Fim da PM já!
Terras indigenas são invadidas por fazendeiros e madereiros, dando continuidade ao massacre da população.
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Isac Tembé, morto pela PM, tinha 24 anos e era professor de história. | Isac Tembé/Arquivo em Rede Social
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Isac Tembé, morto pela PM, tinha 24 anos e era professor de história. | Isac Tembé/Arquivo em Rede Social

Os Tembés sofrem diversos ataques de extermínio desde 1861, sendo levando os homens para trabalhar na transamazônica, sendo expulsos das terras para outras e agora,  apesar de terem suas terras demarcadas, estão sendo obrigados a conviver com centenas de famílias de posseiros, e sofrem os efeitos da atuação irregular de madeireiros, fazendeiros e empresários há anos, sendo que com o atual governo fascista de Jair Bolsonaro, os ataques ficaram mais intensos, inclusive com assassinatos encomendados do povo indígena.

E foi o que aconteceu com Isac Tembé, 24 anos, liderança do povo Tembé Theneteraha, que foi morto a tiros pela Polícia Militar na noite de sexta-feira em Capitão Poço, nordeste do Pará. Isac, que é filho do cacique da aldeia Jacaré, no município, saiu para caçar com um grupo de amigos e por volta das 22h foi assassinado por policiais militares. Essa informação foi dada por pessoas próximas de Isac, que também referem que “os policiais envolvidos se trancaram na Delegacia do município durante a noite e hoje (sábado) pela manhã sumiram da cidade”. Isac tinha 24 anos, era casado e sua esposa está grávida. Ele era professor de história e referencia na resistência do genocídio que o povo indígena sofre no Brasil.

O povo Tembé Theneteraha está longe de se conformar com essa situação, são um povo que tem lutado pela desocupação de seu território e reivindicado seus direitos junto aos órgãos públicos e poderes locais. No entanto sabemos que no Brasil as instituições estão todas corrompidas, e que não será pelas vias legais que nenhum povo indígena conseguirá se salvar. Haja vista que esse assassinato e muitos outros que estão ocorrendo no Brasil, são realizados por PMs contratados, por PMs através de mandados judiciais, isto é, com total aval da “justiça”.  O PCO vem apontando há muito tempo a necessidade do fim da polícia militar, que é um aparato da burguesia unicamente para ataque do povo, que seja indígena, negro, mulheres, pobres, trabalhadores. Temos que constituir polícias locais lideradas por trabalhadores, através de conselhos populares. Outra questão é a organização dos comitês de autodefesa, é impossível se defender sozinho, pois a burguesia conta com o aparato policial e do exército. Os povos indígenas precisam se organizar de dentro de suas aldeias, em todo o Brasil, pois o objetivo de extermínio a fim de promover a política neoliberal, é cada dia mais descarado.

Abaixo, leia a nota publica do Povo Tembé,  denunciando o assassinato:

Nota Pública do Povo Tembé-Theneteraha

O coração do povo Tembé-Tenetehara sangra com o brutal assassinato do nosso jovem guerreiro Isac Tembé. A bala que lhe tirou a vida, com apenas 24 anos, atingiu a todos que desde tempos imemoriais habitamos essa terra e fazemos a permanente defesa da floresta e de nossos saberes tradicionais.

O jovem Isac foi executado a tiros por policiais militares na noite da última sexta-feira, 12. Ele saiu para caçar depois de um dia de trabalho na construção de sua casinha para morar com sua família. Perguntamos: por que esses agentes da segurança pública servem de milícia privada para  fazendeiros que invadem terra indígenas? Por que chegaram atirando contra nossos jovens, filhos, netos e sobrinhos, que caçavam, prática que faz parte da cultura de nosso povo?

A Polícia Militar assassinou duas vezes Isac Tembé: mataram seu corpo e tentam matar sua memória quando atacam a índole de nosso jovem guerreiro e liderança exemplar.

Isac era um cidadão honrado, professor de história, atuante na comunidade e na organização da juventude. Sua esposa está grávida e em breve dará à luz a mais uma criança Tembé, garantia da continuidade deste povo originário. Jamais se envolveu em qualquer ato ilícito e nunca em sua vida portou ou disparou uma arma de fogo.

Por isso, repudiamos como mentirosa a versão dos policiais militares, que alegam ter reagido a uma agressão a tiros. Somos um povo da alegria e da festa; um povo pacífico, ordeiro e cumpridor da lei. Exigimos das autoridades uma apuração rápida, transparente e rigorosa, a fim de identificar e punir os responsáveis por esse crime.

Nosso território sofre diariamente invasões e ataques por parte de exploradores ilegais de madeira ou de fazendeiros que insistem em manter a ocupação de partes da Terra Indígena Alto Rio Guama, através de cabeças de gado e de outras atividades econômicas.

Há décadas lutamos contra essa violência e não vamos parar até que nenhum metro de nossa terra esteja ilegalmente ocupado. Não temos medo. A Constituição Federal protege nossos direitos e o Estado brasileiro precisa fazer cumprir o que manda a Lei maior.

Apelamos às autoridades do Brasil e do mundo para que não nos deixem sós!

Exigimos que Funai, MPF, Polícia Federal e todos os órgãos competentes venham até o nosso território e vejam o que passamos.

Exigimos perícia no local do ocorrido. Exigimos resposta urgente pois não vamos nos calar e deixar que esse crime permaneça impune.

Que a memória viva de Isac Tembé fortaleça nossa caminhada. Que o espírito dos nossos ancestrais guie o povo Tembé-Tenetehara em
sua luta em favor da vida.

Convocamos a imprensa e as autoridades para uma reunião pública, nesta segunda (15), às 10 horas, na aldeia São Pedro, Terra Indígena Alto Rio Guama, ocasião em que o povo Tembé decidirá o caminho da luta em busca de justiça.

Exigimos justiça !

Punição dos assassinos e mandantes da morte de Isac Tembé !

Terra Indígena Alto Rio Guama, 14 de fevereiro de 2021.

 

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