Europa
Historiadores são obrigados a pedir desculpas após publicarem livro em que afirmam que ex-prefeito polonês contribuiu com nazistas
Andrzej_Duda_podczas_kampanii_prezydenckiej
Andrzej Sebastian Duda, presidente da Polônia | Foto: reprodução
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Andrzej Sebastian Duda, presidente da Polônia | Foto: reprodução

Dois historiadores estão sendo obrigados a pedir desculpas publicamente na Polônia após divulgares o envolvimento de um ex-prefeito como sendo um colaborador dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, sendo, inclusive, responsável pela morte de dezenas de judeus durante o Holocausto.

O livro Dalej jest noc (A noite sem fim), foi publicado em 2018 e citava Edward Malinowski como sendo o ex-prefeito que auxiliou os nazistas. Foi então que uma sobrinha do ex-prefeito processou os dois pesquisadores que escreveram o livro por difamação, pedindo o equivalente a R$ 145 mil na justiça.

O judiciário negou a indenização, mas obrigou os pesquisadores Barbara Engelking e Jan Grabowski a pedirem desculpas publicamente.

Os pesquisadores, por sua vez, argumentam que a decisão da justiça é parte dos esforços da extrema direita que comanda o país para encobrir os crimes cometidos pelos fascistas poloneses que auxiliaram os nazistas durante a guerra.

O país é comandado pelo partido Lei e Justiça,  que possui mais da metade do parlamento. O presidente do país, o fascista Andrzej Duda fazia parte do partido até 2015, quando se tornou independente. No entanto, a política de Duda continuou extremamente próxima da ideologia de seu antigo partido.

Os esforços da extrema direita em esconder os crimes dos nazistas é tamanha, que em 2018, ano de lançamento do livro, o estado havia aprovado uma lei que criminalizava qualquer menção de que algum polonês tivesse contribuído com os nazistas, podendo levar a até 3 anos de cadeia para quem cometesse o fato. No entanto, com a pressão internacional que o fato gerou, a lei foi desfeita.

No entanto, mesmo com a volta atrás, fica claro qual é o rumo que a extrema direita quer tomar na Polônia, o de se utilizar do estado para reprimir a população e esconder quaisquer crimes que tenham acontecido no passado contra a própria população, o que abre as portas para impedir que qualquer um possa se posicionar abertamente contra apolítica atual da extrema direita e os crimes que venha a cometer.

O método de calar quem discorda de suas posições é o método tradicional da extrema direita e é o que permite que ela se estabilize no governo, como vem acontecendo na Polônia. Hoje, o Lei e Justiça é o principal partido do país, sendo que seu controle foi aumentando aos poucos e através de leis repressivas desse tipo, além de outras como a proibição de utilização de símbolos comunistas.

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