Política de Bolsonaro contra os índios é inspirada na repressão da época da ditadura

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A política de ataques aos povos indígenas com paralisação das demarcações, revisão das terras indígenas, retirada de direitos, violência e mortes não são nenhuma novidade e sim uma continuidade do que foi colocado na prática durante a ditadura militar.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) elaborou um estudo sobre documentos oficiais que revelam que a ditadura militar atacou duramente os povos indígenas. Os povos indígenas foram alvo de operações ligadas ao Serviço Nacional de Informação (SNI) e de milhares de mortes da maneira mais terrível possível.

As denuncias baseadas em documentos oficiais revelam que os indígenas foram assassinados de todas as maneiras desde disseminação de doenças, onde os militares removeram servidores que se colocavam ao lado dos indígenas, até helicópteros jogando bombas nas aldeias. Segundo os dados da Comissão Nacional da Verdade (CNV) estima que ao menos 8.350 índios foram mortos nesse período.

No inicio da ditadura militar ao período de maior repressão foi criado o Plano de Integração Nacional (PIN), o que colocou em prática uma ofensiva violenta contra os povos indígenas em todas as regiões do Brasil. Com o argumento de desenvolvimento das regiões sul, sudeste e nordeste e integração do centro-oeste e norte, a ditadura passou como um rolo compressor contra os povos indígenas. São centenas de exemplos, mas cabe aqui citar os mais evidentes e violentos.

Após o golpe de 1964, os militares fundaram dois centros de detenção de índios “infratores”, o Reformatório Krenak, em Resplendor (MG), e a Fazenda Guarani, em Carmésia (MG). Os dados oficiais mostram que mais de 100 indígenas considerados infratores foram presos, tratados como loucos e torturados, vindo de dezenas de etnias e mais de 11 estados brasileiros. As denuncias são de trabalhos forçados e espancamentos eram diários para “reeducação”. Os indígenas denunciam que eram presos indígenas que lutavam pela demarcação de terras ou que lutavam para não perder as terras demarcadas num período anterior a ditadura militar.

Casos mais conhecidos são do povo Waimiri-Atroari que viviam entre Manaus (AM) e Boa Vista (RR), que estavam no caminho da construção da BR-174. No começo da década de 1970, haviam cerca de 3.000 indígenas e após a “intervenção” dos militares, foram reduzidos a apenas 350 habitantes em 1983, conforme dados da própria FUNAI.

No relatório da CNV, mineradoras da região contrataram empresas paramilitares para conseguir explorar a região. Consta no relatório que “para sua atuação na área, a mineradora Paranapanema contratou uma empresa paramilitar chamada Sacopã, especializada ’em limpar a selva’. Os responsáveis pela empresa tinham autorização do Comando Militar da Amazônia, para manter ao seu serviço 400 homens equipados com cartucheiras 20 milímetros, rifle 38, revólveres de variados calibres e cães amestrados”.

Em recente relatório elaborado pelo Ministério Público Federal (MPF) a partir de indígenas que viveram esse período “helicópteros que sobrevoavam as aldeias derramando veneno e detonando explosivos sobre centenas de indígenas reunidos para celebração de rituais de passagem. Sucessivos ataques a tiros, esfaqueamentos e degolações violentas praticadas por homens brancos fardados contra indígenas sobreviventes dos ataques aéreos. Tratores que passavam destruindo roçados, locais de passagem e antigas capoeiras de aldeias centenárias – locais sagrados para os indígenas”.

Ocorreram contra os Krenakore, Yanomami, Pataxó, Kayapó, Catrimani, Parakanã, Arara, Akrãtikatêjê e muitas outras que sequer foram registradas.

Os crimes da ditadura eram tão evidentes que o sertanista da recém-criada Funai, Antônio Cotrim, afirmou ao se demitir que “estou cansado de ser um coveiro de índios… Não pretendo contribuir para o enriquecimento de grupos econômicos à custa da extinção de culturas primitivas”.

Os argumentos desse período são os mesmos do Governo do fascista Jair Bolsonaro. A alegação de integração dos povos indígenas, impedir o desenvolvimento, mineração e agricultura nessas terras controladas pelos índios e “excesso” de demarcações foram utilizados para as maiores atrocidades contra a população.

Bolsonaro e os militares do seu governo querem impedir novas demarcações, revisar as terras indígenas já demarcadas, abrir a exploração para mineradoras e ao agronegócio e “integrar” os indígenas a população brasileira. Alguma semelhança nesse discurso?

Essa mesma desculpa serve apenas para tomar as terras indígenas para exploração de grandes monopólios da mineração e agrícola e os indígenas servir de mão-de-obra escrava, as custas dos direitos e da destruição do modo de vida dessas comunidades tradicionais.

Os militares e a extrema-direita, que são os mesmos do período dos anos de chumbo e hoje estão com Bolsonaro, já mostraram diversos exemplos dessa política: casos de assassinatos, remoções forçadas, epidemias geradas propositalmente, uso de bombas e armas pesadas, disseminação de bebidas e drogas nas aldeias para desestabilizar. Os ataques promovidos pelos militares aos indígenas em luta eram de enorme brutalidade e tudo registrado nos próprios documentos oficiais.