brasileiro pára de comer carne
O consumo de carne bovina pelos brasileiros em 2021 deverá recuar a níveis anteriores à década de 1990
carnealta
Carne alta | Foto: Reprodução
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Carne alta | Foto: Reprodução

O consumo de carne bovina pelos brasileiros em 2021 deverá recuar a níveis anteriores à década de 1990. É o que dizem analistas ouvidos pela jornalistaThaís Carranca da BBC Brasil. No primeiro governo Lula, consumia-se 42,8 quilos de carne bovina por habitante (em 2006). Em 2020, o consumo reduziu-se a 29,3 quilos por habitante, 13,5 quilos a menos. Em 2021, cairá ainda mais.

A perspectiva para 2021 é de que os preços da carne de boi continuem em alta, como resultado da oferta restrita de gado no país e forte demanda da China. Isso num cenário de menor disponibilidade de renda dos brasileiros, com desemprego recorde, avanço da pandemia e fim do auxílio emergencial -um coquetel explosivo.

Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo brasileiro de carne bovina foi de 29,3 quilos por habitante em 2020, uma queda de 5% em relação aos 30,7 quilos por habitante de 2019, ano em que o consumo já havia recuado 9%. O patamar de 2020 é o menor da série histórica da Conab, que tem início em 1996.

E representa uma redução de 13,5 quilos por habitante em relação ao ponto máximo da série, de 42,8 quilos por habitante em 2006, durante o primeiro governo Lula (PT).

Por outro lado, o salário mínimo tem tido ganhos reais cada vez menores, chegando até a não ter nenhum ganho real.

No dia 16 de dezembro o Congresso Nacional aprovou a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021 com previsão de reajuste do salário mínimo de R$1.045 (mil e quarenta e cinco) para R$1.088 (mil e oitenta e oito reais). O reajuste então considerava o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 4,11%. No entanto, como denunciado por este Diário, o acumulado do índice nos últimos 12 meses (novembro de 2019 a novembro de 2020) foi de 5,22%, o que significava que o salário teria perda real! Para evitar essa distorção escancarada, o governo fez a correção na MP e a está utilizando como propaganda de que manteve o poder de compra do salário mínimo, o que não passa de uma farsa.

Mas o problema não acaba aí. Isto porque os preços dos alimentos explodiu em 2020. O preço da carne bovina até novembro havia subido 37% nos últimos 12 meses. O preço dos alimentos na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), maior central de abastecimento da América Latina, subiu 15,9% em 2020!

Logo, para os trabalhadores mais pobres, que gastam boa parte do salário em alimentação, a inflação não foi menor do que o aumento nos preços de produtos básicos. Uma vez que o trabalhador pode fugir do aumento de 37% na carne deixando de comer carne, como é comum. Mas não consegue fugir do aumento do arroz, do feijão, do ovo, do leite, das verduras, frutas, gás de cozinha e combustível ao mesmo tempo.

Se foi assim na questão dos alimentos, nos alugueis a situação foi ainda pior. O IGP-M, índice utilizado para reajuste de alugueis e contratos, foi superior a 23,14% no acumulado do ano. Ou seja, mesmo que o salário mínimo ficasse no zero a zero na média da cesta de produtos medida pelos índices oficiais, o reajuste não atingiria o valor médio da alta dos alugueis. Isto significa que um trabalhador que paga aluguel perdeu na verdade 17,95% do seu salário (subtraindo os 5,22% do INPC dos 23,14% do IGP-M).

O que mostra que mesmo com um reajuste de 5,22% no salário mínimo, o que ocorre neste momento são perdas reais no salário dos trabalhadores, rebaixado pelas MP’s de Bolsonaro e corroído pela inflação real, para muito além da maquiagem da inflação oficial.

O governo Bolsonaro concedeu reajuste no nível da inflação possivelmente por dois motivos. A propaganda política de dizer que manteve o poder de compra dos trabalhadores, por um lado. Mas, mais do que isso, para compensar em alguma medida bem rebaixada, o fato do próprio governo ter acabado com o auxílio emergencial.

Isto deixa claro que não a situação atual não é uma fatalidade da pandemia, mas sim uma política do governo Bolsonaro no atendimento do programa político da burguesia golpista. Prova disso é que este é o segundo ano consecutivo que não há aumento no salário mínimo, de acordo com os próprios dados da inflação oficial. Ao considerar o cálculo levantado acima, o que tem acontecido na realidade é uma perda de salário cada vez maior por parte dos trabalhadores.

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