Pontos de crise na América Latina dificultam plano de golpe continental do imperialismo

bolsomacri

Desde 2008, o imperialismo realizou uma série de golpes de Estado na América Latina. Motivada pela crise capitalista, que colocou os banqueiros sob seríssimo risco de verem o seu império conquistado sobre a exploração de todos os povos do mundo desmoronar, a burguesia internacional derrubou os governos de esquerda do Paraguai e do Brasil, deu um golpe militar em Honduras, colocou um capacho norte-americano por meio de uma fraude eleitoral na Argentina e corrompeu um elemento ligado ao governo nacionalista de Rafael Correa para que o povo equatoriano fosse submetido aos interesses do capital estrangeiro.

Após os golpes de Estado, o imperialismo conseguiu controlar de maneira muito mais precisa os governos latino-americanos, de modo que foi estabelecido um alinhamento em questões relevantes de política externa – como no caso da Venezuela – e foi dado início a uma grande operação de saque contra toda a população latino-americana. Contudo, os regimes que foram erguidos sob os golpes de Estado na América Latina não estão se mostrando tão fortes como previsto pelo imperialismo.

No Haiti, onde a população vem sofrendo com um golpe de Estado dado em 2004, mas muito mais aprofundado depois de 2008, o governo está começando a ceder a algumas reivindicações populares. Essas concessões indicam que o imperialismo está sendo obrigado a recuar em alguns de seus ataques por causa da revolta da população haitiana. Mesmo tendo investido durante anos para que o governo haitiano ficasse refém de seus interesses, o imperialismo está tendo dificuldades de avançar com seu programa de destruição e saque do Haiti porque a revolta popular está colocando em xeque a possibilidade de os trabalhadores derrubarem o regime político na marra.

No Equador, o presidente eleito foi Lenín Moreno, que já foi vice-presidente de Rafael Correa, que se consagrou como liderança do nacionalismo latino-americano. Entretanto, a política de Moreno se tornou tão abertamente pró-imperialista e tão contrária aos interesses da população – incluindo a determinação de Moreno em mandar Correa à prisão – que os trabalhadores começaram a se mobilizar contra o governo. Uma greve geral ocorrida há algumas semanas colocou claramente o interesse da população em se livrar do governo dos parasitas que estão destruindo o Equador.

Na Colômbia, que é um país que, embora não tenha sofrido golpes de Estado explícitos, é controlado diretamente pelo imperialismo norte-americano há décadas, também há uma forte tendência à revolta. Enquanto o presidente colombiano se empenha em invadir a Venezuela, atendendo unicamente aos interesses do imperialismo, os trabalhadores estão organizando uma greve geral para confrontar o governo.

Os governos fantoche do Brasil e da Argentina vivem uma intensa crise política. Mauricio Macri já governa a Argentina há mais de três anos, de modo que já há um grande desgaste junto à população típico dos governos neoliberais. Medidas ultra-impopulares, como os acordos com o FMI, têm levado a uma insatisfação generalizada por parte da população, uma vez que a inflação está altíssima e a pobreza aumenta exponencialmente. Por outro lado, as dificuldades em estabilizar a economia, mesmo impondo uma série de ataques aos trabalhadores, têm gerado uma crise no interior da própria burguesia argentina.

O governo Bolsonaro é, talvez, o maior exemplo da enorme dificuldade que o imperialismo está tendo de levar adiante a política de devastação da América Latina. Após uma gigantesca fraude eleitoral, que incluiu a cassação da candidatura do maior líder popular do Brasil, a burguesia conseguiu levar à Presidência Jair Bolsonaro. No entanto, com menos de dois meses de governo, Bolsonaro já teve sua impopularidade escancarada e já despertou uma série de ataques e críticas da própria burguesia, que já prepara o vice-presidente Hamilton Mourão para tomar o lugar de Bolsonaro, se necessário.

As crises em todos esses países estão sendo desencadeadas pelo mesmo motivo: a política neoliberal, defendida pelos capitalistas, é inviável para o povo latino-americano. A destruição da aposentadoria e dos direitos trabalhistas, o desemprego, as privatizações e o fortalecimento dos aparatos de repressão são medidas intragáveis por qualquer povo, e levam a uma inevitável revolta dos trabalhadores latino-americanos contra o imperialismo. Por outro lado, as contradições do capitalismo estão impedindo que a política de massacre da classe trabalhadora leve a algum êxito econômico, o que favorece a uma instabilidade no interior da burguesia e, desse modo, a crise política em todos os regimes golpistas.