Política que Haddad apresentou no SBT não é o da luta contra o golpe

Haddad

Em entrevista concendida na última segunda, 17/09, ao SBT, UOL e Folha de São Paulo, o atual candidato do PT, Fernando Haddad, explicitou o porquê da sua candidatura não ser uma expressão da luta contra o golpe de Estado no país, mas o resultado da imposição de todas as instituições golpistas contra Lula, intensificadas nos últimos dias pelo TSE, pelo STF, pela grande imprensa e pelos militares, para que o PT abrisse mão do seu candidato, do candidato do povo brasileiro, substituindo-o por um “Plano B”.

Por uma hora Haddad foi sabatinado pelos jornalistas com todo o eixo de suas respostas convergindo na defesa de um programa de conciliação nacional, com paz social, com estabilidade para retomada do crescimento econômico.

A fim de justificar o que garantiria a estabilidade de um eventual governo seu, deu como justificativa recente declaração do senador e presidente do PSDB, Tasso Jereissati, “reconhecendo” o boicote deliberado do seu partido ao governo Dilma.

Quando foram tratados temas e instituições que foram peças-chaves no golpe de Estado, evitou denunciar e entrar no mérito do papel que cumpriram de perseguição ao PT e aos seus dirigentes, particularmente, Dilma e Lula, e abordá-los de um ponto de vista positivo.

Foi assim, por exemplo, quando se referiu à operação Lava-Jato. Para o ex-prefeito, toda corrupção de 1 centavo a 1 bilhão tem o mesmo significado. Para ele, o que se coloca é a necessidade de fortalecer mais ainda os órgãos de controle, como o Ministério Público e a Polícia Federal, com a ressalva de que se deve aprimorar os instrumentos coercitivos para punir os corruptores, que em geral são os mesmos que fazem delações sem provas. Quer dizer, a lava-jato, que foi o carro-chefe na odiosa campanha contra o ex-presidente Lula, foi absolutamente legal. O problema não estavam nos instrumentos de coação, de falsas denúncias, montados pelos golpistas, como Sérgio Moro, o chefe do DOI-CODI do golpe em curso.

Sobre o TSE, esse covil de ministros golpistas, ao se referir sobre recente declaração do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, sobre a possibilidade de fraude nas eleições, declarou que “não se deve contestar o resultado eleitoral proclamado pelo TSE. O TSE acabou de cassar o presidente Lula. O TSE é o TSE”. Ou seja, a cassação do presidente Lula é a prova da idoneidade dos ministros do TSE e que portanto, o que lá é decidido não deve ser objeto de contestação.

Outras colocacações de Haddad no sentido de que se afastam totalmente de qualquer lampejo da luta contra o golpe poderiam ainda ser criticados, como a sua posição quase sem crítica com relação aos monopólios de comunicação ou ainda que o Brasil “é um estado democrático de direito. Falta aperfeiçoar”, mas o que mais chamou a atenção foi o fato de que em respeito a decisão do presidente Lula, que quer provar a sua inocência, não concederia indulto ao ex-presidente.

O problema aqui não de uma “clemência” do Estado diante de um condenado qualquer. Lula é um preso político como resultado de um golpe, de uma perseguição sem paralelo na história do Brasil. Simplesmente “respeitar” a decisão do ex-presidente sem denunciar de forma contundente o aparato golpista reunido em torno de todas as instituições do país, mas, ao contrário, defender a Lava-Jato, o TSE… é, no mínimo, acreditar que é possível fazer a roda da história girar no sentido inverso.