Assassinatos no campo crescem
Erisvan Soares Guajajara, 15 anos, é brutalmente assassinado a mando do latifúndio do estado do Maranhão e o crime é encoberto pela polícia e pelo Estado.
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Indígenas durante a ocupação de um canteiro de Belo Monte: Ruy Sposati |

“Tem que ter justiça esses acontecimentos. A terra indígena é toda a nossa família. Todos nós temos o direito de saber e correr atrás da verdade. Toda nação tem, todo branco tem, todo Guajajara tem”. Assim desabafa Luiz Guajajara, irmão de Erisvan Soares Guajajara, 15 anos, torturado e assassinado brutalmente por capangas do campo, conhecidos também como jagunços. É o quarto indígena morto em emboscada no mesmo Território Indígena de Amarante, situado no estado do Maranhão.

A milícia do Estado, formalmente nomeada de Polícia Militar, acusa o jovem indígena de 15 anos de tráfico de drogas e todas as instâncias policialescas descartam essa acusação grotesca mas descarta o óbvio: um crime cuja causa é a disputa territorial. Das populações locais tentando sobreviver de um lado e o latifúndio com sua influência econômica e política sobre o Estado em união com seus bandos de assassinos desqualificados.

Um inquérito ou um programa sensacionalista?

O “inquérito” policial é uma verdadeira colcha de retalhos, não dá para falar em um grande furo no inquérito porque ele todo é furado, tanto de balas, como a que atingiu covardemente a nuca do rapaz, como de mentiras esdrúxulas. Desde tráfico a roubo de galinhas, o absurdo salta os olhos de quem lê.

As ameaças não são apontadas no inquérito. Nem da comunidade, tampouco sobre também as que o rapaz já havia sofrido. A bala na nuca, para a polícia, não existiu. O que “existe” é o tráfico de drogas suposto, ou uma queima de arquivo, ou não conseguem pensar em desculpa melhor.

Para não ficar muito gritante, pegaram quatro garotos e jogaram a notícia na mídia local de que eles eram os culpados. Sem prova alguma, suspeita tirada de lugar algum e investigação que se encaminha para nada. A tática do bode expiatório para abafar o clamor público tanto da comunidade quanto da população em torno não foi muito longe, pois logo os rapazes foram soltos sem mais nem menos. E essa versão caiu em descrédito total.

Não existe luta de classes nesse inquérito. Não há conflito social algum. Deduzindo, poderíamos dizer que não há em documento policial algum. O que há, na verdade, é uma grande farsa. Um crime mal encoberto.

A neutralidade de mãos dadas com o latifúndio

O inquérito fraudulento é uma tentativa malfeita de encobrir a realidade desses assassinatos: a guerra no campo, o território cobiçado pelos grandes latifúndios que querem ceifar essas populações originais e tomar-lhes o que é de mais fundamental e vital: sua terra, a terra de seu povo.

No meio desses assassínios o próprio ex-juiz, agora Ministro do governo fraudulento, Sergio Moro apareceu nessa comunidade do Maranhão para dizer apenas: nada de proteção para a população do campo. Barrando assim, que o Estado controlado pelo bolsonarismo fizesse a segurança da região, mostrando novamente o caráter fascista do governo imposto pelo imperialismo em nossas terras.

 

Sendo assim, a ordem do aparato estatal é: deixem matar para que seja plantado ali mais alguns sacos de soja para engordar ainda mais suas poupanças e continuarem sendo esse enorme engodo para economia nacional.

Na luta de classes não há empate   

Reportamos, no começo do artigo, a desejo da comunidade expresso pelo irmão de Erisvan, Luiz Guajajara. O desejo é legítimo e deve ser atendido, mas não o será pela justiça latifundiária que quer fazer um verdadeiro genocídio na região. A própria comunidade deve se organizar e se autodefender, para barrar os assassinos do campo, tanto os capangas quanto a polícia! O armamento da população dos TI’s é urgente e é uma questão de vida ou morte. É parte da luta geral contra o golpe de Estado, seu aprofundamento e pelos direitos democráticos de toda população!

Reforma agrária já! Fora Bolsonaro! Abaixo o golpe de Estado!

 

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