Justiciário e o status quo
Caso Floyd volta a surpreender: defesa de assassino alega suicídio.
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Protesto contra o assassinato de George Floyd | Foto: Kon Karampelas

Na última sexta feira(21/08), nos EUA, a defesa do policial branco que assassinou George Floyd durante uma abordagem afirmou ao jornal Los Angeles Time que a vítima cometera suicídio por overdose e portanto, nenhum policial envolvido na ação seria culpado por sua morte.

A morte de Floyd foi registrada em vídeo de 28 minutos, no qual se pode ver e ouvir a vítima implorar para que o policial Derek Chauvin parasse de comprimir seu pescoço com o joelho, pois já não podia respirar. Mesmo sendo esta uma robusta prova de assassinato, a família da vítima contratou uma autópsia independente que atestou a causa mortis como asfixia mecânica, e portanto corroborando com conclusão óbvia de assassinato depreendida do conteúdo do vídeo.

O caso gerou uma onda de protestos que varreu os EUA e outros 60 países por se tratar de mais um assassinato de um negro pobre pelo aparato repressivo do Estado. A população incendiou as imediações da delegacia onde trabalhavam os policiais que mataram Floyd e durante as semanas seguintes houve confrontos com a polícia e centenas de prédios públicos foram atacados.

Diante da revolta crescente o judiciário estadunidense decretou a prisão dos policiais envolvidos, contudo como o sistema de justiça daquele país favorece o “ter” e não o “ser”, todos foram liberados mediante pagamento de fiança.

Não devemos nos surpreender caso a tese de suicídio prospere, passado a comoção inicial, o judiciário deve retornar ao seu modo de operação habitual, onde policiais, brancos, negros, pobres e ricos tem seus valores preestabelecidos. Uma eventual condenação dos policiais passa uma mensagem muito desfavorável à classe dominante, a de que a intensidade da repressão estatal às massas teria algum limite aceitável, além é claro, de demonstrar a efetividade dos protestos.

Justiça é um conceito abstrato, no qual se chegaria a um estado ideal de interações sociais equilibrado, onde cada indivíduo teria um mesmo valor não afetado por nenhum critério além de sua própria humanidade, desprezando assim sua riqueza, etnia, sexo, dentre outros fatores. Já o judiciário é algo concreto e real, é a representação idealizada da Justiça construída pelo poder dominante, portanto parcial. A justiça só é possível entre iguais, e não há igualdade entre classes sociais antagônicas. Assim, só pode haver justiça numa sociedade sem classes ou de uma única classe.

“Vamos provar que meu cliente e os outros agentes estavam fazendo o trabalho deles”, disse o advogado de Chauvin, o que de todo não é mentira, o trabalho, de fato, não de direito, das forças repressivas do Estado é manter o status quo da relação explorador-explorado. Cabe ao explorados, lutar contra a opressão e como muito bem disse Marx, só terão a perder os seus grilhões.

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