Polícia Federal golpista prende indígena por utilizar palmito para o seu sustento

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No dia 13 de maio, a indígena guarani Patrícia Ara Jera Borges da Silva, foi presa em ação da Polícia de Federal no município de Ubatuba, litoral norte de São Paulo. A indígena que vive na aldeia Rio Bonito na Terra Indígena Boa Vista estava a caminho da Feira do Rolo, no município de Caraguatatuba, após a Polícia Federal golpista parar o ônibus em que se encontrava a indígena, e verificar na posse da indígena artesanato e 35 palmitos juçara in natura.

A indígena Patrícia foi constrangida na frente de todas as pessoas do ônibus e tratada como criminosa pelos policiais federais e levada diretamente a delegacia, por estar em posse de 35 palmitos juçara onde passou o dia inteiro dando depoimentos e tentando se defender.

Foi multa no valor de R$ 11.100,00 por infringir a Lei Federal 9605 de 1998, conhecida como “Lei de Crimes Ambientais” e intimada a comparecer em Caraguatatuba no “Atendimento Ambiental” no dia 10 de julho de 2019 “para consolidação das infrações e das penalidades cabíveis e propostas para a regularização da atividade objeto da autuação”.

O crime de Patrícia é ser indígena e tentar sustentar sua família, revelando o caráter golpista e repressor da população pobre realizado pela polícia federal, quando estava apenas tentando sobreviver e ganhar o sustento de sua família, onde é mãe de quatro filhos.

A indígena foi alvo de uma “denúncia anônima”, que no último período está se tornando cada vez mais recorrente e que leva diversos indígenas à prisão. Esse caso somado a recentes prisões da Guarani Mbya Teresa Gimenes, presa por possuir um macaco de estimação e os cinco indígenas Guarani foram presos pela Polícia Ambiental do Paraná, no município de Santa Helena, acusados de cortar uma taquara para fazer artesanato.

Os indígenas estão sofrendo do que chamamos de “fascismo ecológico”, onde os golpistas e os coxinhas se utilizam da legislação ambiental para reprimir os indígenas e colocar em prática uma estratégia de limpeza social, expulsando os indígenas de praças, cidades e terras tradicionais.

Enquanto isso, a justiça libera pistoleiros e latifundiários que assassinam os que lutam pela terra e protege grandes empresas capitalistas que destroem e contamina o ambiente e a população, como a empresa Hydro Nosrk no Pará e da Samarco, onde destruiu o rio Doce e matou pessoas em Mariana (MG).