Fumaça para inocentar a PM
O jornal golpista, que colaborou com a ditadura, se esforça para criar uma retórica na qual PM seria uma instituição “pura e do lado do povo” antes da ditadura.
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PM - SP - Estudantes
Polícia reprime violentamente estudantes em manifestação. | Foto por: reprodução.

Intitulada “Análise: Regime impregnou polícia com valores e métodos repressivos”, a matéria do jornal golpista Folha de S. Paulo esconde sorrateiramente o papel objetivo e a relação material da Polícia Militar na luta de classes.

A matéria publicada na segunda-feira, 20, pela Folha, destaca que “ao aperfeiçoar práticas extraoficiais já conhecidas na história e torná-las política de Estado, o regime militar impregnou a cultura operacional e os valores de parte das corporações policiais com métodos brutais e autoritários legitimados pelos comandos”. Levando em conta essa afirmação, podemos concluir que o caráter fascista da PM fora forjado na ditadura militar, correto? O que é totalmente falso. A PM, desde o início, opera da mesma forma. O que houve foi uma centralização da repressão nas mãos das Forças Armadas para que o modus operandi das polícias tomasse um contorno mias eficiente, isto é, mais repressivo.

De acordo com o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, citado pela reportagem, “com a ditadura, direitos e garantias foram suspensos como empecilhos à eficiência do aparelho militar na guerra contra a subversão”. De fato, e as polícias militares serviram como um apoio fundamental nessa empreitada. Ainda segundo Pinheiro, “a ideologia vulgar do bandido bom é bandido morto permeou parte da corporação. Essa minoria acaba prevalecendo porque não se fez nada a respeito”. Seria o caso de tirar essa minoria que o problema acabaria, correto? Ora, obviamente não! Essa minoria, por sua vez, representa os interesses materiais de uma determinada classe social; tirá-los da corporação não mudaria a função da mesma. Quem define o caráter da PM é a sua relação concreta com a luta de classes, não meia dúzia de indivíduos.

Para Michel Misse, sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, também à Folha, que “vai havendo a acumulação social de uma cultura de arbítrio, violência e corrupção dentro das polícias sem que isso levasse a alertas, consequências ou punições”. Consideremos a cultura como uma expressão ideológica de uma dada relação social. Em quais situações essa cultura foi forjada e como ela se dá hoje? No caso da relação da PM com a ditadura, está claro que a corporação serviu como extensão das Forças Armadas para aprimorar a repressão contra os inimigos do regime, o que deu um acabamento mais objetivo naquele momento – mas que, por ora, mantém-se operando do mesmo modo. Há duvidas quanto a necessidade da burguesia reprimir a população?

Em suma, o que a matéria diz é que há uma “cultura” da violência desenvolvida pela ditadura. Dadas essas considerações, a relação da polícia com a ditadura seria meramente ideológica – o que é completamente falso. A relação da PM com a ditadura é a mesma de um motor com a sua corrente de comando: a sincronia entre esses dois elementos serviram para pôr em andamento o trator que atropelou os direitos democráticos da população. São as necessidades materiais de uma determinada classe social que alimenta essa máquina de destruição; é a sua condição objetiva que confere o andamento das forças de repressão. Não se trata de cultura, de ideologia, se trata de o Estado ter a necessidade concreta, desde a ditadura, de impor um regime fascista sobre o povo; e isso se dá através de uma ação organizada e hierarquizada – a Polícia Militar.

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