A “politicagem” rola solta no Oscar 2018

Todo ano a Academia de Ciências e Artes Cinematográficas de Hollywood premia os supostos melhores filmes do ano anterior para “celebrar” a 7ª arte. Esta é a história contada pela academia e repetida à exaustão pela imprensa burguesa. O Oscar não passa de um prêmio para vangloriar os interesses políticos dos EUA, o fato com este objetivo aparecer algum filme que de fato seja louvável é lucro, mas não é o principal. 

O cinema e principalmente o Oscar são pura política. Ao contrário do que os inocentes úteis dizem é um prêmio essencialmente político. E isso se reflete nas escolhas dos filmes indicados e finalmente na premiação.

Depois do fiasco do “Oscar branco” de dois anos atrás, no ano passado a academia fez mudanças e recheou as categorias com as chamadas “minorias” para fazer uma média com a esquerda roliudiana e amenizar as críticas. Resultado? Dois atores negros premiados na categoria de melhor coadjuvante e o filme independente e com o tema dos negros da periferia, “Moonlight”, vencedor.

Este ano a dose se repete e tem todo o tipo de política, interna e externa, envolvendo as categorias entre os indicados. Nas categorias principais aparecem negros, mexicanos, gays e mulheres entre os indicados a filme, direção, atuação, roteiro e até fotografia. Sem contar os filmes.

Para citar alguns casos há os filmes principais, “A Forma da Água” que tem o diretor mexicano Guilhermo del Toro indicado, o filme trata de minorias rejeitadas pela sociedade, por meio do romance da faxineira muda e da criatura estranha vinda da Amazônia. Seria uma espécie de inserção dos excluídos.

A questão dos negros aparece como tema principal do ótimo “Corra!”, mas há elementos também em “Três Anúncios para um Crime”, mulheres tem destaque em “Lady Bird”, no tema e na indicação da diretora Greta Gerwig e os gays são representados pela indicação do filme “Me chame pelo seu nome”. De quebra o Oscar ainda faz o afago à direita inglesa por meio da cinebiografia de Winston Churchill em “O Destino de Uma Nação”. É uma política tradicional, como em anos anteriores deu preferência a filmes da realeza, como “A Rainha” e “O Discurso do Rei”, este último premiado como melhor filme, a filmes com temas mais de esquerda, como “Che” de Steven Sorderbergh.

A política internacional é o destaque na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Este ano há um filme chileno sobre uma mulher transsexual, “Mulher Fantástica”. Em “O Insulto”, um cristão libanês e um refugiado palestino trocam farpas num caso aparentemente banal, mas com fundo bem político. 

A politicagem típica do Oscar aparece mais explícita nas categorias menores como curta-metragem ou documentário. Este ano o destaque é o documentário “Ícaro” sobre o caso de dopping dos atletas russos. Uma clara espetada na política Russa, em ano de Copa do Mundo sediada por Putin. 

Até na categoria de Animação a política dá o tom. O destaque é a animação “Viva”, da Disney-Pixar, que mostra os mexicanos comemorando o famoso “Dia dos Mortos”. Uma clara contraposição ao governo Trump que quer impedir os mexicanos de entrarem no País. Trump aliás já foi atacado no ano passado, pois a academia é a favor da candidata da guerra Hilary Clinton que perdeu as eleições.

Mas a politicagem não acaba nas indicações. A própria festa vai, com certeza, ter algumas alfinetadas contra Trump e os desafetos políticos da academia. É esperar pra ver.