder, não haverá tratamento algum para os doentes, todo o patrimônio nacional será entregue para os capitalistas — até mesmo a água! — e os patrões irão esfolar os trabalhadores vivos.

A esquerda já deu alguns importantes passos para que os trabalhadores tomassem as ruas contra o governo Bolsonaro. Os mutirões e os primeiros atos pelo Fora Bolsonaro, organizados pelos comitês de luta e pelo Partido da Causa Operária, mesmo em um momento em que a esquerda pequeno-burguesa fazia campanha pelo “fique em casa”, criaram as condições para que, no mês de junho, ocorresse centenas de manifestações contra o presidente ilegítimo. De norte a sul do País, os setores mais combativos da esquerda, liderados, novamente pelo PCO e pelos comitês de luta, saíram às ruas durante todo o mês e inviabilizaram as manifestações bolsonaristas.

Neste momento, é preciso dar mais um passo adiante. Agora que a campanha do “fique em casa” já foi superada pela experiência dos trabalhadores, agora que os atos pelo Fora Bolsonaro começam a virar uma rotina, agora que a maioria dos trabalhadores está sendo obrigada a trabalhar por causa da reabertura econômica, é preciso que as mobilizações se intensifiquem e adquiram um verdadeiro caráter de luta. É preciso que os atos sejam amplamente convocados pelas grandes organizações populares, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e que as bases dessas organizações compareçam em massa, levando suas bandeiras.

Neste momento, o maior entrave para que a esquerda ocupa de fato as ruas — isto é, para que os atos se transformem em atos de massa que sejam capazes de impor uma derrota à direita — é a chamada política de “frente ampla”. Por iniciativa da burguesia, os setores mais direitistas da esquerda nacional, que, apesar de serem minoritários, ocupam cargos dirigentes, estão procurando formar uma aliança entre as organizações do povo e os partidos da direita golpista. São representantes notórios da “frente ampla” figuras como Guilherme Boulos (Psol) e Flávio Dino (PCdoB), bem como o grupo “Somos Democracia”.

Para formar uma aliança com a direita, esses setores não podem defender uma mobilização verdadeiramente popular. E é justamente por isso que estão defendendo uma política reacionária, paralisante, que levará, inevitavelmente, à dispersão, a menos que seja combatida. Como expressões dessa política, podemos citar os acordos com a PM, a Justiça, o governo Doria e uso, sob aplauso da Folha de S.Paulo, das cores verde e amarela. No próximo dia 12, esses mesmos setores estão defendendo a realização de um “culto ecumênico”, em contraposição a um ato vermelho e dos trabalhadores.

É preciso contrapor essas propostas com propostas realmente combativas, com atos de verdade. Porque aqueles não são atos do povo. Afinal, não vai ser pedindo a Deus que Bolsonaro vai cair. Atos de verdade têm faixas, bandeiras, cartazes, povo na rua organizado, de vermelho, radicalizado, pedindo o Fora Bolsonaro e fazendo intensa propaganda e agitação.

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